terça-feira, 13 de novembro de 2012

FEIRA DO LIVRO, MÚSICA NO ODEON, LITERATURA E CHINA NOVAMENTE...

(post re-revisado. Meu blog está atingindo hoje 14 mil acessos aos posts!)

Neste finde, voltei à Feira do Livro de Porto Alegre. No sábado à tarde, havia filas longas em direção ao estande dos autógrafos, sob um imenso calorão! Fotografei um grupo de umas 15 pessoas, do Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça, que faziam uma manifestação com cartazes nas mãos, denunciando a impunidade de um militar torturador, ainda vivo. Antes de ir à Feira, estive no cinema. Fui ao Cine Guion assistir à produção franco-libanesa, "Aonde vamos agora?" (Et Maintenaint, On Va Où?, de 2011), da diretora libanesa Nadine Labaki,  conhecida pelo longa "Caramel", de 2007. O filme retrata uma aldeia distante no interior do Líbano, cujas mães e esposas, de luto pelos filhos e esposos mortos nos conflitos religiosos entre muçulmanos e cristãos, visitam o cemitério na cena inicial. Algumas delas, lideradas pelas mais maduras, resolvem boicotar as notícias sobre os conflitos na única TV pública  do povoado e em um  impresso, que lhes chega de moto, diariamente, de uma cidade maior, nas proximidades. O modo pelo qual as líderes deliberam, no sentido de distrair seus maridos em relação ao que ocorre no país e ao seu inexorável destino, dá uma atmosfera de fábula à narrativa e um tom  surreal ao desenrolar do filme, sem contar que se trata de um semi-musical, cantado em libanês, claro! Não comentarei o desfecho aqui! Muito bom! Recomendo-o! No domingo, optei pelo Irã, na visão hollywoodiana de Ben Affleck, o incensado "Argo", de 2012, com o próprio diretor como protagonista (que também é produtor com George Clooney, além de roteirista! Uau!), o caricato John Goodman e um bom elenco. Apreciei o ritmo, o suspense, a ação, o roteiro, as imagens documentais, a construção de época, a fotografia, com imagens de Teerã. No entanto, considerei-o nacionalista demasiado, americanófilo de doer. Foi difícil de suportar, fora o fato de que há uma cena que mostra o reflexo do tórax do Affleck em um espelho de hotel, vestindo uma camisa! Totalmente dispensável! De qualquer modo, penso que todos têm de conferir, independente de meu ponto de vista. O episódio retratado pelo longa é verídico, foi realmente uma perigosa missão da CIA, protagonizando a produção de um filme 'fake', o "Argo", ficção científica, que deu certo e salvou a vida de seis funcionários da Embaixada dos EUA, em Teerã. À noite, no sábado, fomos ao Odeon, um bar no centro de Porto Alegre, fundado há 27 anos, na Andrade Neves. Aos sábados à noite, às 21h30, com couvert a módicos 10 reais, o notável guitarrista James Liberato toca com seu power trio, o Mig Trio, constituído pelo Fernando Petry, um baixista animal, bom pra caramba, e o Jua Ferreira na batera (esse batera eu não conhecia). O som deles é uma fusão de rock,  jazz e umas pegadas de funk. Ora lembrou-me o Pat Metheny brincando na guita com o baixo de Charlie Haden; ora o som da banda do virtuoso Jeff Beck. O Odeon mantém um cardápio enxuto: chopp, fritas e maravilhosos (e verdadeiros, pasmem!) bolinhos de bacalhau! Faltou no cardápio o "rim ao óleo e alho", mas o garçon-patrimônio-da-casa estava à procura de um doador para superar  a carência.  Quanto à literatura, neste finde, li as preliminares do romance que minha filha está escrevendo, no gênero chick lit. Mais uma vez, discutimos sobre a trilogia fanfic "50 tons de cinza", da Erika James. Eu fazendo a crítica; minha filha, a defesa (ela explica que a James apenas ressignificou o universo do vampirismo e o dignificou como sadismo nos '50 tons de cinza')! Ela (a filha) aprecia o gênero representado atualmente pelas obras da Lauren Weisenberg, da Sophie Kinsella e da Marian Keyes. Para terminar, comprei na Cultura Os Analectos,  de Confúcio, relançados há pouco, e a segunda edição do belo volume de poemas chineses clássicos, traduzidos pelo Haroldo de Campos, e ampliados pelo Trajano Vieira, em uma edição belíssima da Ateliê Editorial. Atrevi-me a fotocopiar uma das odes, do "Livro das Odes", compiladas pelo próprio Confúcio, no século VI a. C., e levei-a para a aula de "Filosofia e Cultura Oriental"  de hoje, para meus alunos sentirem a musicalidade da transcriação pilotada pelo saudoso e querido Haroldo de Campos, que nos deixou há quase uma década. Continuo parada na China (ou avant la lettre?)....

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