segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

AS VERSÕES SUECA E AMERICANA DE "OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES"

Assisti à versão sueca do longa,"Os homens que não amavam as mulheres" (Män som hatar kvinnor), de Niels Arden Opley, que contempla a primeira parte da trilogia intitulada 'Millennium', do escritor sueco Stieg Larsson. Há três semanas atrás, eu já havia conferido o 'remake' (2011) de David Fincher para essa primeira parte. Embora o roteirista de Fincher tenha sido o conhecido Steve Zaillian, de "A lista de Schindler", não considero a versão americana superior à sueca; muito pelo contrário.
A versão americana é rica em artifícios visuais, que fazem um apelo fantástico aos nossos sentidos; a sueca é bem mais densa, psicologicamente, e nela acompanhamos a construção da personagem de Noomi Rapace, sinistra e introspectiva, rosto abastado de piercings e corpo tatuado, e passamos a entender a cadeia de fatos derradeiros que marcaram sua vida e a levaram a sobreviver como 'hacker' profissional, em uma Stockholmo violenta.
Rooney Mara é uma atriz promissora, que ficou mesmo conhecida do público em sua atuação no longa, também de David Fincher, "A rede social" (2010). Todavia, há lacunas que ficam na composição do personagem de Lisbet Salander, uma vez que o roteirista optou por ressignificar o texto literário e não plagiar descaradamente o original sueco.
Esse é forte, bem contextualizado e traz em suas entranhas as universais questões familiares, que remontam à violência intrafamiliar, ao abuso sexual, à sucessão empresarial, às disputas, racismo e assassinato, determinantes no percurso da trama, que desvela um país nórdico que nada tem de paraíso, acalentado pelo imaginário do Ocidente.
Não vou comentar nada sobre o protagonista da narrativa e do filme, tanto na versão original quanto na americana, uma vez que, é tácito, a personagem feminina de Lisbeth Salander rouba a cena e projeta-se admiravelmente em relação aos outros personagens.
De qualquer modo, foi difícil, para mim, ver o Daniel Craig e não deixar de pensar no "007".

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

AS MULHERES DO 6º ANDAR

Assisti a uma comédia francesa muito simpática, com um bom ritmo e divertida: "As mulheres do 6º andar", de Philippe Le Guay. Os protagonistas são Fabrice Luchini e Sandrine Kimberlain, marido e esposa no longa. Há um conflito social e econômico que permeia a narrativa, ambientada na Paris dos Anos 60. As mulheres do 6º andar são espanholas, trabalhando em Paris como domésticas.
Elas simplesmente afetam a vida do casal francês de modo cabal, com seu linguajar franco, sua atitude politizada - há referências à ditadura franquista várias vezes -, e seu modo afetuoso de se relacionar. Uma delas, a mais jovem e linda, passa a ser a 'empregada' do tal casal.
Viva a diferença de classes!

Logo sairá em DVD. Recomendo!

SOBRE O "DAMA DE FERRO"

Assisti também ao "A dama de ferro", de Phyllida Lloyd, no Rio de Janeiro. Olha, pessoal, conheci o pai de minha filha, portenho, e mais dois argentinos, recém-saídos do front da Guerra das Malvinas, em 1983. Ouvi muitas histórias contadas por eles e, parece-me, que a imagem da Margaret Tatcher, que o longa tenta vender, não fecha com os fatos históricos.
O filme inicia-se com a 'dama de ferro' mergulhada em sua demência, hoje intitulada, tecnicamente, de "Alzheimer". Certamente, isso causou um desconforto para os filhos e netos da ex-Primeira Ministra da Grã-Bretanha. O caso com a posse das Ilhas Falklands, ou Malvinas para os 'hermanos', continua atual na iminência dos 30 anos do conflito armado. O príncipe esteve por lá, logo após seu casamento, e isso chamou a atenção da opinião pública mundial.
Argentinos e britânicos detestaram o filme e o "The Telegraph" foi o tablóide inglês que mais detonou o longa, que concorre ao Oscar de melhor filme e Meryl Streep busca uma estatueta, de Melhor Atriz, concorrendo pela 17ª vez.
A atuação da atriz é memorável, mas o longa tem problemas e agrava um litígio entre os dois países. Afora isso, ela foi homenageada no Berlinale 2012 com um Urso Honorário. Bem merecido!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

