sábado, 31 de dezembro de 2011

A PRECOCE MORTE DE DANIEL PIZA

Oi, amigos!

Li hoje na WEB e no Face que o Daniel Piza morreu de AVC ontem à noite, em uma cidadezinha do interior de MG, onde passava as festas de final de ano com a família.
Eu o lia desde o início de sua carreira, naqueles anos que era colunista da Folha de São Paulo. Depois, seguiu percurso no Estadão, jornal no qual o meu próprio falecido pai trabalhou durante muitos anos, inclusive no Jornal da Tarde.
Fiquei chocada e triste, pois ele teve um AVC e não se salvou!
Lembro-me de tantas das suas crônicas, de seus comentários inteligentes sobre futebol, mas especialmente da biografia magistral que escreveu de Machado de Assis.
Minhas condolências à família que fica e ao jornalismo brasileiro enlutado, que perdeu um jornalista brilhante e responsável, além de um intelctual de estirpe.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DE FÉRIAS NO RIO DE JANEIRO

Olá, amigos!

Estou de férias no RJ.
Vou deixar para postar comentários na primeira semana de janeiro de 2012, quando comentarei o primeiro volume das conferências de Foucault no Collège de France (1982-1983), especilamente o conceito de veridicção filosófica.

Abraço a todos e um ano repleto de realizações!

sábado, 3 de dezembro de 2011

PRÊMIO A NICANOR PARRA

Sexta, dia 1º de dezembro, o Prêmio Cervantes 2011, a mais importante honraria concedida à produção literária em Língua Espanhola, foi outorgada a Nicanor Parra, grande poeta chileno.
Parabéns a todos os poetas chilenos e à láurea concedida a Parra.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SOBRE A AUTOEXPOSIÇÃO NA FILOSOFIA, NA LITERATURA E NAS REDES SOCIAIS

Lendo os "Ensaios de Amor", de Alain de Botton, ocorreu-me refletir se o que ele narra em primeira pessoa, efetivamente, é a sua vida, parte de sua vida ou alguns elementos autobiográficos tratados como ficção.
Com a 'pulga atrás da orelha', li no Caderno de Cultura da Zero Hora de sábado passado, o artigo mensal do Fisher (docente de Literatura Brasileira da UFRGS). A reflexão que ele faz é iniciada pela autoexposição nas redes sociais e, após, ele migra para o campo literário.
O fato é que o que me intriga é que o Alain de Botton é um filósofo, comprometido com o mundo da vida, com a Filosofia aplicada 'à vida', a ponto de ter fundado uma escola em Londres denominada de Escola da Vida. Filósofos autoexpõem-se, sim, prova é o 'Discurso do Método', de Descartes, escrito inclusive, de modo sui generis, em primeira pessoa, algo extraordinário para sua época. Todavia, temos de nos lembrar que ele era avesso à erudição livresca de seus pares; portanto, contava com o fato de que, na primeira pessoa, comentando detalhes de sua rotina, conseguiria fazer com os que possuíam um livre exercício racional o compreendessem.
Nietzsche, dois séculos após, vai desfilar no campo filosófico com o seu "por que sou tão sagaz", no "Ecce Homo", por exemplo, uma das pérolas de sua escrita autobiográfica.
Na Literatura, Fisher toma como modelo exemplar o livro premiado de Cristóvão Tezza, "O Filho Eterno", em que em que dá um tratamento ficcional à descrição dos elementos autobiográficos. Fisher, assim, vai denominar esse fenômeno de "autoficcção" literária, algo ainda muito novo, que não vi tocado nas páginas dos cronistas e teóricos auriverdes.
Nas redes sociais, não é preciso comentar, né? Penso que todos os que mantêm, com um certo esforço e parcimônia, seus posts em blogs, Twitter e Facebook sabem que é preciso ter bom senso: 'filtrar' é o que mais se faz nesse segmento.
Estou cada vez mais com menos 'amigos' no Facebook, porque minha praia não é colecionar 'amigos', mas, sim, ser capaz de regozijar-me com comentários consistentes, sejam apenas informativos, poéticos ou filosóficos, fora o fato de que também aprecio postar e ler os comentários depois.
Meu critério de descarte agora é 'emissão de bobagens", reiteradamente. Rolou bobagem, tchau!
Cuidado, tá! Hahahahah

domingo, 27 de novembro de 2011

100 ANOS DO SUICÍDIO DE LAFARGUE

Não saiu nada na imprensa! Lamentável! 26 de novembro de 2011 é o dia em que Paul Lafargue, autor do formidável "Direito à Preguiça", e sua esposa Laura Marx, filho do Karl, se suicidaram em Paris.
Tentamos publicar algo, eu e Rafael, na ZH, mas não deu em nada.

Abraço a todos!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

200 ANOS DO SUICÍDIO DE VON KLEIST

No Brasil, quase que passou em branco, mas na Alemanha, desde fevereiro, quando estive lá, os alemães já celebravam a efeméride dos dois séculos de morte de Heinrich von Kleist. O poeta e dramaturgo, bem como sua amada, suicidaram-se às margens do Lago Kleiner Wannsee, pertinho de Berlin.
Há, em toda a Alemanha, montagens e leituras de peças teatrais de Kleist, que constituem as comemorações do bicentenário de morte do dramaturgo.
Recomendo aos meus alunos a leitura do texto "Teatro de marionetes".
No sábado, outra efeméride: 100 anos de morte de Paul Lafargue e sua esposa, filha de Marx, Laura. Aguardem!

domingo, 13 de novembro de 2011

2011: ANO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE EMIL CIORAN

Parece mentira, mas passou quase que despercebido o aniversário de 100 anos de nascimento do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995) no Brasil. Entendo que sua obra é quase desconhecida no país, não há traduções esparsas que a introduzissem, como uma totalidade, na inteligentsia nacional, mas, ao menos, saiu uma coletânea de pesquisadores e docentes universitários para celebrar a efeméride.
Trata-se do volume, publicado pela Sulina, de Porto Alegre, e organizado pelo Prof. Deyve Redyson, da Universidade Federal da Paraíba, em uma iniciativa louvável. Cioran é um continuador contemporâneo da obra metafísica de Schopenhauer e de Nietzsche, mais contundente e radical ainda, eu diria, em uma sociedade de bestialidade e autoajuda, de perda de sentido, de individualismo exacerbado e de males avassaladores como a depressão, escreve não por autoterapia, mas para se manter vivo e apaziguar seus demônios.
Trágico, fez de sua existência um testemunho vivo do inferno que pode ser a vida, com obras que, em Português, foram traduzidas como "Do inconveniente de se ter nascido" ou "Nos altos (ou cumes) do desespero".
Vale a pena conferir!
Abraço a todos!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

MAIS UMA BABAQUICE DO FACEBOOK

Li, hoje, em um blog de um porta amigo que as pessoas começaram nesta semana a divulgarem algo, em suas páginas, referente a viver em um outro lugar. Eu deletei a minha página, por questões pessoais, que não vêm ao caso, mas foi pertinente e em tempo, pelo jeito.
Li depois comentários sobre amigos que adotaram o "Vou morar tanto tempo em_____" ou que respondem à babaquice como "Parabéns" ou "Muito massa", para alguém que, é notório, não teria condições de viver fora do país.
Olha, esta foi demais para o meu gosto!

É quase final de ano e o tempo urge!

Comentem, please! Abraço a todos!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA INFANTIL NO FACEBOOK: FALSIDADE OU ALTERIDADE?

Desde o início do mês, observei que vários de meus amigos no Facebook começaram a retirar suas fotos de seus avatares e substituí-las por um personagem do Cartoon, de desenhos animados, em seus lugares. Isso deixou-me intrigada, porque ainda não sabia a que se devia.

Indaguei alguns de meus alunos, amigos e até minha filha. Qual não foi a minha surpresa, quase todos sinalizaram que era por conta do Dia da Criança, a ser comemorado no Brasil no mesmo dia do feriado religioso de Nossa Senhora Aparecida.

Fui atrás e li tudo o que encontrei em links dos grandes jornais brasileiros. A troca de fotos pessoais dos avatares por personagens de desenhos animados é mundial e faz parte de uma campanha contra a pedofilia e todas as formas de violência contra as crianças. Muito bem! Todavia, não encontrei o nome do mentor ou sequer da ONG ou da instituição que teria deflagrado a campanha no Facebook e no Twitter.

Isso denota, mais uma vez, o caráter mimético das redes sociais. Em outras palavras, as pessoas copiam, deliberadamente, o que as outras fazem, além dos recursos que utilizam, sem ao menos estarem informadas do que está por detrás de determinada expressão ou comportamento virtual.

