terça-feira, 29 de junho de 2010

Copa do Mundo e Ditadura Militar

Há 40 anos atrás, eu cantava na escola e em casa o hit da Copa: "Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil, salve a seleção!" e o outro também: "Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração...". Eu pequena, com oito anos de idade, lembro-me de alguns fatos marcantes: meu pai era jornalista gráfico do Jornal da Tarde, pertencente ao Estado de São Paulo, o Estadão! Estive umas duas vezes lá no jornal com o pai. Recordo-me da preocupação dele, naqueles idos que inspiravam desconfiança e tensão. Uma noite, meu pai demorou muito a voltar do jornal. Quando chegou muito tarde, o ouvi contar para minha mãe que havia explodido uma bomba em um segmento do jornal. O comentário, baixinho, de soslaio, deixou uma forte impressão em meu imaginário. A ditadura do medo tomava conta de todos, dos vizinhos, dos familiares, dos amigos próximos. O hit da Copa do Mundo de 70 era a trilha sonora para as mais memoráveis violações de direitos humanos contra cidadãos brasileiros. A perseguição aos espíritos livres e emancipados tomou proporção de Santo Ofício. Ditadura? O futebol é meio parecido com isso. Até os que não apreciam o esporte são obrigados a conviver com a sua manifestação e a de seus adeptos. A ditadura do futebol nivela por baixo e se esconde sob a mais inocente expressão de patriotismo. Vamos combinar que patriotismo exacerbado não é compatível com cultura da paz! Que o Brasil vença a Copa, então, mas que se garanta que os não-torcedores sejam apenas admoestados, não torturados! Allea jacta est!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Minha coluna própria no Diário Regional

Amigos, o Doge (Dogival Duarte), diretor do Diário Regional, convidou-me para escrever em uma coluna, todas as terças, no jornal. Ele vai reproduzir amanhã, dia 22, a que escrevi sobre a Copa, na sexta passada, dia 18 de junho. Muito legal!

Dia 21 de junho

Hoje, meu falecido pai completaria 78 anos!

Que saudades, pai! Nossa, ontem assistindo ao jogo do Brasil na Copa, que foi emocinante, pensei tanto em ti e no quanto tu xingarias aqueles jogadores da Costa do Marfim, loucos para machucarem os nossos canarinhos! Se eu pudesse ir a Porto Alegre, eu iria na tarde de hoje, mas não dá. Tu deves estar achando o teu túmulo feio, sujo e meio abandonado, mas estamos quase todas longe de Porto Alegre e, cuidar de túmulo, no caso, seria uma mera formalidade! O importante é que tu estás sempre entre nós, teu melhor fã clube, o melhor de ti que ficou entre nós quatro, as filhas, e mais os netos - por tabela! Um grande beijo 'mental' em ti, pai, neste teu aniversário! Te amamos!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Adeus, Saramago!

Eu não poderia deixar de comentar algo, nesta sexta-feira, quando os jornais nacionais e internacionais estão comentando, há horas, a perda de Saramago - do alto de seus 87 anos. Sábio, ateu, austero e polêmico, seu livro "O evangelho segundo Jesus Cristo" foi uma leitura que marcou profundamente o meu espírito! De que forma o livro me deixou impressões, prefiro não comentar aqui... Embora os jornais façam referência à morte do autor de "Ensaio sobre a cegueira", no meu entender, esse não é superior ao "Evangelho...". Desceste de teus píncaros, aos 80 anos, quando rompeste com Fidel e o 'socialismo' da ilha! Finalmente, te curaste da tua cegueira!!!!
Para terminar, uma pérola que encontrei em um blog hoje: "É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se dos filhos de Marx, numa transa adúltera com a Coca-Cola...” (Roberto Campos apud Rodrigo Constantino). Os dogmáticos, ontem, tiveram os seus "15 minutos" de sucesso na mídia!

Cultura futebolística zero...

Assisti à estreia do Brasil na Copa do Mundo, na terça,às 15h30. Eu estava indo para a Medicina, dar uma aula sobre artigo científico. Meus alunos me esperavam na entrada do prédio para negociar a suspensão da aula e a forma de recuperá-la depois. Acabei indo para um boteco com eles assistir, então, ao jogo. Não consegui prestar muita atenção às jogadas, porque a conversa era acalorada entre meus alunos, mas deu para sacar que era um jogo com pouca emoção. Depois, liguei a TV, em uma passada em casa na quarta à tarde, quando a seleção uruguaia enfrentava a seleção dos anfitriões. Olha, se eu não sacasse nada de futebol, vendo uns caras correndo de verde-e-amarelo, eu imaginaria que era a nossa seleção em cena. Depois, no cantinho da tela, vi o Parreira e poderia ter associado, equivocadamente, Parreira-Uruguai. No entanto, de ouvir meu taxista falar de futebol, o Gigi, eu já sabia que o Parreira é o técnico da seleção da África do Sul. Na tarde de ontem, quinta, novamente passei em casa no final da tarde e assisti ao finzinho de México e França. Que bolão! O México venceu de 2x0 e estava exultante! Os 'mariachis' mexicanos estavam lá na arquibancada, vestidos de astecas, a caráter, fazendo um ritual mágico entre os torcedores. Os franceses, sem surpresas, estavam com cara feia e gestos obscenos para os jogadores mexicanos e técnico. Que feio! A 'crista napoleônica' não caiu nunca! Deve ser atávico! A Irlanda ficou fora por causa deles. Eles que se cuidem, porque poderão embarcar antes da festa final da Copa...
Pois é, em tempos de Copa, abrir a boca sem fundamento sobre futebol, é pedir para ser alvo de chacota ou, pior, ser tirado para 'analfabeto em futebol', o que, no Brasil, na condição de mulher, pode ser motivo de dor-de-cabeça e discriminação!