COM O CINEMA EM DIA (2)

No próximo comentário, falarei dos outros longas a que assisti aqui no RJ: "As mulheres do 6º andar", de Philippe Le Guay, e ao "A Dama de Ferro", de Phylida Lloyd.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"A SEPARAÇÃO, DE ASGHAR FARHADI (2011)

O filme iraniano de Asghar Farhadi, que levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e o Urso de Ouro no Berlinale de 2011, pode levar os diletantes a imaginarem um longa sobre as minúcias de uma separação, no espectro da cultura persa. Nada disso! Através do longa, temos os dilemas que o Corão impõe a uma sociedade, marcada pelo espelhamento da vida consumista do Ocidente, das TVs por assinatura e da alienação diante da questão nuclear, simplesmente porque os cidadãos que têm posses não assistem às TVS estatais.
Pouco encontrei de densidade psicológica na construção do papel da esposa da trama, meio inócua, que quer ir embora do Irã, obtém seu visto, mas o marido nega-se a partir com ela por conta de ter um pai com Alzheimer, sob sua tutela, em estágio avançado. Assim, o fato de ela desejar sair do país determina o pedido de divórcio, ao qual o marido é refratário, mas não quer, ao mesmo tempo, impedi-la de viajar. A esposa vai embora do apartamento do casal e segue para a casa de seus pais; no entanto, a filha (Sarina Farhadi, filha do próprio diretor e talentosa iniciante), permanece junto ao pai e testemunha uma fatalidade que ocorre na vida familiar.
A rigor, o estopim da trama é o fato de que o marido contrata uma mulher de meia idade para ser a cuidadora de seu pai doente, mas as leis do Corão não permitem que ela o veja nu e, mais ainda, que trabalhe no apartamento de patrões, em cujo lar a esposa não está presente.
Colocadas essas duas questões, o filme trata muito mais de impasses de ordem religiosa e moral, dinamizando um enfrentamento ético de um marido/uma esposa, separados por diferenças e conflitos pessoais, além de uma posição unívoca, visivelmente contra os excessos da Revolução Islâmica.
De outro lado, um outro casal, o da 'cuidadora', que fora acusada de manter o senhor doente amarrado pelo pulso em sua cama, por conta de uma saída do apartamento em caráter de emergência.
O fato de a 'cuidadora' estar grávida e seu marido não estar ciente de que trabalha no apartamento do casal separado gera um problema moral entre o mesmo, além de desencadear o episódio da perda do bebê, inicialmente alegada como resultado de um empurrão do patrão/pai do senhor doente, ao descobrir o episódio do cativeiro. No desenlace da trama, descobre-se que a 'cuidadora' mentiu, ao afirmar na Justiça que perdeu o bebê na queda da escada. O bebê já não se mexia mais, quando ocorreu o incidente. Na verdade, com a iminência de um valor monetário que poderia livrar o marido da 'cuidadora' de credores, ela manteve sua versão.
Diante do Corão, jamais uma mulher devota mentiria frente a familiares e credores. Portanto, a farsa se desfaz e o filme termina em suspense, sem resolução, quando a filha do casal separado é convocada pelo Juiz da Vara da Família a revelar com quem gostaria de viver: pai ou mãe.
A menina fora três vezes coagida a falar o que o pai desejava; portanto, a filha sofre um mesmo tipo de coação, que as mulheres sofrem na cultura islâmica, desde sempre.
Assistam e comentem!