Fico muito preocupada com isso e, para polemizar, escrevi em minha página do FB que eu considerava esta mudança de fotos por personagens algo falso e que, ademais, eu estaria cansada da ignorância generalizada. Levei pau, é claro! A maior parte de amigos, alunos e ex-alunos, pasmem, argumentou que era bonitinho, que era um resgate do espírito infantil e que tudo aquilo estava ocorrendo em função do Dia da Criança, em 12 de outubro.

Se a campanha é mundial e iniciou-se no exterior, o Dia da Criança em outros países, se existe, certamente é comemorado em um outro dia do ano. Assim, o argumento do povoamento do FB com carinhas do Cartoon, em função do tal dia, não procederia fora do Brasil.

Vou providenciar algo no FB, de modo forjado, para avaliar a aderência e a rapidez da mudança do comportamento dos usuários, com o slogan de uma suposta campanha, assim: “I-mito”, em referência burlesca ao “Ipad” e ao “Ipod”. Vamos ver no que vai dar...

domingo, 2 de outubro de 2011

AUSÊNCIA DO EGO

(Do livro One Taste, de Ken Wilber)

Tradução de Ari Raynsford

Justamente porque o ego, a alma e o Eu (Self) podem estar presentes ao mesmo tempo, não será difícil entender o sentido verdadeiro de “ausência do ego”[1] – expressão que tem causado imensa confusão. Ausência do ego não significa a ausência de um eu (self) funcional (o que seria próprio de um psicótico e não de um sábio); significa que não estamos mais exclusivamente identificados com aquele eu.

Um dos muitos motivos de não sabermos lidar com a noção de “ausência do ego” é que desejamos que nossos “sábios sem ego” satisfaçam às nossas fantasias relativas a “santidade” ou “espiritualidade”, o que, habitualmente, significa que essas pessoas estejam mortas do pescoço para baixo, livres das vontades ou desejos da carne, eternamente sorridentes. Desejamos que esses santos não passem por todas as coisas que nos incomodam – dinheiro, comida, sexo, relacionamentos, desejos. “Sábios sem ego” estão “acima de tudo isso” – assim desejamos. Queremos cabeças que falem. Acreditamos que a religião bastará para livrá-los de todos os instintos básicos, de todas as formas de relacionamento, considerando a religião, não como orientação para viver a vida com entusiasmo, mas, sim, como guia para evitá-la, reprimi-la, negá-la, fugir dela.

Em outras palavras, o homem típico espera que o sábio espiritual seja “menos que uma pessoa”, de alguma forma liberto dos impulsos confusos, difusos, complexos, pulsantes, compulsivos, que guiam a maior parte dos seres humanos. Esperamos que nossos sábios sejam a ausência de tudo o que nos impulsiona. Queremos que não sejam sequer tocados por todas as coisas que nos atemorizam, que nos confundem, que nos atormentam, que nos atordoam. É a essa ausência, a essa falta, a esse “menos que uma pessoa” que, frequentemente, chamamos “sem ego”.

ntretanto, “sem ego” não significa “menos que uma pessoa”; significa “mais que uma pessoa”. Não pessoa menos, mas pessoa mais – isto é, todas as qualidades normais da pessoa mais algumas transpessoais. Pensemos nos grandes iogues, santos e sábios – de Moisés a Cristo, a Padmasambhava. Não foram desfibrados maneirosos, mas dinâmicos e instigantes – desde o episódio dos vendilhões do Templo até a imposição de novos rumos a nações inteiras. Lidaram com o mundo em seus próprios termos, não em termos de uma piedade melosa; muitos deles provocaram revoluções sociais significativas, que se estenderam por milhares de anos. E assim fizeram, não porque tivessem evitado as dimensões físicas, emocionais e mentais da humanidade, e o ego, que é o veículo de todas elas, mas porque as assumiram com tal garra e intensidade que sacudiram as próprias fundações do mundo. Indiscutivelmente, estavam também intimamente ligados com a alma (o psiquismo mais profundo) e o espírito (o Eu informe) – fonte última de sua força – mas expressaram essa força e tiraram dela resultados concretos, exatamente porque assumiram, decididamente, as dimensões menores através das quais ela poderia expressar-se de modo a ser sentida por todas as pessoas.

Esses grandes mobilizadores e agentes de mudança não foram egos pequenos; foram, na mais completa acepção do termo, grandes egos, justamente porque o ego (veículo funcional do domínio da mente) pode existir e de fato existe com a alma (veículo do sutil) e o Eu (veículo do causal). Na mesma medida em que esses grandes mestres mobilizaram o domínio da mente, eles mobilizaram o próprio ego, porque o ego é o veículo desse reino. Entretanto, não se identificavam meramente com seu ego (isso seria narcisismo); simplesmente perceberam seu ego conectado a uma fonte Kósmica[2] radiante. Os grandes iogues, santos e sábios conseguiram tanto, exatamente porque não foram tímidos bajuladores, mas grandes egos ligados ao seu Eu superior, animados pelo puro Atman (o puro Eu – eu[3]) que é um com Brahman; abriram a boca e o mundo estremeceu, caiu de joelhos e pôde ver face a face o Deus radioso.

Santa Teresa não foi uma grande contemplativa? Sim, e Santa Teresa foi a única mulher que reformou uma tradição monástica inteira (pensemos nisso). Gautama Buda sacudiu a Índia nos seus fundamentos. Rumi, Plotino, Bodhidharma, Lady Tsogyal, Lao Tsé, Platão, o Baal Shem Tov – estes homens e mulheres deram início a revoluções no mundo que duraram centenas, às vezes milhares de anos – coisa que nem Marx, nem Lenin, nem Locke, nem Jefferson, poderiam afirmar ter conseguido. E não agiram assim porque estivessem mortos do pescoço para baixo. Não, eles eram fantasticamente, divinamente grandes egos, ligados profundamente ao psíquico, que estava diretamente ligado a Deus.

Existe certa verdade na noção do transcender o ego: não significa destruir o ego, mas, sim, conectá-lo a alguma coisa maior. Como afirma Nagarjuna[4], no mundo relativo, atman[5] é real; no absoluto nem atman nem anatman[6] são reais. Assim, em nenhum caso annatta[7] corresponde a uma descrição correta da realidade. O pequeno ego não se evapora; permanece como o centro funcional da atividade no domínio convencional. Como eu disse, perder esse ego significa tornar-se um psicótico, não um sábio.

“Transcender o ego”, significa, pois, em verdade, transcender mas incluir o ego num envolvimento mais profundo e mais elevado, primeiro na alma ou psiquismo mais profundo, depois na Testemunha ou Eu superior e, então, após a absorção nos níveis precedentes, envolver-se, incluir-se e abraçar-se na radiância do Um Sabor.[8] E isto não significa, portanto, “livrar-se” do pequeno ego, mas, ao contrário, habitar nele plenamente, vivê-lo com entusiasmo, usá-lo como veículo necessário, através do qual as grandes verdades podem ser transmitidas. Alma e espírito incluem o corpo, as emoções e a mente; não os eliminam.

Grosseiramente, podemos dizer que o ego não é uma obstrução ao Espírito, mas uma radiosa manifestação do Espírito. Todas as Formas não são senão o Vazio, inclusive a forma do próprio ego. Não é necessário livrar-se do ego, mas, simplesmente, vivê-lo com certa intensidade. Quando a identificação transborda do ego no Kosmos em geral, o ego descobre que o Atman individual é, de fato, da mesma espécie de Brahman. O Eu superior não é, em verdade, um pequeno ego, e, assim, no caso de estarmos presos ao nosso pequeno ego, a morte e a transcendência são necessárias. Os narcisistas são, simplesmente, pessoas cujos egos não são ainda suficientemente grandes para abraçar o Kosmos inteiro e, para compensar, tentam tornar-se o próprio centro do Kosmos.

Não queremos que nossos sábios tenham grandes egos; sequer desejamos que exibam qualquer característica evidente. Sempre que um sábio se mostra humano – a respeito de dinheiro, comida, sexo, relacionamentos – sentimo-nos chocados, porque estamos planejando fugir inteiramente da vida, e o sábio que vive a vida nos ofende. Queremos estar fora, queremos ascender, queremos escapar, e o sábio que assume a vida com prazer, vive-a totalmente, pega cada onda da vida e surfa nela até o fim – nos perturba e nos assusta intensamente, profundamente, porque significa que nós, também, deveríamos assumir a vida com prazer, em todos os níveis, e não simplesmente fugir dela numa nuvem etérea, luminosa. Não queremos que nossos sábios tenham corpo, ego, impulsos, vitalidade, sexo, dinheiro, relacionamentos ou vida, porque essas são coisas que habitualmente nos torturam e queremos vê-las longe de nós. Não queremos surfar as ondas da vida, queremos que as ondas desapareçam. Queremos uma espiritualidade feita de fumaça.

