terça-feira, 20 de setembro de 2011

VIAGEM A BH E A OURO PRETO

Voltei, amigos! Estive em um seminário nacional de extensão, no qual meu artigo, com minha ex-bolsista de extensão, foi aprovado. Apresentamos nossos resultados das histórias de vida de apenadas do Presídio Regional de SCS. Foi muito interessante e houve vários comentários e perguntas da plateia.
Depois do seminário, no sábado, eu e Rafael estivemos em Ouro Preto. Eu já estive lá duas vezes, mas desta vez foi diferente por eu estar com o meu namorado, futuro historiador. Além do clima romântico da cidadezinha, que já conta com 311 anos de fundação, foi importante ouvir os comentários do Rafael sobre Tiradentes e a Inconfidência Mineira.
Por acaso, fomos parar em uma mina de ouro desativada, de 293 anos, com um guia local. Foi uma caminhada rápida, por uma brecha em uma caverna, explorada pelos negros mineiros, que eram trazidos como escravos para o trabalho extrativista de Ouro Preto. Eles sabiam como encontrar ouro, junto ao quartzo, pela salivação de pequenas amostras de terra das paredes da caverna. Duravam de cinco a sete anos; depois, morriam com os pulmões petrificados.
Tristes as histórias das 'minas gerais', que animalizavam homens africanos para encher os cofres da Coroa Portuguesa.
Não falei do Tiradentes, mas, para constar, ele era o menos posicionado do grupo, social e economicamente, tirado para 'bode expiatório' entre os burgueses inconfidentes. Acabou como mártir, porque a República precisava de um; como traidor, porque a Coroa Portuguesa necessitava de um, que sofresse as consequências da pena.
É isso! Abraço a todos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O DESFAZER-SE DO AMOR



O amor é um animal
desprevenido, ressentido e precipitado:
uma teia que se desfia pouco a pouco...
que quer se esquecer daquilo que machuca, que machucou,
sem perceber que o que machuca/machucou é o que salva o animal!

- Guardemos silêncio, amigos, para que possamos ouvi-lo, tragicamente,
desfazer-se!

Rô Candeloro - em 12 de setembro de 2011, às 19h, depois de as 'torres' caíram!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

RÉQUIEM PARA OS DEZ ANOS DAS TORRES GÊMEAS

Em 2001, estive nos EUA pela primeira vez, para acompanhar a Prof. Marília Ramos, amiga pessoal e, na época, minha colega na UNISC, na fase final de sua tese de doutorado em Gerontologia, na Purdue University, em Lafayette, Indiana. Antes de encontrar-me com ela, planejei ficar uma semana em NY, no meu aniversário de 40 anos.

Passei com uma outra amiga, que me acompanhava neste trecho, dias aprazíveis de calor, caminhando muito pelas avenidas retas de Manhattan, visitando museus, centros de cultura e livrarias, o Central Park e as ruas do Soho e do Village. Em duas oportunidades, chegamos ao Finantial Center de metrô e saímos pela estação do World Trade Center, acessando um shopping Center, antes de atingir a rua.

Minha esperança era a de que, desembarcando nessa estação, eu conseguisse comprar os ingressos que eu desejava para um espetáculo da Broadway, que também eram vendidos no mezzanino de uma das torres do WTC. Todavia, as filas para compra eram enormes e isso me desmobilizou para o teatro.

Dali do centro, fomos para o Brooklyn, bairro que concentra estúdios, ateliês e galerias. Fiz fotos da Brooklyn Bridge com uma câmera de rolo. Tenho ainda as fotos reveladas que segurei nas mãos, atônita, ao acompanhar as primeiras imagens da cobertura da TV americana, quando a primeira torre havia sido alvejada por um avião.

Estive lá exatamente dois meses antes da tragédia, em julho de 2001, resultante do ataque da Al-Qaeda às torres gêmeas do WTC, que as pulverizou, exterminando 3000 seres humanos e reiteirando o adágio de Hobbes: homo homini lúpus (“o homem é o lobo do homem”). Neste final semana, comentários islamofóbicos serão enunciados no planeta, as teorias conspiratórias continuarão sendo debatidas, os resultados das investigações do atentado continuarão sendo questionadas e a dor de milhões será, novamente, devassada.

Fukuyama errou! Obama está aí, perdendo pontos nas estatísticas, mas com uma certa vantagem pela morte de Osama Bin Laden e o consequente desmantelamento da rede terrorista Al-Qaeda. Menos ufanismo e alienação é o que eu espero nesta efeméride.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

THIAGO DE MELLO: RARO PROSADOR DA FLORESTA

Estive na terça (que estava cinzenta, mas que se transformou em uma linda noite estrelada e com Lua) no auditório da UNISC para ver e ouvir o poeta Amadeo Thiago de Mello, conhecido como Thiago de Mello. Ser humano raro e cheio de luz, ele se apresentou a um imenso público, que lotara as dependências da UNISC.

De saída, expressou seu libelo contra a degradação imoral que assola a Amazônia, avilta sua população ribeirinha, exaure seus recursos naturais e compromete sua fauna e flora. Sua primeira declamação poética terminou com o chamamento que exortava: “o que importa é trabalhar/na mudança daquilo que precisa mudar”.

Depois desse preâmbulo em que poeta e ativista político tornaram-se indissociáveis, contou ao público sobre sua vida, suas viagens, seus percalços, do exílio, da prisão. Destacou com veemência o papel que a leitura e a educação formal tiveram em sua trajetória e enalteceu a figura de sua primeira professora, que lhe deixou o legado da literatura. Por fim, ressaltou que “um país que não lê está condenado a ser dominado”.

O que admiro em Thiago de Mello é muito mais a persona, seu ‘estatuto de homem’, que esbanja juventude e alvorada, menos a matéria poética que, para mim, soa muito mais como prosa poética, menos como rigorosa poesia. Aprecio mais a causa nobre, o engajamento, a fala política, o talento para a sinergia com o público, menos o ritmo, a musicalidade, as propriedades da linguagem.

Seus pendores para a tradução são pouco conhecidos no Brasil. Sabedora de que Thiago de Mello verteu alguns poemas de Hölderlin para o Português, como “Ode do pão e do vinho”, imagino o quanto a poética e a biografia emblemática do escritor alemão tenha impressionado sua alma, como, por exemplo, a louca caminhada que Hölderlin empreendeu entre a frança e a Alemanha, no início do século XIX, fustigado pela imagem de sua amada, recentemente falecida, Diotima.

Talvez haja um núcleo trágico na poesia de Thiago de Mello, inspirada na concepção dos românticos alemães, que permite ao poeta amazonense contrapor o futuro sombrio e perverso da Amazônia – e de nosso planeta como um todo -, a um mundo solar e harmônico de outrora, que ainda sobrevive em seu interior.