terça-feira, 8 de maio de 2012

CINEMA E TEATRO EM PORTO ALEGRE

Estive em Porto Alegre nos últimos dois finais de semana! Além dos encontros com amigos, tive a oportunidade de assistir ao documentário sobre o Raul Seixas, de Lula Carvalho ("Raul Seixas: o início, o fim e o meio"). Persona irreverente, músico e compositor, influenciou várias gerações de artistas  no Brasil. O filme é afetivo e exalta o papel fundamental que a música de Raul teve junto à juventude que vivia, dolorosamente, os tempos duros da ditadura militar no Brasil. Ainda que o mesmo tenha dado muito espaço às preleções e percepções de Paulo Coelho, considero importante que a galera jovem, que pouco conhece o rock'n roll made in Brasil, confira-o.
Assisti depois ao filme que revela um episódio vivido por Marilyn Monroe em Londres ("Sete dias com Marilyn", de Simon Curtis), ao filmar com Sir Laurence Olivier a comédia romântica "O príncipe encantado".  O filme é mediano, mas a interpretação de Michelle Williams é interessante e convincente.Por fim, o terceiro longa foi magistral! trata-se do filme de Agnès Varda sobre ela mesma, sua vida e sua cinematografia. Assisti-o no Guion Center em uma sala lotada de gente educada e que, certamente, prestigia cinema de arte em Porto Alegre. O filme é belo e surreal em algumas cenas, o que, considerando o fato de que a poética de Varda conjuga elementos da vertente Surrealista no cinema, não oi de surpreender. Esse, sim, deve ser conferido por aqueles que prezam a sétima arte.


Quanto à virada teatral que vivi neste último final de semana, em Porto Alegre, quero apenas destacar que o último espetáculo do Terça Insana, ocorrido em duas noites no Teatro do Bourbon, 4 e 5 de maio, exigia um nível de informação econômico-política do público bem maior que seus esquetes anteriores. O grupo desfraldou seu posicionamento político, em vários dos quadros, de modo irreverente, fazendo jus à acidez que tornou o projeto Terça Insana conhecido pelo You Tube, muito mais pelos palcos. Carlinhos Canhoeira, Demóstenes Torres, Dilma, Serra e Lula não escaparam da conjugação humor e política.


No domingo, dia 6 de maio, acompanhei, no Theatro São Pedro, às 14h30, um debate muito interessante sobre a atualização do trágico no teatro brasileiro. Estavam lá o diretor Gabriel Vilella (também dirigiu o suntuoso espetáculo "Calígula", com Thiago Lacerda, em 2010, no TSP) , da tragédia "Hécuba", de Eurípedes, que  ocorreu às 18h no mesmo recinto, o diretor Aderbal Freire-Filho, do RJ, que estava atuando em uma peça do Palco Giratório do SESC em POA, Paulina Nólibos, docente de História Antiga, diretora teatral  e integrante do grupo Oi Nóis Aqui Traveiz, de POA, e, por último, Juliana Galdino, de SP.
Cada um deles atestou sua experiência sobre as traduções e as montagens de tragédias gregas. Tarde bacana! Depois, às 18h, iniciou-se a montagem de "Hécuba", a mãe de Heitor, ao final da guerra de Tróia, que viveu a dor de presenciar o sacrifício de sua filha aos deuses dos aqueus.  

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