O sábio completo, o sábio não-dual está aqui para mostrar-nos o contrário. Geralmente conhecidos como “tântricos”, estes sábios insistem em transcender a vida, vivendo-a. Insistem em procurar libertação no envolvimento, encontrando o nirvana no meio do samsara[9], encontrando a liberação total pela completa imersão. Passam com consciência pelos nove círculos do inferno, certos de que em nenhum outro lugar encontrarão os nove círculos do céu. Nada lhes é estranho porque nada existe que não seja Um Sabor.

Na verdade, o segredo consiste em estar inteiramente à vontade no corpo e com seus desejos, com a mente e suas idéias, com o espírito e sua luz. Assumi-los inteiramente, plenamente, simultaneamente, uma vez que todos são igualmente manifestações do Um e Único Sabor. Vivenciar a paixão e vê-la funcionar; penetrar nas idéias e acompanhar seu brilho; ser absorvido pelo Espírito e despertar para a glória que o tempo esqueceu de nomear. Corpo, mente e espírito, totalmente contidos, igualmente contidos, na consciência eterna que é a essência de todo o espetáculo.

Na quietude da noite, a Deusa sussurra. Na luminosidade do dia, Deus amado brada. A vida pulsa, a mente imagina, as emoções ondulam, os pensamentos vagam. O que são todas estas coisas senão movimentos sem fim do Um Sabor, eternamente jogando com suas próprias manifestações, sussurrando mansamente a quem quiser ouvir: isto não é você mesmo? Quando o trovão ruge, você não ouve o seu Eu? Quando irrompe o raio, você não vê o seu Eu? Quando as nuvens deslizam mansamente no céu, não é o seu próprio Ser ilimitado que está acenando para você?

(texto de Wilber enviado por Sambodh Naseeb, o nome em sânscrito de meu aluno Nathaniel Piva)

[1] No original egolessness. (N. T.)

[2] Kósmica – de Kosmos. Wilber reapresenta esta palavra em seu livro Sex, Ecology, Spirituality com a seguinte observação: “Os Pitagóricos introduziram a palavra Kosmos que, normalmente, traduzimos como ‘cosmos’. Mas o significado original de Kosmos era a natureza de padrões ou de processos de todos os domínios da existência, da matéria para a matemática para o divino, e não simplesmente o universo físico, que é o significado usual das palavras ‘cosmos’ e ‘universo’ hoje... O Kosmos contém o cosmos (ou fisiosfera), bio (ou biosfera), noo (ou noosfera) e teo (teosfera ou domínio divino)...” (N. T.)

[3] Sri Ramana Maharshi frequentemente refere-se ao Self pelo nome “Eu – eu”, uma vez que o Self é a autêntica Testemunha do eu. (N. T.)

[4] Filósofo budista do Sec. II D.C., criador do Escola Madhyamika. (N. T.)

[5] No Advaita Vedanta, atman é o princípio interior de todos os seres, idêntico a Brahman, o Ser Universal que se desdobra em infinitas individualidades, as quais aparecem e desaparecem no plano dos fenômenos (ou maya), sob o ciclo do samsara (reencarnações), que, por sua vez, é efeito do karma (ação e reação). A identidade Atman/Brahman é expressa nos Upanishads na famosa expressão Tat Tvam Asi - Vós sois Isso. (N. T.)

[6] No Budismo, anatman é a negação de qualquer substrato último ou permanente no Universo. (N. T.)

[7] A polaridade atman/anatman. (N. T.)

[8] No original, One Taste – o estado de visão não-dual ou consciência da unidade. (N. T.)

[9] O ciclo contínuo de nascimento e morte. (N. T.)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

VIAGEM A BH E A OURO PRETO

Voltei, amigos! Estive em um seminário nacional de extensão, no qual meu artigo, com minha ex-bolsista de extensão, foi aprovado. Apresentamos nossos resultados das histórias de vida de apenadas do Presídio Regional de SCS. Foi muito interessante e houve vários comentários e perguntas da plateia.
Depois do seminário, no sábado, eu e Rafael estivemos em Ouro Preto. Eu já estive lá duas vezes, mas desta vez foi diferente por eu estar com o meu namorado, futuro historiador. Além do clima romântico da cidadezinha, que já conta com 311 anos de fundação, foi importante ouvir os comentários do Rafael sobre Tiradentes e a Inconfidência Mineira.
Por acaso, fomos parar em uma mina de ouro desativada, de 293 anos, com um guia local. Foi uma caminhada rápida, por uma brecha em uma caverna, explorada pelos negros mineiros, que eram trazidos como escravos para o trabalho extrativista de Ouro Preto. Eles sabiam como encontrar ouro, junto ao quartzo, pela salivação de pequenas amostras de terra das paredes da caverna. Duravam de cinco a sete anos; depois, morriam com os pulmões petrificados.
Tristes as histórias das 'minas gerais', que animalizavam homens africanos para encher os cofres da Coroa Portuguesa.
Não falei do Tiradentes, mas, para constar, ele era o menos posicionado do grupo, social e economicamente, tirado para 'bode expiatório' entre os burgueses inconfidentes. Acabou como mártir, porque a República precisava de um; como traidor, porque a Coroa Portuguesa necessitava de um, que sofresse as consequências da pena.
É isso! Abraço a todos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O DESFAZER-SE DO AMOR



O amor é um animal
desprevenido, ressentido e precipitado:
uma teia que se desfia pouco a pouco...
que quer se esquecer daquilo que machuca, que machucou,
sem perceber que o que machuca/machucou é o que salva o animal!

- Guardemos silêncio, amigos, para que possamos ouvi-lo, tragicamente,
desfazer-se!

Rô Candeloro - em 12 de setembro de 2011, às 19h, depois de as 'torres' caíram!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

RÉQUIEM PARA OS DEZ ANOS DAS TORRES GÊMEAS

Em 2001, estive nos EUA pela primeira vez, para acompanhar a Prof. Marília Ramos, amiga pessoal e, na época, minha colega na UNISC, na fase final de sua tese de doutorado em Gerontologia, na Purdue University, em Lafayette, Indiana. Antes de encontrar-me com ela, planejei ficar uma semana em NY, no meu aniversário de 40 anos.

Passei com uma outra amiga, que me acompanhava neste trecho, dias aprazíveis de calor, caminhando muito pelas avenidas retas de Manhattan, visitando museus, centros de cultura e livrarias, o Central Park e as ruas do Soho e do Village. Em duas oportunidades, chegamos ao Finantial Center de metrô e saímos pela estação do World Trade Center, acessando um shopping Center, antes de atingir a rua.

Minha esperança era a de que, desembarcando nessa estação, eu conseguisse comprar os ingressos que eu desejava para um espetáculo da Broadway, que também eram vendidos no mezzanino de uma das torres do WTC. Todavia, as filas para compra eram enormes e isso me desmobilizou para o teatro.

Dali do centro, fomos para o Brooklyn, bairro que concentra estúdios, ateliês e galerias. Fiz fotos da Brooklyn Bridge com uma câmera de rolo. Tenho ainda as fotos reveladas que segurei nas mãos, atônita, ao acompanhar as primeiras imagens da cobertura da TV americana, quando a primeira torre havia sido alvejada por um avião.

Estive lá exatamente dois meses antes da tragédia, em julho de 2001, resultante do ataque da Al-Qaeda às torres gêmeas do WTC, que as pulverizou, exterminando 3000 seres humanos e reiteirando o adágio de Hobbes: homo homini lúpus (“o homem é o lobo do homem”). Neste final semana, comentários islamofóbicos serão enunciados no planeta, as teorias conspiratórias continuarão sendo debatidas, os resultados das investigações do atentado continuarão sendo questionadas e a dor de milhões será, novamente, devassada.

Fukuyama errou! Obama está aí, perdendo pontos nas estatísticas, mas com uma certa vantagem pela morte de Osama Bin Laden e o consequente desmantelamento da rede terrorista Al-Qaeda. Menos ufanismo e alienação é o que eu espero nesta efeméride.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

THIAGO DE MELLO: RARO PROSADOR DA FLORESTA

Estive na terça (que estava cinzenta, mas que se transformou em uma linda noite estrelada e com Lua) no auditório da UNISC para ver e ouvir o poeta Amadeo Thiago de Mello, conhecido como Thiago de Mello. Ser humano raro e cheio de luz, ele se apresentou a um imenso público, que lotara as dependências da UNISC.

