terça-feira, 31 de julho de 2012

SOBRE O "FAUSTO", DE MURNAU

Este pequeno comentário é do Elstor L. Petry, amigo querido de Hamburg, Alemanha, e uma pessoa muito culta. Resolvi copiar-e-colar o texto do email que recebi hoje dele, 31 de julho de 2012.



"Fausto", filme mudo de Murnau.
Friedrich Wilhelm Murnau nasceu em 28 de dezembro de 1888 em Bielefeld, na Renânia do Norte – Westfalia,  e faleceu em 11 de marco de 1931 em Santa Bárbara, nos Estados Unidos.
“Fausto”  (Faust eine Deutsche Volkssage, 1926)  foi seu último filme feito na Alemanha. Tem sua base nas obras de Marlowe, Goethe e no folclore alemão. As legendas foram escritas por Gerhart Hauptmann, já na época um renomado poeta.
O filme foi lançado quando o expressionismo alemão já se encontrava em declínio. Uma superprodução da U.F.A – Berlin, com expectativas de grande sucesso, com um enorme investimento financeiro. Foi na Alemanha, lamentavelmente, um grande fracasso, ignorado pela crítica e pelo público.  O devido valor ao filme e homenagem a Murnau foram dados somente depois da 2ª Grande Guerra.
Ele foi pioneiro na contenção imóvel da câmara, surtindo efeitos especiais, criando um clima místico, notabilizado pela estilização dos cenários, dramatização e movimentos dos personagens colocados em cena. A iluminação, a decoração, o jogo dos atores, o jogo de linhas e formas colocavam peso ao drama e aos personagens. A arquitetura do vilarejo, onde tudo acontece, com seus telhados pontudos, lado a lado para economizar o espaço do terreno. No interior delas os ambientes pequenos, apurando a claustrofobia, angustiante frustração dos personagens, profetizando a epidemia de peste negra que está ante as portas. O horror acompanha a narrativa. Encontramos elementos  do expressionismo nas cenas de ruas que exprimem angústias, as feiras que simbolizam o caos da Alemanha pós-1ª Grande Guerra, as escadas são símbolo da ânsia de se desenvolver espiritualmente e materialmente. Tanto o Fausto de Goethe como o de Murnau espelham a burguesia que surgiu com a Revolução Industrial, a decadência da aristocracia, conscientização de valores como a educação dos filhos, uma boa situação financeira e a honra pessoal.

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