domingo, 29 de agosto de 2010

O cuidado de si perdido!

De um modo geral, os filósofos gregos entendiam que o cuidado de si mesmo deve ocupar uma vida toda. Em Platão, encontramos uma passagem em que Sócrates aconselha Alcebíades a ocupar-se de si logo, quando jovem, porque aos 50 anos não haveria mais tempo. Epicuro, diferentemente, lá no século III a.C., recomenda que o cuidado de si deve estar presente na juventude e na velhice, porque nunca é tarde para iniciar o processo de "ocupar-se" de si. Mais do que cuidar do corpo e, consequentemente, da saúde, ter o dever de conhecer-se a si mesmo, ter zelo pela própria alma, tem uma função crítica e terapêutica. Foucault dedicou ao tema um curso completo, no início da década de 80, um pouco antes de falecer, e foi exemplar no resgate dessa velha e consagrada prática dos gregos. Com o ritmo desenfreado da vida, note-se que os trabalhadores, mais uma vez, ficaram alijados desse modo de existência, que, entre os antigos, indicava uma superioridade social. Paul Lafargue, notável teórico e militante marxista francês do final do século XIX, escreveu um pequeno livro que é atual e interessante: "O direito à preguiça". Nele, reflete, de um modo geral, sobre o direito que os trabalhadores têm ao lazer, alegoricamente denominado de 'preguiça'. Milhões de trabalhadores não têm acesso ao cuidado de si, ao autoconhecimento, uma vez que sequer têm acesso ao lazer de qualidade e a um tipo de descanso que poderia promover a 'ocupação de si mesmo'. Cuidar de si mesmo pode começar com uma caminhada, de manhã, de natureza reflexiva, que nos faça enxergar a Natureza que está ao nosso redor e os sinais de mudança da estação, por exemplo, ou pode se deflagrar com um simples olhar para o céu, da janela de nossa casa, saudando o dia. Ocupar-se de si mesmo requer vontade e exercício permanente. Cabe a cada um de nós priorizar o que nos importa nesta existência!

domingo, 22 de agosto de 2010

Os sete saberes da educação e o Budismo!

O ano de 2010 marca os dez anos da publicação do livro de Edgar Morin, intitulado “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, edição da Editora Cortez com a UNESCO. Em setembro, na capital cearense, o próprio Morin e algumas dezenas de educadores, sob a chancela da UNESCO, estarão discutindo, de modo avaliativo, o que foi possível implementar na educação, tendo em vista os ‘sete saberes’, ou, ao menos, o que se discutiu no horizonte pedagógico ao longo de uma década. Os ‘sete saberes da educação’ iniciam-se com a ideia fundamental de que o conhecimento é circular. A não-circularidade do conhecimento sobre o conhecimento gera erro. Somos ‘máquinas’ de respostas imediatas e, muitas vezes, respostas essas sem fundamento e densidade. A educação, nesse sentido, deveria se assentar no cânone das indagações e menos na busca de respostas fáceis, o que induz fatalmente ao erro. Tendo em vista que é possível aproximar ’os sete saberes’ da educação dos princípios da doutrina budista, há nessa também uma preocupação em evitar o erro do caminho daquele que pretende evoluir (erro, em sânscrito, akutishiki, ou seja, aquilo que nos desvia do caminho correto). O segundo saber diz respeito ao problema da fragmentação. O mundo continua sendo percebido e conhecido por boa parte dos indivíduos como algo “fora” de nós e totalmente fragmentado! A ideia de conjunto, de totalidade, é o segundo saber, que permite vislumbrar os saberes globais, no qual estão inseridos os saberes locais. A totalidade, em algumas culturas orientais, é representada pelo número quatro. Não é à toa que a doutrina budista preconiza suas quatro verdades, que são, sinteticamente, as seguintes: a existência implica sofrimento; o sofrimento é consequência da ignorância e do desejo; a superação do sofrimento dá-se com a supressão da ignorância e do desejo; e, finalmente, há passos para suprimir a dor e o sofrimento de nossas vidas. Uma delas é a meditação, porque Buda não dissociava a conquista do conhecimento de uma determinada prática de meditação. A unidade e a diversidade da condição humana é o terceiro saber, que deveriam ser internalizadas, dialeticamente, pelos sujeitos que constituem a educação do futuro. No dia-a-dia da sala de aula, pouco se sabe sobre o que é unidade/diversidade dos fenômenos e o quanto a diversidade, especialmente, deve ser respeitada e ‘praticada’, a partir do exercício de alteridade. Pensar o destino comum do planeta: eis o quarto saber para a educação do futuro. Enquanto o conceito de “cuidado” e do “cuidado de si”, perdido lá na antiguidade clássica, não for resgatado em sala de aula, o lixo, para falar em algo bem simples e acessível, continuará sendo jogado de modo indiscriminado no chão. O “cuidado de si” é uma forma de estar atento ao que está sendo pensado e ao que se passa em nosso entorno. Evocando-se o “cuidado de si”, garante-se o cuidado com o Outro, com o planeta. É preciso ensinar os educandos acerca das “incertezas”, o quinto saber. Abordar a questão das incertezas, no âmbito da educação, no horizonte teórico e prático, é preparar a percepção de todos para os imprevistos e o inesperado. A educação para a impermanência, para a transitoriedade, para a efemeridade dos fenômenos, conecta-nos com a doutrina budista, novamente, para a qual a anitya, a impermanência, dá-se diariamente, no exercício mental e na experiência sensível, no sentido de promover o “desapego” das coisas materiais, de nos colocar no centro do tempo presente e de aceitar a transformação permanente desta vida (em sânscrito, maya, ou seja, ilusão). A educação só poderá ser pacífica e solidária quando o exercício de ‘autoconhecimento’ (em sânscrito, atmabodha), tão caro ao budismo, fizer parte do processo da construção de conhecimento. Como ser solidário com o Outro, como aceitar a diversidade e as diferenças, se a educação não proporcionar a compreensão e a vivência dos elementos constitutivos da própria humanidade e não oferecer meios para a autorreflexão? A compreensão solidária apresenta-se como o sexto saber, para Morin. No budismo, ser solidário, alegre e benevolente com o Outro faz parte da felicidade ‘absoluta’, aquela que vem de dentro para fora e não tem relação com o patrimônio material que cada um acumula nesta existência. Por fim, introduzindo o sétimo saber para uma educação futura, é preciso de uma nova ética, que dê conta desse conjunto de saberes. A ética da humanidade, da autonomia e da participação humana tem de ser forjada “nas mentes” dos educandos do século XXI, como afirma Edgar Morin. Transcender a autonomia individual é emancipar-se de uma condição, muitas vezes, passiva e que sinaliza um déficit de racionalidade, própria da ação comunicativa entre os indivíduos de nossa sociedade. Todos temos de participar da construção de uma nova “excelência” moral para este século, para o aqui e o agora!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Festival de Cinema de Gramado!