De saída, expressou seu libelo contra a degradação imoral que assola a Amazônia, avilta sua população ribeirinha, exaure seus recursos naturais e compromete sua fauna e flora. Sua primeira declamação poética terminou com o chamamento que exortava: “o que importa é trabalhar/na mudança daquilo que precisa mudar”.

Depois desse preâmbulo em que poeta e ativista político tornaram-se indissociáveis, contou ao público sobre sua vida, suas viagens, seus percalços, do exílio, da prisão. Destacou com veemência o papel que a leitura e a educação formal tiveram em sua trajetória e enalteceu a figura de sua primeira professora, que lhe deixou o legado da literatura. Por fim, ressaltou que “um país que não lê está condenado a ser dominado”.

O que admiro em Thiago de Mello é muito mais a persona, seu ‘estatuto de homem’, que esbanja juventude e alvorada, menos a matéria poética que, para mim, soa muito mais como prosa poética, menos como rigorosa poesia. Aprecio mais a causa nobre, o engajamento, a fala política, o talento para a sinergia com o público, menos o ritmo, a musicalidade, as propriedades da linguagem.

Seus pendores para a tradução são pouco conhecidos no Brasil. Sabedora de que Thiago de Mello verteu alguns poemas de Hölderlin para o Português, como “Ode do pão e do vinho”, imagino o quanto a poética e a biografia emblemática do escritor alemão tenha impressionado sua alma, como, por exemplo, a louca caminhada que Hölderlin empreendeu entre a frança e a Alemanha, no início do século XIX, fustigado pela imagem de sua amada, recentemente falecida, Diotima.

Talvez haja um núcleo trágico na poesia de Thiago de Mello, inspirada na concepção dos românticos alemães, que permite ao poeta amazonense contrapor o futuro sombrio e perverso da Amazônia – e de nosso planeta como um todo -, a um mundo solar e harmônico de outrora, que ainda sobrevive em seu interior.

domingo, 28 de agosto de 2011

RELENDO MARX

Por conta de estudos para uma disciplina de História da Filosofia Contemporânea I, tive de retomar algumas leituras de Marx e Engels. O "retomar" deve-se ao fato de que tive uma formação marxiana nos tempos de acadêmica da UFRGS e, embora a carreira fosse de Filosofia, houve três disciplinas em que tivemos de estudar "O Capital", "Elementos para a Crítica da Economia Política" e "Os manuscritos econômico-filosóficos".
Esse último, de 1844, instaura a primeira abordagem de Marx acerca do caráter ontológico do trabalho, objetivação primária do ser social (e 'prático', predicado mais adiante). Só que o estágio teleológico do trabalho, nos moldes capitalistas em que vivemos, é o trabalho 'assalariado', que avilta e aliena o homem. Assim, a atividade produtiva é um elemento ontológico da constituição do ser social e isso se opõe às concepções vigentes, na época, da economia política.
A práxis é compreendida por Marx como o conjunto das objetivações que o sujeito deve exercer enquanto ser social. Portanto, é no horizonte da práxis que a alienação será estudada por ele, como uma instância da esfera prático-social.
Na leitura dos "Manuscritos...", os processos alienantes nos indivíduos são analisados, ainda que seus comentadores o considerem insuficiente em sua análise de 1844.
Pensar que ele estava em Paris, gestando esse livro; Feuerbach já era um homem idoso; ao mesmo tempo em que Nietzsche nascia nesse ano, em Rocken, na Alemanha; Hegel já havia falecido de cólera, enquanto Schopenhauer articulava o seu "Parerga e Paralipomena", já no final de sua carreira...
A simultaneidade de eventos intelectuais em um mesmo lapso temporal, desde jovem, deixava-me perplexa, não obstante o fato de que alguns deles sequer se conheceram e leram os escritos uns dos outros.
Fica aí o meu comentário e o destaque para a relevância de se resgatar o núcleo fundamental da obra de Marx, o que trata menos dos aspectos econômicos e mais de elementos filosóficos, antropológicos e sociais. Esse conteúdo não se tornou anacrônico com o fim do regime comunista. Muito pelo contrário: no estágio do capitalismo em que nos encontramos, ler o que Marx escreveu acerca do princípio do individualismo pode ser uma lição surpreendente e atual!
Deixo-lhes uma dica de leitura: o livro intitulado "Grundisse", que saiu em Português novamente em uma edição caprichada!


domingo, 21 de agosto de 2011

COLEÇÃO DE CINEMA DA FOLHA DE SP

Oi, amigos! Vocês já viram as lista de filmes, no formato DVD, que a Folha de SP começou a vender em bancas? Já comprei os três primeiros em POA. Aqui em SCS só a banca do centro tem e em número reduzido. O título do DVD é semanal!

Para os que apreciam cinema, entrou em cartaz, no cineninha do shopping Marco do Imigranthe, o último filme de Woody Allen, o "À meia-noite em Paris". Confiram!

Abraços a todos!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SOBRE OS FILMES 'MELANCOLIA' E 'A ÁRVORE DA VIDA'

Neste final de semana, fomos a Porto Alegre obsessivos para assistir ao premiado no Festival de Cannes 2011, "A árvore da vida", de Terrence Malick, e ao "Melancolia", do polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier, através do qual a atriz norte-americana Kirsten Dunst foi laureada com o prêmio de Melhor Atriz na mesma competição.
Assistimos primeiro, para otimizar nosso tempo dentro do Bourbon Country, ao "Melancolia", do diretor dinamarquês já mencionado. Duas horas e meia após o final do primeiro longa, entramos na sessão do "A árvore da vida", do diretor norte-americano.
Bem, eles têm uma fotografia exuberante, truques de "slow motion", uma trilha focada na música erudita e, não raras vezes, as mesmas imagens da Mãe Terra e do Sistema Solar; por isso, tive uma impressão estranha, quando estava na segunda sessão, de ainda estar assistindo ao filme da primeira.
O "Melancolia" é o nome de batismo de um planeta que está na rota de colisão com a Terra. Portanto, parece um filme 'catastrófico' e poderia também ter iniciado com uma epígrafe retirada da Bíblia, como, por exemplo, do Livro das Lamentações. O segundo longa, "A árvore da vida, tem como epígrafe o Livro de Jó: 38-4: "Onde estavas quando lancei os fundamentos da Terra?". Quem já leu a Bíblia como poesia sabe que no Livro de Jó prova-se que Deus não é o causador do sofrimento da humanidade, nem das doenças e das mortes. Mesmo os fieis que foram assolados com provações precisam continuar a orar, precisam continuar em conexão com Jeová, para que Satanás seja destruído, segundo a essência desse texto bíblico.
Assim, as constantes indagações que o primogênito faz (Sean Penn, na vida adulta), como se fossem pensamentos elevados, enunciados em voz alta ("Por quê?") constroem a atmosfera do filme; no Livro de Jó, Satanás é personagem coadjuvante, mas tem dimensão ontológica. No "Árvore da Vida", vemos o filho primogênito em conflitos internos por ser mau com o irmãozinho mais novo e rezar todas as noites para o Deus salvador afastá-lo da mentira e das más atitudes.
Se eu pudesse indicar dois filósofos para uma melhor compreensão desses dois filmes, eu associaria "Melancolia" ao adágio schopenhaueriano de que "a vida não passa de um oscilar entre a dor e o tédio"; ao segundo filme, a leitura da obra de Nietzsche lhe seria compatível, na medida em que a essência do longa é a afirmação do sublime, do querer-viver e da perseverança: a capitulação do Mal.
Para quem os degustou, talvez, impropriamente em uma mesma tarde, como eu e Rafael, não resta nada mais que encerrar este humilde comentário com a conclusão de que um "déja vu" acometeu-me na sessão de um e de outro. O inexorável dualismo representado pelos binômios da negação/afirmação da vida, do Bem/Mal e do pessimismo/otimismo também se fizeram presentes na degustação dos mesmos. Não posso deixar de mencionar também que me lembrei do 'osso', que voa em "slow motion" na cena inicial do "2001, uma Odisseia do Espaço", de Stanley Kubrick, além dos documentários da década de 80, "Koyaanisqatsi" e "Powaqqatsi", que revelaram a "vida em transição",no planeta Terra, ambos do diretor Godfrey Reggio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SHOWS DA OKTOBERFEST EM OUTUBRO

É difícil de acreditar, mas a Oktoberfest deu uma virada! Os shows foram confirmados nesta semana e teremos, ao menos no segmento rock/pop nacional, a banda Charlie Brown. Parabéns aos meus amigos Tuta e Naira, que participaram da composição do 'line up'. Iremos ao Charlie Brown de camarote. Valeu!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

UM POEMA DE DESPEDIDA

"Einst sah ich viele Blumen Blühen
An meinem Weg; jedoch zu faul,
Mich pflückend nieder zu bemühen,
Ritt ich vorbery auf stolzen Gaul.

