domingo, 18 de dezembro de 2016

ADEUS 2016, ADEUS RS, ADEUS BRASIL!

Olá, caros Leitores!

Agradeço o prestígio a este blog e aproveito para divulgar a minha colaboração no blog de viagens "Mochila e Passaporte"! Visitem essa página, vale a pena!

Não possuo mais minhas páginas no Facebook! Não utilizo mais essa rede. Tenho uma conta no Instagran e é pelos blogs que vocês lerão minhas dicas de viagem e meus comentários críticos sobre Arte e Cultura, a partir de 2017, quando não estarei mais vivendo no Brasil.

Um bom final de ano a todos, grata pelas leituras de meu blog e que 2017 não seja pior que 2016. We hope so!

Abraços,

Rô J. Candeloro



sábado, 30 de julho de 2016

TRADUÇÃO DE SCHOPENHAUER

Para os que se interessam pelo pensamento de Schopenhauer, traduzi, pela Editora Zouk, de Porto Alegre, seis ensaios de 'Parerga und Paralipomena', de 1851. Um dos ensaios é sobre o suicídio. Muito interessante! O livro pode ser adquirido pela página da editora, www.editorazouk.com.br, a R$ 60,00. Grata pela atenção!

terça-feira, 22 de março de 2016

ORTÍGIA, ILHA DE SIRACUSA (SICÍLIA): ONDE TUDO COMEÇOU!

Ao final de minha viagem, estive passeando em Ortígia, uma ilhota ligada a Siracusa por duas pontes. Chegando lá de trem (saindo da Catânia, onde eu estava hospedada), encontrei-me com a baiana Patrícia Kalil, mentora do blog "Descobrindo a Sicília", e que muito me ajudou a elaborar o roteiro de viagem pelo país, além de ter respondido a todas as minhas dúvidas. Pude caminhar com ela durante a tarde na antiga Ortígia, cuja fundação data do século VII a. C. realizada por gregos procedentes de Coríntio. Encontramo-nos junto às ruínas do Templo de Apolo e, no final do passeio, fizemos esta foto na Fonte de Artemis, na Praça de Arquimedes:
Patrícia acompanhou-me até a Catedral de Siracusa e à Igreja de Santa Lúcia, padroeira da cidade.
A Catedral de Siracusa, ou Duomo de Siracusa, é algo particular! Eu já havia visto algumas fotos, mas apreciar uma obra de arte tão eclética, ao vivo, é uma outra experiência! O Duomo mistura o estilo do Barroco tardio com alguns detalhes do Barraco espanhol. Na lateral do Duomo, observam-se as antigas colunas de um templo a Athenas. Seus capitéis são dóricos. Veja, a seguir:
No entanto, na parte superior do Duomo, a colunata que mantém a catedral tem capitéis dóricos. Andrea Palma assina a reconstrução do prédio, porque, como expliquei em um post anterior, todo o Leste da Sicília foi destruído por um terremoto no século XVIII.
A foto acima é de uma pequena capela, dentro do Duomo, em estilo bizantino! Austera e bela! Também há um nicho consagrado à padroeira da cidade, Santa Lúcia, com algumas relíquias expostas à visitação.
Acima, sou eu imitando a caminhada de "Malena", longa de G. Tornattore, filmado em Noto e nesta Piazza del Duomo, em Siracusa. Ao fundo, está a igrejinha de Santa Lúcia. Lá, não se pode fazer fotos. No altar, encontra-se, para o arrepio dos apreciadores de arte barroca contrarreformista, a magistral tela de Caravaggio, "O sepultamento de Santa Lúcia".
Acima, vê-se a Fonte de Aretusa que remonta a um mito grego: Artemis colecionava ninfas. Aretusa era uma delas. Um dia, ao tomar um banho nua em um rio, fez um fã obsessivo, Alfeu. O tal Alfeu a perseguiu de tal forma, que Artemis teve de intervir para salvá-la: transformou a ninfa nesta fonte e o tarado Alfeu, em um rio. Nas águas desta fonte há uma abundância de plantas de papiro. Em Ortígia, alguns dos souvenirs são produzidos à base de papiro.
Abaixo, uma foto do antigo Mercado de Ortígia, no qual há bancas de frutas sicilianas e frutos do mar!
Para encerrar este relato, a Patrícia levou-me, no meio daquela tarde de fevereiro, para comer em uma espécie de delicatessen, na qual encontramos os maravilhosos produtos sicilianos, acompanhados de um vinho tinto local:
Agradeço, publicamente, à atenção da Patrícia Kalil, que viajou a Siracusa para me conhecer e passear comigo. Para quem vive na Sicília há oito anos, como ela, pude desfrutar de uma companhia alegre, parceira e conhecedora da cultura local! Voltarei a Siracusa em 2017 para visitar o que não foi possível conferir em um bate-e-volta de um dia.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A ANTIGA CATÂNIA, CENTRO HISTÓRICO!