Todos os anos assisto à entrega dos Kikitos pela TVE do Estado, sempre em um sábado de agosto. Sou tarada por cinema! Quando posso, dou uma passada em Gramado, durante o festival. No ano passado, eu e Rafael estivemos defronte ao Palácio dos Festivais, desde cedo, na noite da premiação (não estava frio!), aguardando para ver de longe a tietagem da galera! Vimos o Marcos Palmeira de longe e vários jornalistas conhecidos. Tive o azar de aparecer, de relance, no Programa Pânico na TV, exatamente quando o Christian "Prior" (o pior deles!!!!) passou pela gente, com microfone na mão, à cata de uma celebridade. Várias pessoas de Santa Cruz assistiram ao programa com imagens editadas em Gramado! Sujei minha reputação para sempre (estou em pânico!). Parece que neste ano, fora o frisson que o longa de estreia "Bróder" causou, não percebi preferências ou destaques! O que eu gostaria mesmo de ter visto e ouvido é a entrega de um Kikito ao Pereio, pelo conjunto de seu trabalho como ator. Aquele cara é único: língua caústica, desaforado, já muito além do Bem e do Mal, do alto de seus 69 anos (idade afeita às suas peripécias!). Ele comentou sobre o filme "Eu te odeio", que já acumula horas de depoimentos dos desafetos de Pereio. Muita gente leu na imprensa e não entendeu se é verdade ou mentira o tal do filme, que parodia o "Eu te amo", do Jabor, da época em que eu era menina, entrante na universidade. Vamos aguardar para ver o que a premiação reservará de frases feitas, falas clichês, um sobe-e-desce recursivo de alguns premiados, desfile de peles anti-ecológicas, os mesmos agradecimentos de sempre aos escassos recursos destinados à criação cinematográfica no Brasil, etc. a mesmice de sempre. De qualquer modo, não pude assistir à cobertura da TVE ao vivo. O que resta esperar é ler o último número da revista de Cinema, "Teorema", da qual um de seus mentores e crítico de cinema é o nosso Marcus Mello, natural de Santa Cruz do Sul, o Marquinhos, cara inteligente, bem-articulado e que luta pela manutenção dessa revista entre cinéfilos e simpatizantes do cinema!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Vírus!

Hoje, dia 8 de agosto, volto a postar em meu blog de minha máquina doméstica. Ela estava há cerca de 20 dias adoentada, por força da ação de vírus malignos que a contaminaram! Que coisa louca que são as novas tecnologias da comunicação! Vírus era, há anos atrás, uma abstração para mim. Após, no entanto, vários problemas causados pela ação nefasta de arquivos contaminados por vírus, não sei, confesso, como contaminaram meu micro (não abro mais arquivo algum, a não ser de amigos e com ressalva!). Um abraço a todos!