(...)

Mein Trost ist: Lethes Wasser haben
Noch jetzt verloren nicht die Macht,
Das dummer Menschenharz zu laben
Mit des Vergessens süsser Nacht."

(Heine, em 1853-1854)

Tradução de André Vallias

"Pelo caminho eu via outrora
Flores em grande profusão
Mas, indolente, eu ia embora
Sem nunca me agachar no chão.

(...)

Resta-me um único consolo:
Que o Rio de Letes dê alento
Ao coração de um homem tolo
Nas águas vãs do esquecimento!"

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre o longa "Black Swan"

Meu comentário pode parecer anacrônico, uma vez que Natalie Portman foi laureada com um Oscar de Melhor Atriz lá no longínquo mês de fevereiro deste ano. O longa entrou em cartaz, saiu e eu o perdi em Porto Alegre, por privilegiar outros. Mesmo assim, por necessidade de organizar algumas ideias e impressões sobre o filme, a que assisti ontem à noite - e considerando que não pude contar com observações de outrem -, vai aí o meu texto.
O filme de Darren Aronfsky é intenso e tem um ritmo de deixar qualquer um angustiado (já o conhecia de "Py" e do mais recente, porém menos apreciado por mim, "O lutador"). Fiquei assim ontem e comentei passagens mais do que deveria, confesso! Só não roí minhas unhas porque estão muito bem-aparadas e esmaltadas (garantia de não roê-las!). Fiquei emaranhada com o filme já na cena inicial: Natalie Portman solando.
Mais adiante, percebi Barbara Hershey (totalmente repuxada! Parece o Mickey Rourke de saias), que nunca mais a tinha visto no cinema, no papel de mãe da bailarina perturbada emocionalmente. Eu lembro-me dela no longa "Shy People", pelo qual ela foi agraciada com um prêmio de Melhor Atriz em Cannes, no final da década de 80.
Voltando à narrativa, esse é o tipo de filme que evoca uma questão antiga tão discutida na área das Artes e das Letras, que é quando o autor/artista encarna a própria obra.
Mais do que ficar discutindo se ela é psicótica, se se autoflagela ou quais são os limites de realidade e não-realidade da personagem, o que ocorre quando um artista torna-se a própria obra de arte? Pensei em Van Gogh, Artaud, Paul Celan, von Kleist. Todos viveram pela sua Arte, a inocularam e, por Ela, abandonaram a vida.
O filme é um autêntico exemplar do "abyssus abyssum invocat", do abismo que invoca o próprio abismo, porque a personagem se autossupera, ao final, após fortes cenas entrópicas, e com isso dissolui-se. Hegel estuda o fenômeno do gênio, em seus 'Cursos de Estética', e afirma que a arte que atinge a perfeição e o ideal, se autodissolve, referindo-se, especificamente, à poesia.
A 'arte como saída da própria arte', eis o adágio parafraseado de Hegel por Darren Aronfsky.
Quem viu, que o comente comigo. Quem não viu, busque-o em DVD nas locadoras.
Aguardo comentários. Abraços!

PS. No próximo texto, comentarei o volume recém-publicado de poemas de Heine, em edição bilíngue, com tradução de André Vallias.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

SABEDORIA

" Leia os antigos com cuidado, os antigos de verdade:
O que os novos dizem deles quase nada significa!" (A. W. Schlegel)

Leset Fleisseig die Alten, webren eigentlich Alten:
Was die Neuen davon sagen, bedeutet nicht viel!" (A. W. Schlegel)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A MORTE DE MEU CELULAR!


Várias pessoas tentaram salvá-lo, fazendo uma massagem cardíaca em seu corpinho...
Velei-o na quinta e depois, na sexta, livrei-me de sua carcaça!

Foi melhor assim: o danado já dormia comigo, com a desculpa de me acordar todas as manhãs!

DE VOLTA AO BLOG!

Após duas semanas de preocupações com a saúde minha filha, hoje me tranquilizei. O que ela tem não é grave; é tratável!
Então, voltando às páginas de meu blog, comento com vocês que estou em tratativas para levar, pela quinta, vez meus alunos de Estética e Filosofia para um programa artístico-cultural em Porto Alegre, no dia 25 de junho.
Além de visitas sob a minha coordenação ao Santander Cultural, ao MARGS e à Fundação Iberê Camargo, terminaremos a tarde na Livraria Cultura.
À noite, eu e meu namorado, o Rafael, mais a Naira e o Tuta, iremos assistir à montagem da tragédia "Ifigênia", de Eurípedes, no Teatro Renascença, sob a direção do Luciano Alabarse.
A empreitada promete e, certamente, fará diferença na vida de meus alunos.
Abraço a todos!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A MAIS TENEBROSA HERANÇA DA GUERRA


A semana que passou foi atípica, do ponto de vista da imprensa internacional: casamento real na Grã-Bretanha e o clássico ti-ti-ti sobre o vestido da noiva e seus convidados; processo de beatificação do falecido Papa João Paulo II e relatos dos milagres concedidos; bombardeio da OTAN sobre residência familiar de Kadafi, na Líbia, e a possível perda de um filho e netos. Aqui na América do Sul, soubemos do falecimento do escritor argentino, Ernesto Sabato, último da linhagem dos grandes escritores, na iminência de completar um centenário de nascimento.

Já se falou e se escreveu sobre tudo isso; no entanto, li uma reportagem sobre um tema que a imprensa ainda não noticiou com profundidade. É um tema delicado e violento, mas os cidadãos têm o direito de saber da peculiaridade de suas conseqüências: o estupro em massa e abusos sexuais cometidos em tempos de guerra contra mulheres e crianças. Ainda que se saiba, a partir de evidências, dos abusos cometidos na Segunda Grande Guerra, na Guerra dos Balcãs, de parte de soldados sérvios contra mulheres civis croatas, e no cenário intolerável de violações contra cidadãos no Iraque, é o horror da violência sexual ocorrida também na Líbia, protagonizada pelo exército do ditador Muammar Kadafi, que eu gostaria de trazer à baila.

Há denúncias de entidades de direitos humanos de diversos países sobre estupros e investidas contra crianças líbias, com a dimensão de tática militar. Somente no século XX, a violência sexual tornou-se crime, contemplada pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. Quanto tempo ainda levará para que as milícias de Kadafi sejam julgadas por crimes contra a humanidade?

A diretora executiva da ONU Mulheres, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, afirmou há 15 dias atrás na imprensa que a ONU não possui dados precisos sobre a situação das mulheres no Norte da África, especialmente na Líbia. Contatos com a Cruz Vermelha Internacional e com a ONG Médicos Sem Fronteiras são mantidos, permanentemente, mas não se tem um panorama com números e relatos confiáveis acerca da violência contra as mulheres líbias.

Da mesma forma, a Unicef tem pedido, reiteradamente, através da imprensa internacional e das ONGs comprometidas com os direitos das crianças que esses sejam respeitados nas áreas de confrontos, conforme prescrevem os tratados internacionais ratificados pelos estados-membros.

A busca de informação é uma maneira pró-ativa de estarmos participando da luta contra a violência sexual e os abusos de todas as ordens cometidos contra os povos do Oriente Médio e dos países africanos nos episódios bárbaros, que tanto envergonham, moralmente, governos e cidadãos.

sábado, 30 de abril de 2011

MURIÓ ERNESTO SABATO HOYEN BUENOS AIRES

El fallecimiento se produjo en su casa de Santos Lugares. Notable autor y ensayista, escribió "El túnel" y "Sobre héroes y tumbas", entre otras obras clave. Fue titular de la Conadep tras el regreso de la democracia. En 1984 había recibido el Premio Cervantes, el más importante de la literatura en español (El Clarín, 30.04.11).


segunda-feira, 25 de abril de 2011

A MORTE DE SRI SATYA BABA

No domingo de manhã, li uma notinha de uma amiga, em minha página do Facebook, anunciando o falecimento do mais reverenciado líder espiritual indiano, Sri Satya Baba, aos 84 anos, em sua cidade natal, Putaparthi. Fiz uma busca na WEB dos jornais internacionais para ler sobre o ocorrido.