Nas cinco noites em que estive na Catânia, Sudeste da Sicília, fui ao vulcão Etna (ler post anterior), ao Carnaval de Acireale, a Siracusa (post a ser escrito) e a Valetta, Malta (post a ser escrito). Fiz uma caminhada pelo centro histórico da cidade, no meu primeiro dia. Catânia foi fundada no século VIII a. C. pelos calcídicos, gregos originados na Ilha de Eubeia. A santa padroeira da cidade é Ágata. Abaixo, o Duomo de Catânia. Nele, estão depositados os restos mortais do grande maestro Belinni, natural da cidade. A catedral (duomo) foi construída no século XI, sobre as termas romanas da cidade, mas teve de ser reconstruída várias vezes por conta de terremotos e erupções do vulcão Etna. Na última vez em que teve de ser remodelada, tornou-se uma igreja em estilo barroco:
Ágata era filha de nobres da Catânia. Viveu entre os séculos III e IV a. C., ou seja, ainda no período de dominação romana. Foi presa e torturada pelo governante romano da época. São Pedro teria visitado Ágata na prisão e curado suas feridas. Ela faleceu no dia 5 de fevereiro de 251 ou 254. As relíquias de Santa Ágata estão depositadas em nichos dentro da catedral. Cheguei na Catânia justamente no dia 6 de fevereiro para não esbarrar com milhares de devotos da santa, que é a protetora da cidade contra os terremotos. Vi pela TV a romaria gigante rumo à catedral.

A seguir, um sítio arqueológico romano dentro da área do Mosteiro dos Beneditinos, fundado do século XVI e reconstruído no século XVII, após uma erupção do Etna e um terremoto. Hoje, ele é propriedade da prefeitura municipal e patrimônio cultural outorgado pela UNESCO. Na segunda foto, abaixo, vê-se o portão principal do ex-mosteiro, em estilo barraco tardio [esse estilo imperou na Sicília entre 1730 e 1780, após uma erupção do Etna que destruiu a região Leste da ilha. O estilo barroco tardio possui as curvas e os floreios do barraco clássico, mas os arquitetos sicilianos adicionaram algo bem peculiar a ele, que são as máscaras e as figuras de pequenas crianças aladas, que estão presentes nas grandes janelas do mosteiro]:

O elefante, símbolo da cidade, um elemento mítico que protege a Catânia das erupções do Etna, fica em uma fonte na Piazza del Duomo, no coração de seu centro histórico, e foi construído no século XVIII com pedra lávica, sob a dominação espanhola:

 E, por fim, o Teatro Romano e o Odeón, escondidos no perímetro urbano, entre prédios e casas da Catânia, datam do século I da era cristã.


quarta-feira, 9 de março de 2016

O VULCÃO ETNA, NA CATÂNIA (SICÍLIA)

Após cinco dias intensos na capital da Sicília, Palermo, de 1º a seis de fevereiro (ler os relatos anteriores), fui até o Sudeste da ilha de trem, a Catânia, mais especificamente. Comprei as passagens de ida e volta pelo site do Trenitalia a 27 euros, incluindo a taxa de emissão. Imprimi as passagens,  que foram apresentadas durante a viagem ao funcionário da empresa. É preciso validar as passagens, compradas pelo site oficial, em máquinas que se encontram espalhadas pelas estações férreas. Só existe a 2ª classe nos trens da Sicília e não há vagão-restaurante. Levem água e lanche para as viagens mais longas. A minha durou 2h40, de Palermo a Catânia. De dentro do trem, fotografei o vulcão Etna. Vejam,
que linda vista!
No domingo, dia 7 de fevereiro, Carnaval, um guia chamado Daniele (da operadora Sicily Touring, passeio comprado no site da empresa por 47 euros) buscou-me no Hotel Villa Romeo (recomendo muito, bem pertinho da estação de trem) e fomos, em um grupo de seis pessoas, visitar as proximidades da Cratera Silvestre do vulcão Etna.  Também entramos em uma caverna de material lávico, encontrada há dois anos, com 1,4km de profundidade. Com capacetes e muitas instruções, descemos até o primeiro saguão da caverna:

