sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SOBRE A AUTOEXPOSIÇÃO NA FILOSOFIA, NA LITERATURA E NAS REDES SOCIAIS

Lendo os "Ensaios de Amor", de Alain de Botton, ocorreu-me refletir se o que ele narra em primeira pessoa, efetivamente, é a sua vida, parte de sua vida ou alguns elementos autobiográficos tratados como ficção.
Com a 'pulga atrás da orelha', li no Caderno de Cultura da Zero Hora de sábado passado, o artigo mensal do Fisher (docente de Literatura Brasileira da UFRGS). A reflexão que ele faz é iniciada pela autoexposição nas redes sociais e, após, ele migra para o campo literário.
O fato é que o que me intriga é que o Alain de Botton é um filósofo, comprometido com o mundo da vida, com a Filosofia aplicada 'à vida', a ponto de ter fundado uma escola em Londres denominada de Escola da Vida. Filósofos autoexpõem-se, sim, prova é o 'Discurso do Método', de Descartes, escrito inclusive, de modo sui generis, em primeira pessoa, algo extraordinário para sua época. Todavia, temos de nos lembrar que ele era avesso à erudição livresca de seus pares; portanto, contava com o fato de que, na primeira pessoa, comentando detalhes de sua rotina, conseguiria fazer com os que possuíam um livre exercício racional o compreendessem.
Nietzsche, dois séculos após, vai desfilar no campo filosófico com o seu "por que sou tão sagaz", no "Ecce Homo", por exemplo, uma das pérolas de sua escrita autobiográfica.
Na Literatura, Fisher toma como modelo exemplar o livro premiado de Cristóvão Tezza, "O Filho Eterno", em que em que dá um tratamento ficcional à descrição dos elementos autobiográficos. Fisher, assim, vai denominar esse fenômeno de "autoficcção" literária, algo ainda muito novo, que não vi tocado nas páginas dos cronistas e teóricos auriverdes.
Nas redes sociais, não é preciso comentar, né? Penso que todos os que mantêm, com um certo esforço e parcimônia, seus posts em blogs, Twitter e Facebook sabem que é preciso ter bom senso: 'filtrar' é o que mais se faz nesse segmento.
Estou cada vez mais com menos 'amigos' no Facebook, porque minha praia não é colecionar 'amigos', mas, sim, ser capaz de regozijar-me com comentários consistentes, sejam apenas informativos, poéticos ou filosóficos, fora o fato de que também aprecio postar e ler os comentários depois.
Meu critério de descarte agora é 'emissão de bobagens", reiteradamente. Rolou bobagem, tchau!
Cuidado, tá! Hahahahah

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