Baba já estava internado há várias semanas, por problemas respiratórios e outras complicações que resultaram na falência múltipla de órgãos. Seu corpo ficará exposto para visitação pública por alguns dias, até o ritual funerário. A Polícia municipal redobrou a segurança pública, uma vez que o prognóstico é de consternação geral dos indianos e estrangeiros, nos próximos dias, que cultuavam sua liderança espiritual.

Satya Baba ficou famoso nos anos 70, especialmente nos EUA, durante a contracultura e o movimento hippie. Atribuíam a ele habilidades especiais, como a telecinese, ou seja, a capacidade de movimentar objetos materiais no ar.

A organização social, que levava seu nome, e movimentava milhões de dólares em doações, gere importantes projetos educacionais e sociais na Índia, construindo escolas, hospitais e clínicas para as populações pobres. Não obstante reunir seguidores de mais de 100 países, Baba era vítima de perseguição de parte de ex-seguidores, que o denunciaram de fraudes e de abusar sexualmente devotas. O fato é que nunca se formalizou um processo definitivo contra ele na Índia.

O Primeiro-Ministro, Manmohan Singh, descreveu sua morte como uma perda irreparável: “ele foi um líder espiritual, que inspirou milhões a estabelecerem uma vida moral e repleta de sentido (sítio da BBC em 25.04.2011).

domingo, 24 de abril de 2011

A MÍMESE NO FUTEBOL!

No sábado, conversando com um amigo e aluno de filosofia, o Rafael Koehler, ouvi algo dele que me surpreendeu, com o testemunho da Niandra, sua esposa: "É, o teu time (o Internacional), para melhorar, só imitando o meu (o Grêmio)!" E não é que ele aplicou o conceito de 'mímese' aristotélico para comentar que o meu time, apenas por imitação, poderia desencanar? O que acham vocês, amigos colorados?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

HABERMAS, O CONSENSO E O ULTRACONVERSADORISMO


Estamos sempre proferindo discursos e buscando o consenso. Quando isso não ocorre, apela-se à Justiça para resolver os conflitos; mesmo que isso ocorra, as situações litigiosas não escaparão à esfera dos argumentos.

Tenho recordado, a partir do caso ‘Jair Bolsonaro’, dono de um discurso ultraconservador, da Teoria do Consenso, de Jürgen Habermas. Esse importante intelectual alemão, ainda vivo, e remanescente dos círculos da Escola de Frankfurt, que impulsionou inúmeros pensadores de envergadura, defende que haja limites ao uso legítimo da racionalidade. Em outras palavras, em nome da mesma, consolidaram-se experiências totalitárias, que, justamente, legitimaram a dimensão do ‘consenso’, na contramão da pluralidade de vozes da sociedade.

Retomando o ‘caso Bolsonaro’, não bastasse suas últimas manifestações públicas na imprensa, de teor reacionário, ele voltou a criticar na imprensa o Programa Nacional de Direitos Humanos, defendido pela ministra Maria do Rosário, que esteve na UNISC na noite de quinta-feira passada, arrebatando uma multidão, que lá estava para ouvi-la.

O que me preocupa é que, a despeito do desserviço público e da falta de postura e responsabilidade políticas de Jair Bolsonaro, ele foi empoderado na Câmara de Deputados, em Brasília, por uma parcela da população carioca, que se identifica com seu discurso e posicionamento políticos e se sente representada por seus atos. Sim, a mesma população carioca que clamava pelo fim da barbárie do tráfico de drogas nas favelas do RJ e que, justificadamente, apoiaria a agressão a gays na Avenida Paulista, em SP, capitaneada por um discurso do tipo apregoado pelo tal deputado.

Se Bolsonaro realmente não é consenso no Brasil, prova é que há uma petição pública de cassação, circulando pela WEB, há um mês, contra seus desmandos, então, que o dissenso se instale em nossa sociedade, estratégia dialógica fundamental para a manutenção do Estado Democrático de Direito.

sábado, 16 de abril de 2011

A FILOSOFIA COMPLICADA OU A COMPLICAÇÃO DA FILOSOFIA

Alguém nomeou-me de 'professora de Filosofia', mas, não, de filósofa! Não me ofendi com tal enunciado, mas agucei a minha percepção acerca do sentido disso e aprofundei a minha autoavaliação sobre suas implicações na vida intelectual. Ser complicado e ter uma posição complicada diante do mundo e da vida é uma coisa. Descomplicar tudo e, assim, acionar o bordão do saudoso Chacrinha não é apenas pactuar com o "Vim para confundir", mas abrir mão do entendimento profundo da própria existência.
Talvez, a não-compreensão do 'justo meio' aristotélico e da 'moderação', virtude tão cara aos gregos, que lhes avalizava a vida na 'pólis' e viabilizava também a 'eudemonia', tenha me tornado alguém, aparentemente, radical e fria. Se a relativização e a capacidade de autossubestimar a própria percepção das coisas, das relações interpessoais e do processo de constituição de amar/ser amado é condição sine qua non da Filosofia, do 'ser uma verdadeira filósofa', então, não sou mesmo uma filósofa. Sou, no máximo, uma filo-filósofa!
A máxima subsumida na filosofia de Parmênides do 'o que é, é' e 'o que não é, não é' se liquidificaram na sociedade contemporânea, em que o que é pode não ser e o que não é pode ser.
Ver para não acreditar; acreditar e, ainda assim, perscrutar a sutileza do 'pulo do gato'.
Vivendo e aprendendo!

10 ANOS SEM O JOEY RAMONE!

Há dez anos, em 15 de abril de 2001, silenciava a voz de um cara que fundou uma banda muito importante em NY: Joey Ramone. Os Ramones deixaram de existir antes, em 96, porque Joey já estava com um tipo de câncer muito grave, no linfoma. O punk, nos EUA, deve sua trajetória como movimento musical e cultural a esses caras. Como sempre curti The Clash e The Sex Pistols, procedentes da UK, deixo aí registrada a minha lembrança pela perda de uma banda que fez arrepiar a galera jovem com os seus gritos estilosos!

terça-feira, 5 de abril de 2011

UM REI GAGO E O RÁDIO

No final de semana, fui assistir ao filme “O discurso do rei”, lançamento da última temporada. Com direção de Tom Hooper, o longa apresenta um roteiro original, que lhe rendeu prêmios da indústria cinematográfica, a exemplo daqueles arrebatados, na primeira quinzena de fevereiro, da British Academy of Film and Television on Arts – a BAFTA, que funciona como um indicador para o Oscar, que ocorreu em 27 do mesmo mês.

Já na entrega do Oscar, o mesmo foi laureado com quatro importantes estatuetas: melhor filme, roteiro original, ator e diretor. O prêmio de melhor ator foi justamente levado pelo ator britânico Colin Firth, que já havia levado também o BAFTA de melhor ator em 2010 e em 2011, consecutivamente.

Na pele de um rei inseguro e temeroso, diante da iminência de uma segunda guerra e da ascensão galopante do Nacional Socialismo, George VI assume a vaga de seu irmão Edward, que renuncia ao trono em 1936. Além de suas idiossincrasias e do fato de que substituiria um rei, não por motivo de morte ou de doença severa, ele tinha um agravante: uma gagueira acentuada.

Na busca incansável de tratamento, sua esposa recebe recomendações de um especialista, que, se descobre ao final do filme, nem médico titulado é. Esse especialista, brilhantemente vivido pelo ator australiano Geoffey Rush, passa a tratar diariamente o Rei, frequentando o palácio e tornando-se amigo pessoal de George VI pelo resto da vida.

Não obstante a atuação impecável de Colin Firth e a magnitude do performance de Geoffrey Rush, o longa revela um aspecto muito importante afeito à área da comunicação social, que é o advento da radiodifusão. Os momentos de tensão do filme estão, inexoravelmente, ligados à ansiedade que acomete o Rei, na expectativa de falar na rádio oficial da monarquia britânica, sobretudo no momento em que a Inglaterra entra na Segunda Guerra Mundial.

Parodiando Brecht, que era vivo ainda quando do florescimento da radiodifusão no mundo, “um homem que tem algo para dizer, e não encontra ouvintes, está em má situação. Mas está em pior situação ainda os ouvintes que não encontram quem tenha algo a lhes dizer”.

O Rei George VI histórico tinha o que dizer a seu povo, em uma demonstração de autocontrole, autossuperação e disciplina. Assistam ao filme. Vale a pena!

terça-feira, 29 de março de 2011

ANGELINA JOLIE E A PREOCUPAÇÃO COM OS REFUGIADOS

Desde 2001, a atriz norte-americana Angelina Jolie é ativista e Embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas – ACNUR. Acabei entrando na página oficial do próprio ACNUR para checar as notícias mais recentes.