Foi um passeio incrível de muitas horas. Por volta das 16h, o guia nos levou a um entreposto, na área do Etna, para degustarmos produtos locais. Foi uma festa! Todos degustamos e saímos de lá com muitas sacolas de mel, azeite de oliva, biscoitos com pistache, pastas, geleias, azeitonas e vinhos. Tudo produzido por agricultores locais em solo lávico!


domingo, 28 de fevereiro de 2016

VIAGEM À SICÍLIA (Palermo - Parte 5)

Encerrando meus comentários sobre o que visitei em Palermo, de 1º a 6 de fevereiro de 2016, eu não poderia deixar de comentar as duas coleções que conferi no Palazzo Branciforte. A seguir, as fotos:


Através de escavações arqueológicas, sabe-se que figuras de madeira eram manipuladas no Egito. Na Europa, o teatro mecânico apareceu no século XVI e era denominado de "retablo", muito difundido na Espanha, aludido até pelas obras de Cervantes. Na Itália, os títeres movidos a fios são chamados de "fantoccini" ou "fantoccio". O mais famoso deles é Pinocchio. Em Palermo, há uma coleção expressiva de títeres (pupi) intitulada Giacomo Cuticchio, que o Banco da Sicília comprou; tornou-se patrimônio da humanidade, decretado pela UNESCO e está sob a guarida do Palazzo Branciforte, que também foi danificado nos bombardeios da Segunda Guerra, mas, após sua recuperação, vale a pena ser visitado. Há uma lojinha no museu, guias e um lindo restaurante com um cardápio delicioso a preços adequados para o turista. Almocei lá e não me esquecerei mais dele.
A segunda coleção que visitei no Palazzo Branciforte foi a de artefatos funerários, escavados nos Anos 70 e comprados pelo Banco da Sicília, constituindo uma importante coleção arqueológica. São peças em cerâmica e terracota, uma parte pequena dos fenícios e, depois, dos coríntios, que fundaram Ortígia, ilha pertencente a Siracusa, no século VII a. C. Aí vão algumas fotos:


Por fim, visitei o Palazzo Abatellis, especialmente, para visitar a galeria na qual está exposto o famoso mural do século XV, de um anônimo, não restaurado, e bem desbotado na verdade, mas belo. É uma tela que expressa o imaginário sobre a morte nesse século e seu título é "O Triunfo da Morte". Eu a descobri assistindo ao filme de Win Wenders, "Palermo Shooting" (2008). Resolvi depois viajar à Sicília. 
A seguir, o mural na íntegra e abaixo, um detalhe. A terceira foto é da área interna do palazzo, que abriga também uma coleção de arte de pintura, escultura e arte decorativa, da Sicília, entre os séculos XII ao XVII.


Faltou uma referência a um ponto clássico da capital para quem visita Palermo, que é a confluência das avenidas Maqueda e a Vittorio Emmanuelle. Lá está uma magnífica obra do século XVII, o chamado "Quattro Canti". Em cada esquina, há uma fonte, uma santa padroeira da cidade e um monarca. As santas são: Ágata, Oliva, Ninfa e Lúcia. Santa Rosalia é a santa padroeira popular, que teria protegido a capital siciliana da peste. Não está representada nos "Quattro Canti". Esta obra arquitetônica é também conhecida por "Octágono do Sol".




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

VIAGEM À SICÍLIA (Palermo - Parte 4)

Abaixo, a primeira foto apresenta o Duomo de Palermo (Catedral). Ele é enorme e  em estilo oriental. Até o século XII, foi uma igreja bizantina. Depois, foi sendo acrescido de arcos, por conta de uma rivalidade entre essa e o belíssimo Duomo de Monreale, representado nas fotos de 2 a 5, que fica localizado em uma colina, da qual se enxerga Palermo lá embaixo. Dentro da Catedral de Palermo estão os restos mortais da patrona da capital, Santa Rosalia. Achei o Duomo de Monreale muito mais belo, a começar pelos seus mosaicos. Vejam:





Abaixo, está o Palazzo Real ou Palazzo dei Normanni (Palácio dos Normandos), dentro do qual está a belíssima Capela Palatina. Há missa em Latim e canto gregoriano  aos domingos. Esse palácio era uma fortaleza, inicialmente, no século XII, depois transformada em residência real. Desde 1947, funciona em suas dependências a Assembleia Regional Siciliana e pode-se visitar todos os segmentos internos com um áudio na compra de um ingresso de 14 euros. É caro, mas vale a pena!





