domingo, 16 de fevereiro de 2014

TUDO A QUE ASSISTI NO CINEMA: VERÃO 2014 (1ª PARTE)

Oi, pessoal! Quero deixar aqui inscrita a minha lista de filmes a que assisti no cinema entre janeiro e fevereiro, em Porto Alegre. Iniciarei pelos remakes, cult movies, que foram importantes para a minha geração. O 'Um corpo que cai' (Vertigo), de A. Hitchcock, saiu de cartaz de uma Sala Itaú. Quando ele reestreiou, a sala lotou e encontrei um amigo por lá em uma sessão após às 22h. Foi ótimo eu ter conferido a cópia porque não me lembrava de algumas cenas e de alguns detalhes. Da mesma forma, há uns 15 dias atrás, fui rever o "Fome de Viver", de Tony Scott, com a divina Catherine Deneuve e o camaleão David Bowie. O filme é um thriller do gênero gótico, sobre vampiros e suas eternas vidas entre os humanos, mas tem uma sofisticação ímpar não apenas pelo figurino, mas pela trilha musical, pela ambientação e pela estética da imagem. Os mais erotizantes são 'Ninfomaníaca', de Lars von Trier (sobre o qual escrevi neste blog, comentário muito lido na WEB) e "Azul, a cor mais quente', de A. Kechiche. Esse último o assisti há mais tempo, quando estreiou em Porto Alegre e não o comentei em meu blog, embora eu o tenha apreciado bastante. Depois, por ordem de afeto e apreço assisti aos:
'A Grande Beleza', de Paolo Sorrentino, que já foi agraciado com o Globo de Ouro 2014;
'Ela', de Spike Jonze, que comentei em um post logo abaixo deste;
'Philomena', de Stephen Frears, um diretor britânico que eu muito admiro, mas que há anos não conferia algo de sua lavra. A veterana e fantástica atriz Judi Dench é a protagonista deste longa e concorre a um Oscar de Melhor Atriz;
'O Lobo de Wall Street', de Martin Scorsese, com Leo Dicaprio arrasando, que disputará um Oscar de Melhor Ator;
'Blue Jasmine',  assistido há mais tempo, com a maravilhosa atuação de Kate Blanchet, que concorrerá a um Oscar de Melhor Atriz;
'Álbum de Família', de John Wells, com a não menos maravilhosa Meryl Streep, que também concorrerá ao Oscar de Melhor Atriz. Dá para sacar que o embate será grande neste ano.
A entrega ocorrerá pela TNT na noite de 2 de março. Por fim, ainda assisti a um filme que fez sucesso no Berlinale de 2013, 'Gloria', filme chileno de Sebastián Lielo, e à versão cinematográfica de 'A Menina que roubava Livros', de Brian Percival.
Aproveitem a safra e assistam, em especial, ao "Ela" (Her), porque ele é reflexivo e terapêutico, além do fato de que o Joaquin Phoenix está demais, como sempre! O filme "Trapaça" eu não tenho vontade de assistir; todavia, "12 de Escravidão" (ganhou o Bafta de Melhor Filme e de Melhor Ator) e "Caçadores de Obras-Primas" serão degustados no final de semana próximo! Abraço a todos!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

''HER" (ELA, 2013), DE SPIZE JONZE

Olá, amigos e leitores! Tenho de comentar o filme a que assisti no início desses dias de férias. Conferi dez filmes, sendo que um deles era um documentário musical e outro, uma reprise, o maravilhoso e cult Fome de Viver, de Tony Scott, em cópia remasterizada (com aquele preâmbulo sinistro da Bauhaus tocando 'Bela Lugosi is dead'). Todavia, de tudo o que vi e sorvi, tenho de destacar o longa de Spike Jonze, o "Her" (Ela, de 2013). Eu não prestei atenção nesse filme, quando o Globo de Ouro 2014 foi entregue (Spike Jonze foi agraciado com o prêmio de Melhor Roteiro). Cometi um grande deslize, porque fui assistir ao Ela sem referência alguma, uma vez que não leio nada de comentários críticos sobre os filmes a que assisto antes de eu escrever o de minha lavra. Pois bem, conheço o Jonze muito mais como diretor de clipes famosos. Como sou tarada por música, no final dos 90, lembro-me de um clipe muito massa que o Jonze dirigiu para a banda Chemical Brothers. Na época, a Sophia Coppola foi a protagonista, encarnando o papel de uma ginasta, que apresenta seu performance ao som da música Elektrobank. Dá para checar o clipe pelo You Tube. Anos depois, a Sophia Coppola tornou-se esposa de Spike Jonze, mas o casamento não durou muito. Também conheço o clipe de Jonze para a Daft Punk, Da Funk, e para a banda Arcade Fire, que, aliás, faz parte da trilha do longa Ela. Spike Jonze parece que aprecia muito o som desses cara da Arcade! Nao posso deixar de comentar que também conheço os dois CDs de Scarlett Johansson, atriz premiada e também cantora. Seu primeiro álbum surgiu em 2008 ("Anywhere I Lay my Head", em sua maioria interpretando canções de Tom Waits, também ator veterano e cantor), mas o ouvi apenas em 2011, quando uma grande amiga o trouxe para mim de NY. Seu segundo álbum intitula-se "Break Up", do qual só possuo uma cópia. A Scarlett eh interessante como intérprete porque ela tem uma voz rouca e manhosa. Rouca mesmo, todavia, é Caren O, que interpreta a canção do filme de Jonze, The Moon Song, letra alinhada ao roteiro do filme, que trata de uma relação de amor virtual, de um rapaz solitário, que escreve cartas para ganhar a vida, e seu Sistema Operacional (SO), com uma voz feminina, justamente a voz de Scarlett, que não aparece visualmente no filme, mas apenas através de sua marcante e inconfundível voz (a canção-tema do filme é de Caren O, The Moon Song: I'm lying on the moon/ My dear, I'll be there soon/ It's so quiet starry place/ It's a dark and shiny place". Essa canção está concorrendo a Melhor Canção Original no Oscar 2014). O Sistema Operacional chama-se Samantha e é com ela que o personagem do ator Joaquin Phoenix interage durante o dia - e em sua alcova. O filme foi categorizado como comédia, mas não o considero como tal. Ele é melancólico e reflexivo, desvelando uma metáfora potente sobre a aridez dos relacionamentos interpessoais na era digital, sua indefectível superficialidade e, sobretudo, sua forma "líquida" (usando uma expressão de Bauman) com a qual se expressam, que vão e vêm de maneira volátil. Espero que esse filme ganhe também um Oscar de Melhor Roteiro na noite de 2 de março. Os filmes que Spike Jonze dirigiu em 1999 (Quero ser John Malkovich) e em 2002 (Adaptacao) também tiveram indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar, embora o roteiro desses tenha sido assinado por Charlie Kaufman, não por Jonze. Para encerrar, eu gostaria de deixar uma provocação: por que o figurino do filme não condiz com o período em que o mesmo se desenrola? Se os Sistemas Operacionais chegaram a um sofisticado performance no seculo XXI, por que as roupas do protagonista e coadjuvantes é da década de 80, com o cós alto na cintura e a boca larga nas pernas das calças (vintage?)? Quem se habilita a dar um palpite? Valeu!