Temos alguém bem próximo a nós, no RS, que também é Embaixador da Boa Vontade do ACNUR, o cantor uruguaio Osvaldo Laport, que pouco espaço em espaço na mídia, sendo quase totalmente desconhecido dos gaúchos.

Ontem, dia 28 de março, 4 mil egípcios – que constituem a maioria dos refugiados da Líbia –, foram repatriados pelo governo provisório egípcio. A Tunísia já recebeu mais de 80 mil refugiados; parte deles está sendo trasladada para o Egito por aviões especialmente fretados pelo governo para a migração.

A recente migração forçada dos líbios acabou por retirar de cena o problema dos refugiados da Costa do Marfim, Oeste africano, que, desde novembro de 2010, têm se deslocado para a Libéria, fugindo de uma iminente guerra civil no país. A Libéria está à beira de um colapso, uma vez que já recebeu mais de 70 mil marfinenses.

Segundo a página da ACNUR na WEB (www.acnur.org), em Português, o Brasil possui 4,5 mil refugiados, sendo que desse total 64,5% são de origem africana. Na semana passada, o Ministério Público do RS promoveu um evento intitulado I Seminário de Proteção e Integração de Refugiados para celebrar os 60 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, o 50º aniversário da Convenção para a Redução da Apatridia (1961) e os 150 anos do nascimento de Fridtjof Nansen, o primeiro Alto Comissário para refugiados da Liga das Nações - datas que estão sendo comemoradas pelo ACNUR em todo o mundo.

Residem hoje no RS 165 refugiados, em sua maioria colombianos e palestinos. Entrem na página da ACNUR na WEB e acompanhem a problemática dos refugiados do planeta. A solidariedade é a moeda corrente de todos os envolvidos com essa questão.

terça-feira, 22 de março de 2011

20 ANOS SEM HERBERT CARO

Herbert Moritz Caro foi um grande intelectual e tradutor. Nasceu na Alemanha, viveu em Berlim e de lá fugiu com sua esposa Nina, vindo parar em Porto Alegre, fugidos do nazismo, por conta de sua ascendência judaica.

Quando eu ainda trabalhava no saudoso Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, em Porto Alegre, no ano de 1995, tive contato com algumas cartas que Herbert Caro trocou com ilustres personalidades que traduzia. O acervo do Instituto guardava parte de seu espólio.

No dia 1º de janeiro de 1995, o extinto ‘Caderno Mais’, da Folha de São Paulo, publicou uma reportagem escrita por mim, em um suplemento especial, sobre a relação de amizade entre Herbert Caro e Erico Verissimo, ambos tradutores da saudosa Livraria do Globo, nos anos 50, além de um estudo de algumas cartas, que faziam parte do espólio de Caro. A reportagem foi assinada por mim e pela Prof. Márcia Ivana de Lima e Silva, da UFRGS, à época doutoranda na PUC/RS e pesquisadora do Acervo Literário de Erico Verissimo, administrado pela essa instituição.

Também em 1995, a Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre resolveu publicar um livro em homenagem a Herbert Caro, um Caderno Porto & Vírgula, que havia falecido em Porto Alegre em 1991. Alguns escritores gaúchos, como Moacyr Scliar e Fernando Verissimo, enviaram-me as suas contribuições à publicação.Fui, então, a organizadora de tal volume.

Integrando os estudos publicados e as homenagens, o Museu Judaico, que pertencia ao Instituto Cultural Marc Chagall, inaugurou uma exposição fotodocumental sobre Herbert Caro, em outubro de 1995, intitulada “Um berlinense em Porto Alegre”.

Já em 2006, por ocasião da efeméride do centenário de nascimento de Herbert Caro, o Instituto Goethe organizou um colóquio em suas dependências. Os anais das comunicações e depoimentos estão compilados na Revista Contingentia, de maio de 2007.

Amanhã, dia 23, todos os que leram alguma tradução de Caro, como os livros de Thomas Mann ou de Elias Canetti, lembrar-se-ão de seus 20 anos de falecimento de câncer em Porto Alegre. Que viva para sempre na memória dos gaúchos que o acolheram e que suas traduções sejam eternizadas por seus novos leitores.

sábado, 12 de março de 2011

OS 200 ANOS DE MORTE DE KLEIST

Observei ainda em Frankfurt, início de minha viagem de férias pela Alemanha, o seguinte: na primeira livraria em que entrei, vi as obras do dramaturgo Heinrich von Kleist destacadas em uma bancada, por conta dos 200 anos de sua morte, ocorrida por suicídio, na beira do lago Kleiner Wannsee, em Berlim, em novembro de 1811.

Já em Berlim, li que o grupo teatral Maxim Gorki apresentará a montagem de todos os oito dramas de Kleist, ao longo de 2011. Seu diretor geral, Armin Petras, descreveu o dramaturgo como uma figura moderna, fragmentada. “Esse tipo de biografia despedaçada – que sempre começa algo de novo, fracassa e tenta a próxima coisa – é, de fato, algo que, de súbito, ganha uma nova virulência em nossa época(fonte: Deutsche Welle).

A obra de restauro do túmulo de Kleist, que a prefeitura de Berlim vai administrar neste ano, expõe a trajetória do autor que cometeu suicídio em 21 de novembro de 1811, através de placas informativas que explicarão, por exemplo, o porquê da atual lápide. Em 1941, o governo nacional-socialista, em uma tentativa de instrumentalizar a vida e a obra de Kleist, substituiu o epitáfio original – “Ele viveu, cantou e sofreu / em tempos tristes e pesados, / procurou aqui a morte / e encontrou a imortalidade” – por uma citação de uma peça de Kleist, O príncipe de Homburg: “Agora, ó imortalidade, és toda minha”.

Iniciado o Ano Kleist, na Alemanha, penso que é uma ótima oportunidade de ler (ou reler) alguma peça desse dramaturgo. A que conheço – e recomendo - para encerrar minha crônica é “A marquesa de O”, além do brilhante ensaio “Sobre o teatro de marionetes”.

quarta-feira, 2 de março de 2011

BERLINALE

Caros leitores, estou de volta! Minha viagem foi excelente e muito estimulante, culturalmente. Estive em seis cidades alemãs e, especialmente, em Berlim, por ocasião do Festival de Cinema de Berlim, o “Berlinale”, em sua 61º edição: realização de sonho.

Um amigo nosso que faz doutorado em Sociologia na Universidade Livre de Berlim, o Airton Mueller, enfrentou uma fila enorme, dentro de um shopping, no qual estava montada a estrutura comercial do Berlinale. Estivemos na sessão do filme argentino “El Prêmio”, da diretora e roteirista Paula Markovitch, sobre os argentinos que não pactuavam com o regime militar e, por isso, eram obrigados a viver, clandestinamente, no litoral ou no meio rural.

O filme é delicado, sua fotografia é impecável e a trilha é condizente com seu ritmo lento! Alguns jovens alemães, que estavam sentados na fila logo atrás de nós, ficaram impacientes e se retiraram quando os créditos começaram a se movimentar. A maior parte da enorme plateia do teatro permaneceu em seus assentos e aplaudiu a produção, que estava participando da competição oficial.

Não consegui assistir ao novo documentário de Werner Herzog, “Cave of the Forgotten Dreams”, em 3D, nem ao último filme de Wim Wenders, “Pina”, em 3D, sobre sua amiga falecida, a famosa coreógrafa Pina Bausch, que esteve em Porto Alegre em um “Porto Alegre em Cena”.

O “Berlinale Palast”, o palácio do festival, lembrou-me o de Gramado: cheio de luzes, tapete vermelho e tietagem. A diferença é que o frio em Berlim estava pegando, quando lá chegamos em 10 de fevereiro, primeiro dia do festival.

Tanto na abertura oficial, quanto na noite de premiação, o diretor do Festival colocou uma cadeira vazia para chamar a atenção do mundo para a ausência de um dos membros do júri, Jafar Panahi, diretor iraniano de prestígio no Ocidente, preso no Irã por força de sanções contra a sua cinematografia.

Curiosamente, o ‘urso de ouro’ do Berlinale foi outorgado a um filme iraniano, do diretor Asghar Farhadi. Na próxima coluna, comentarei os prêmios da edição do Oscar 2011.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O NOSSO SCLIAR SE FOI...

