domingo, 28 de agosto de 2011

RELENDO MARX

Por conta de estudos para uma disciplina de História da Filosofia Contemporânea I, tive de retomar algumas leituras de Marx e Engels. O "retomar" deve-se ao fato de que tive uma formação marxiana nos tempos de acadêmica da UFRGS e, embora a carreira fosse de Filosofia, houve três disciplinas em que tivemos de estudar "O Capital", "Elementos para a Crítica da Economia Política" e "Os manuscritos econômico-filosóficos".
Esse último, de 1844, instaura a primeira abordagem de Marx acerca do caráter ontológico do trabalho, objetivação primária do ser social (e 'prático', predicado mais adiante). Só que o estágio teleológico do trabalho, nos moldes capitalistas em que vivemos, é o trabalho 'assalariado', que avilta e aliena o homem. Assim, a atividade produtiva é um elemento ontológico da constituição do ser social e isso se opõe às concepções vigentes, na época, da economia política.
A práxis é compreendida por Marx como o conjunto das objetivações que o sujeito deve exercer enquanto ser social. Portanto, é no horizonte da práxis que a alienação será estudada por ele, como uma instância da esfera prático-social.
Na leitura dos "Manuscritos...", os processos alienantes nos indivíduos são analisados, ainda que seus comentadores o considerem insuficiente em sua análise de 1844.
Pensar que ele estava em Paris, gestando esse livro; Feuerbach já era um homem idoso; ao mesmo tempo em que Nietzsche nascia nesse ano, em Rocken, na Alemanha; Hegel já havia falecido de cólera, enquanto Schopenhauer articulava o seu "Parerga e Paralipomena", já no final de sua carreira...
A simultaneidade de eventos intelectuais em um mesmo lapso temporal, desde jovem, deixava-me perplexa, não obstante o fato de que alguns deles sequer se conheceram e leram os escritos uns dos outros.
Fica aí o meu comentário e o destaque para a relevância de se resgatar o núcleo fundamental da obra de Marx, o que trata menos dos aspectos econômicos e mais de elementos filosóficos, antropológicos e sociais. Esse conteúdo não se tornou anacrônico com o fim do regime comunista. Muito pelo contrário: no estágio do capitalismo em que nos encontramos, ler o que Marx escreveu acerca do princípio do individualismo pode ser uma lição surpreendente e atual!
Deixo-lhes uma dica de leitura: o livro intitulado "Grundisse", que saiu em Português novamente em uma edição caprichada!


domingo, 21 de agosto de 2011

COLEÇÃO DE CINEMA DA FOLHA DE SP

Oi, amigos! Vocês já viram as lista de filmes, no formato DVD, que a Folha de SP começou a vender em bancas? Já comprei os três primeiros em POA. Aqui em SCS só a banca do centro tem e em número reduzido. O título do DVD é semanal!

Para os que apreciam cinema, entrou em cartaz, no cineninha do shopping Marco do Imigranthe, o último filme de Woody Allen, o "À meia-noite em Paris". Confiram!

Abraços a todos!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SOBRE OS FILMES 'MELANCOLIA' E 'A ÁRVORE DA VIDA'

Neste final de semana, fomos a Porto Alegre obsessivos para assistir ao premiado no Festival de Cannes 2011, "A árvore da vida", de Terrence Malick, e ao "Melancolia", do polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier, através do qual a atriz norte-americana Kirsten Dunst foi laureada com o prêmio de Melhor Atriz na mesma competição.
Assistimos primeiro, para otimizar nosso tempo dentro do Bourbon Country, ao "Melancolia", do diretor dinamarquês já mencionado. Duas horas e meia após o final do primeiro longa, entramos na sessão do "A árvore da vida", do diretor norte-americano.
Bem, eles têm uma fotografia exuberante, truques de "slow motion", uma trilha focada na música erudita e, não raras vezes, as mesmas imagens da Mãe Terra e do Sistema Solar; por isso, tive uma impressão estranha, quando estava na segunda sessão, de ainda estar assistindo ao filme da primeira.
O "Melancolia" é o nome de batismo de um planeta que está na rota de colisão com a Terra. Portanto, parece um filme 'catastrófico' e poderia também ter iniciado com uma epígrafe retirada da Bíblia, como, por exemplo, do Livro das Lamentações. O segundo longa, "A árvore da vida, tem como epígrafe o Livro de Jó: 38-4: "Onde estavas quando lancei os fundamentos da Terra?". Quem já leu a Bíblia como poesia sabe que no Livro de Jó prova-se que Deus não é o causador do sofrimento da humanidade, nem das doenças e das mortes. Mesmo os fieis que foram assolados com provações precisam continuar a orar, precisam continuar em conexão com Jeová, para que Satanás seja destruído, segundo a essência desse texto bíblico.
Assim, as constantes indagações que o primogênito faz (Sean Penn, na vida adulta), como se fossem pensamentos elevados, enunciados em voz alta ("Por quê?") constroem a atmosfera do filme; no Livro de Jó, Satanás é personagem coadjuvante, mas tem dimensão ontológica. No "Árvore da Vida", vemos o filho primogênito em conflitos internos por ser mau com o irmãozinho mais novo e rezar todas as noites para o Deus salvador afastá-lo da mentira e das más atitudes.
Se eu pudesse indicar dois filósofos para uma melhor compreensão desses dois filmes, eu associaria "Melancolia" ao adágio schopenhaueriano de que "a vida não passa de um oscilar entre a dor e o tédio"; ao segundo filme, a leitura da obra de Nietzsche lhe seria compatível, na medida em que a essência do longa é a afirmação do sublime, do querer-viver e da perseverança: a capitulação do Mal.
Para quem os degustou, talvez, impropriamente em uma mesma tarde, como eu e Rafael, não resta nada mais que encerrar este humilde comentário com a conclusão de que um "déja vu" acometeu-me na sessão de um e de outro. O inexorável dualismo representado pelos binômios da negação/afirmação da vida, do Bem/Mal e do pessimismo/otimismo também se fizeram presentes na degustação dos mesmos. Não posso deixar de mencionar também que me lembrei do 'osso', que voa em "slow motion" na cena inicial do "2001, uma Odisseia do Espaço", de Stanley Kubrick, além dos documentários da década de 80, "Koyaanisqatsi" e "Powaqqatsi", que revelaram a "vida em transição",no planeta Terra, ambos do diretor Godfrey Reggio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SHOWS DA OKTOBERFEST EM OUTUBRO

É difícil de acreditar, mas a Oktoberfest deu uma virada! Os shows foram confirmados nesta semana e teremos, ao menos no segmento rock/pop nacional, a banda Charlie Brown. Parabéns aos meus amigos Tuta e Naira, que participaram da composição do 'line up'. Iremos ao Charlie Brown de camarote. Valeu!