domingo, 28 de julho de 2013

SOBRE O LONGA 'RENOIR', DE GILLES BOURDOS

Meus amigos estão ávidos, aguardando o pau que eu vou dar no último longa do Terrence Malick, diretor que aprecio e respeito muito, lançado no Brasil nesta sexta, dia 27 de julho, mas vou iniciar as minhas considerações pelo "Renoir", porque foi o primeiro filme a que assisti na quinta, dia 26 de julho em Porto Alegre, chegada da rodoviária e com mochila nas costas: da estrada para uma das salas do Itaú, sem almoçar, tal a minha tara por cinema! Do Bourdos, assisti apenas a um longa de 2003, o "Inquietudes", nada mais. A rigor, no Brasil só se teve notícia de mais um de sua lavra, o "Depois de partir", de 2008, mas não o conferi. O roteiro de "Renoir" é assinado pelo próprio Bourdos, mais Jacques Renoir, Jérome Tonnerre e Michel Spinosa. Na verdade, o filme não é sobre a vida do pintor impressionista, não trata de seu processo de criação artística, embora ele comente em algumas passagens sobre as suas composições pictóricas (que o aproximaram de Rubens e de mestres italianos, como Tiziano) ao ar livre, capturando luz e cores, não é sobre os amores e modelos de Renoir e as vendas que o famoso marchand dos impressionistas, Ambroise Vollard, fazia de sua telas, mas, sim, sobre sua relação com os filhos, sua devoção à esposa falecida e, especialmente, sobre a paixão avassaladora que seu filho do meio, Jean Renoir, cultivava pelo cinema. Sou uma grande admiradora da cinematografia desse diretor. "A grande ilusão", de 1937,  e "A regra do jogo", de 1939, já os assisti mais de três vezes cada um. O filme mostra Jean barganhando um rolo para projetá-lo em casa, para o pai, sua modelo, as empregadas da família e o filho caçula do pintor, chamado de Coco. O pintor impressionista (Michel Bouquet) é retratado em uma fase difícil por conta da idade avançada e da artrite, que corroía as juntas das mãos e dos pés de Renoir. Há no MASP um de seus nus, que começou a pintar apenas após os 40 anos, sempre com a mesma modelo, Lise Tréhot, que trabalhou para ele até 1872: "As banhistas e o cachorro Grifon", de 1870, à moda de Coubert. O longa de Bourdos também explora seu relacionamento com uma de suas modelos, de pele alva, meio blasé, que se tornou amante de Jean Renoir e, por fim, casaram-se e fizeram cinema juntos. Anos depois, os dois se separaram e a atriz caiu no ostracismo. Jean Renoir tornou-se um diretor aclamado no circuito de cinema internacional. Ambos morreram no mesmo ano, 1979. Para concluir, não se trata de um filme imprescindível, mas ele é belo pela fotografia (assinada por Ping Bin Lee), pela trilha sonora de Alexandre Desplat e pela luz impressionista, que, por si só, transforma algumas cenas em obras de arte!

2 comentários:

  1. Mas afinal, você gostou do filme? Agora fiquei curiosa. Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  2. Terminei agora o post, porque recebi visita! Sim, apreciei bastante a luz, a trilha e a fotografia, mas, como comentei acima, não se trata de um grande filme! É uma leitura possível! Filha, descobri agora em minha biblioteca que tu me deste de 51 anos o terceiro livro do Záfon, o final da trilogia. Esqueci-me totalmente disse e o aceitei emprestado de uma amiga. Terminada leitura, achei o exemplar que me deste. Tu te esqueceste disso tb?

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