Hoje cedo recebi um e-mail do Luís Paulo, escritor que vive em Porto Alegre, comentando que a 1h da madrugada de hoje o Scliar teria falecido no hospital, no qual estava internado há tempos. Ele fez uma cirurgia séria em janeiro e todos sabiam que o quadro era grave.
Várias vezes estive com ele: primeiro quando o meu falecido pai, jornalista e artista gráfico, foi o mentor dos fascículos do Instituto Estadual do Livro, que configuravam a coleção denominada "Autores Gaúchos". Na noite do lançamento do fascículo do Scliar, eu e meu pai fomos lá na antiga sede do Instituto Estadual do Livro, o IEL, levar o nosso exemplar para que ele o autografasse.
O Scliar escreveu algo muito gentil, agradecendo o meu pai pela concepção gráfica do volume dele, na época em que se fazia ainda a composição gráfica de jornais e revistas, tudo bem artesanal. Isso há exatos 27 anos atrás!
Depois, fui reencontrar o Scliar, muito atuante na comunidade judaica, quando trabalhei como produtora cultural do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall. Li várias de suas obras. Em uma noite de autógrafos de seu texto "Dicionário do Viajante Insólito", publicado pela LP&M em 1995, ele escreveu uma dedicatória em meu exemplar, que guardo com carinho até hoje: "Para Rosana, baluarte da cultura judaica, homenagem do Moacyr Scliar".
O que mais me marcou mesmo, como leitora da literatura produzida no RS, foi "A estranha nação de Rafael Mendes". Esse texto me deixou perturbada e não parei a leitura enquanto não o finalizei. Também "O exército de um homem só" e "Max e os felinos" me agradaram muito quando de seus lançamentos.
Deixo aqui o meu testemunho carinhoso de quem com ele conviveu, por alguns anos, especialmente em 1995, ano em que organizei um volume sobre a vida e a obra de tradutor de Herbert M. Caro, que era amigo pessoal dos sogros de Scliar. Ele escreveu, naturalmente, um dos capítulos do livro sobre o Caro.
Ele disse que a mesma vela que acendemos em um bolo de aniversário é aquela que estará presente em nosso funeral. Sábio, Scliar! Relembro teu semblante e tua solicitude hoje! Serás 'imortal' sempre entre os teus!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

HAMBURG

Hoje chegamos em Hamburg, apos duas horas de trem. O Rafael tem um primo que vive aqui ha mais de 25 anos. Ele veio nos buscar para passearmos pela cidade e jantarmos em seu apto. Hamburg tem uma parte mais escura, da qual ouvi falar, por ser um porto, mas tem seus encantos do ponto de vista arquitetonico, fora o fato de que tem lagos, alem do lindo Rio Elba.
Amanha iremos para Colonia Um beijo a todos!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ULTIMO DIA EM BERLIM

Hoje fomos visitar nosso ultimo museu: o GemaldeGalerie, um museu apenas de telas a oleo.
Vi oito telas do Durer, que eu aprecio demais e uma colecao de italianos renascentistas bem significativa.
O Rafael foi para a Universidade Livre de Berlim. Ele foi conversar com um figurao da area de Historia. Estou aqui no Hostel, fayendo tempo, porque esta muito frio na rua. Fay zero grau agora, 14h. Imaginem mais tarde!
Temos um encontro com o Airton e a Mabel mais tarde, para nos despedirmos deles.
Amanha, iremos para Hamburg, para conhecer a cidade e visitar um primo do Rafael.
Grande abraco a todos! Estamos adorando e nos divertindo muito!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cinco dias em Berlim...

Oi, pessoal! Como compramos um Tage Karte (um passe para museus para ser usado em tres dias), comecamos a saga das visitas na sexta. Hoje, entrei em quatro e o passe terminou. Foram sete museus em sete dias, mais a visita oficial e paga a Catedral de Berlim, mais a ida a um filme argentino no Berlinale e muitas outras caminhadas.
Para a alegria do Rafael, hoje nevou durante toda a manha, bem fraquinho, mas estava fazendo um grau. Muito frio!!!!!!!
Fui ver a colecao egipcia da Neues Museum. Magnifica e quase do mesmo nivel da colecao do Louvre. No final do dia de hoje, ja a noite, entramos em um centro de documentacao chamado "Topografia do Terror" para conhecer mais os aspectos estrategicos do bunker de Hitler em Berlim e todo o aparato administrativo-burocratico desta cidade. Impressionante! O campo de concentracao daqui nao fica longe. Se der, o Rafael ainda ira la na quarta. Amanha, iremos visitar a cidade de Postdam e o castelo de verao de Frederico I, o Grande. Na terca, o Rafael tem uma visita a Universidade Livre de Berlim. A noite, vamos sair com o Airton e a Mabel, novamente (amigos de Santa Cruz). Um beijo a todos! Escrevam comments para nos. Amanha eh o Valentine s Day aqui. Ja ganhei umas luvas de pelica lindas do Rafael. Ate!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

BERLINALE

Amigos, fomos a um filme no Berlinale. Um amigo do Rafael enfrentou uma baita fila para vermos m filme argentino que concorre a um urso. Muito massa! Foos hoje pela manha ao Museu Judaico! Maravilhoso! Grande beijo!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

BERLIM NO FESTIVAL DE CINEMA, BERLINALE

Oi, pessoal!
Chegamos ontem a Berlim. O tempo aqui nao estava legal ontem, amanheceu chovendo, mas melhorou muito a tarde. Fomos visitar os Museus da antiga DDR e o maravilhoso Pergamon.
Um abraco!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

AINDA SOBRE PRAGA

Amigos que virao a Praga. lembrei-me de mais duas coisas; saindo da estacao central de trem, peguem um `trum`, nao um onibus, de numero 9, no sentido Rua Narodni. O cara do desk information nos deu a informacao errada quando chegamos e entramos em um trum no sentido errado. Como falei, voces terao de comprar os bilhetes em uma maquininha amarela, que ha perto de todas as paradas de trums e bus. Apertem o primeiro item, full price, que nao da erro, mas voces tem de ter moedas. Na hora de trocar uma graninha no cambio da estacao, pecam umas 100 coroas em moedas. Sem moedas nao da para se deslocar.
Depois, o mais importante. Nao troquem mais grana em cambios. Um brasileiro ontem nos falou que temos de usar apenas cartao, debito ou credito, em Praga. Dai nao fica tao caro para o nosso bolso.
Deem um retorno. Agora vamos a Dresden por um dia. Amanha seguiremos para Berlim, por uma semana.
Um abraco a todos!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SOBRE PRAGA PARA OS AMIGOS QUE ESTAO NA EUROPA

Queridos Jana, Marco e Thais!
Obrigada pelos posts. Eu nao sabia que tu, Thais, estaria com o Marco nesta viagem.
Bem, Praga eh divina, mas over priced! Ja sao cidades de 23 paises que conheco, contando agora Praga. So que os butias cairam do bolso com os precos praticados aqui. Os guias ja diziam que aqui os valores sao over priced, mas eh muito para nos.
Tres diarias em Hostel na rede, na Rua Narodni (vejam pelo Googel), bem centralizado, custam 3600 coroas tchecas (225 euros). Os cambios pagam nada mais que 16 coroas por um euro. Entao, eh caro para nos. Consegui pagar ate agora as diarias de hostel no VISA. Estamos comendo pouco aqui, porque dois baguetes no Subway custaram o olho da cara, quase 20 euros para nos dois, com um refri apenas.
Saiam da estacao central de trem e ja troquem uns 30 euros. Depois, comprem em uma maquininha amarela um tiquet para o trem, que passa na frente da mesma. O tiquet deve ser o primeiro item (full price). Eh dificil de sacar as coisas em tcheco, mas eh so falar em ingles, com o pessoal na rua que todos nos ajudam. Para chegarem aqui neste hostel peguem o trem numero (, que passa a uns metros na entrada no hostel, que fica no primeiro andar de um predio na Rua Narodni. Barbada, voces conseguirao.
Entrem na paginado hostel, pelo Google, e enviem um email, fazendo a reserva, como falei, em quarto duplo, com WC fora do quarto.
Nao tem cafe da manha incluido. Terao de comer algo na rua.
Em dois dias, voces conseguirao ver o importante, como passear pela area do distrito do castelo (nao tem castelo para visitar)! Comprem um ingresso combinado para visitar o Old Royal Palace, a Basilica de St. George e um outro predio do complexo. Caminhem bastante pela antiga Prefeitura, a Old Town, e depois pelo bairro judaico. E era isso! Nao da para entrar nos museus, com excecao do Museu do Comunismo, que priorizamos. Marco, tu nao podes deixar de ir la.
Um beijo, amigos! Enviem comments ou qualquer outra pergunta.
Ate o proximo post.