                 Aguardem o relato 5. Abraço!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

VIAGEM À SICÍLIA (Palermo - Parte 3)

No primeiro dia de chegada a Palermo, eu dormi 12h. Acho que fiquei meio preocupada com a mala perdida, algo que nunca havia me acontecido antes em 20 anos de viagens ao Velho Mundo. Minha mala foi encontrada e ligaram-me para o BeB no qual eu estava. Foi assim que conheci o Camillo, uma rica criatura, um siciliano apaixonado por Palermo, que faz transfer e sabe muito de História. O funcionário do BeB o chamou para me levar ao aeroporto de Palermo e fazer o resgate de minha mala. Isso na terça pela manhã, dia 2 de fevereiro, após eu ter dormido demais. O Camillo não apenas me levou ao aero, mas me acompanhou, trouxe-me de volta para a cidade e mostrou-me alguns pontos turísticos, aos quais retornei à tarde. Vou postar as fotos e comentar cada lugar, um a um. Acho que assim fica mais interessante para quem está acompanhando o relato. Vamos lá:







As três primeiras fotos são do Museu Arqueológico Regional Antonio Salinas, abrigado em um prédio do século XVI, como quase todos os "pallazzi" de Palermo são, que guarda antiguidades fenícias e greco-romanas, doadas pela Universidade de Palermo. O prédio foi muito danificado com os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Vocês sabem que os italianos/sicilianos faziam parte do Eixo. Os aliados bombardearam Palermo e várias outras cidades sicilianas e invadiram a ilha em 1943, na operação intitulada Husky. Isso foi fundamental para a Itália sair do Eixo e da Guerra, o que enfraqueceu sobremaneira o exército nazista. Não encontrei nada sobre a Segunda Guerra em Palermo. Sequer uma mostra fotográfica sobre os 70 anos do final da guerra, que, afinal, foram comemorados em 2015. Fiquei triste por isso e as pessoas com as quais conversei, inclusive o Camillo, não sabem o motivo de não existir nada sobre o tema.
As outras fotos subsequentes são do gigantesco e lindo Teatro Massimo, uma casa de óperas e concertos, a terceira da Europa, ficando atrás apenas do prédio da Ópera de Viena, na qual assisti a duas óperas em 2015, e depois da Ópera de Paris. O cartaz da foto é da ópera a que assisti dois dias após a minha visita de dia ao prédio. Assisti à terceira parte da trilogia de Wagner, O anel dos Nibelungos, intitulada 'Götterdämmerung', algo como o Crepúsculo/Decadência dos Deuses. A penúltima foto é da galeria na qual me sentei. O ingresso custou quase 70 euros com as taxas de conveniência. Troquei o vaucher pelo ticket na entrada. O prédio foi inaugurado em grande estilo numa noite de 1897. A ópera encenada foi 'Falstaff', de Verdi. Conta a lenda que o Rei Umberto, monarca que reinava na Sicília à época, chegou de carruagem para o espetáculo de inauguração. Ficou embevecido com o prédio, em estilo normando misturado a colunatas clássicas, e exclamou: - Magnífico, mas ele é demais para "eles" (os burgueses palermitanos! Hahahaha!). O rei retirou-se e parece que deixou a todos perplexos. No intervalo da ópera, após os dois primeiros atos, desci até o elegante bar e vi casais e jovens palermitanos conversando e rindo entusiasmados. Não estava muito frio! Vesti-me bem para ir à ópera! A última foto, mesmo noturna, revela as escadarias do Teatro Massimo. Fiz a foto no intervalo para um querido amigo cinéfilo e afilhado, o Fernando Oliveira, pois foi nesta locação que a cena final do terceiro filme de 'O Poderoso Chefão', do Coppola, foi produzida.
Aguardem a Parte 4. Ciao! Un baccio!