terça-feira, 22 de março de 2016

ORTÍGIA, ILHA DE SIRACUSA (SICÍLIA): ONDE TUDO COMEÇOU!

Ao final de minha viagem, estive passeando em Ortígia, uma ilhota ligada a Siracusa por duas pontes. Chegando lá de trem (saindo da Catânia, onde eu estava hospedada), encontrei-me com a baiana Patrícia Kalil, mentora do blog "Descobrindo a Sicília", e que muito me ajudou a elaborar o roteiro de viagem pelo país, além de ter respondido a todas as minhas dúvidas. Pude caminhar com ela durante a tarde na antiga Ortígia, cuja fundação data do século VII a. C. realizada por gregos procedentes de Coríntio. Encontramo-nos junto às ruínas do Templo de Apolo e, no final do passeio, fizemos esta foto na Fonte de Artemis, na Praça de Arquimedes:
Patrícia acompanhou-me até a Catedral de Siracusa e à Igreja de Santa Lúcia, padroeira da cidade.
A Catedral de Siracusa, ou Duomo de Siracusa, é algo particular! Eu já havia visto algumas fotos, mas apreciar uma obra de arte tão eclética, ao vivo, é uma outra experiência! O Duomo mistura o estilo do Barroco tardio com alguns detalhes do Barraco espanhol. Na lateral do Duomo, observam-se as antigas colunas de um templo a Athenas. Seus capitéis são dóricos. Veja, a seguir:
No entanto, na parte superior do Duomo, a colunata que mantém a catedral tem capitéis dóricos. Andrea Palma assina a reconstrução do prédio, porque, como expliquei em um post anterior, todo o Leste da Sicília foi destruído por um terremoto no século XVIII.
A foto acima é de uma pequena capela, dentro do Duomo, em estilo bizantino! Austera e bela! Também há um nicho consagrado à padroeira da cidade, Santa Lúcia, com algumas relíquias expostas à visitação.
Acima, sou eu imitando a caminhada de "Malena", longa de G. Tornattore, filmado em Noto e nesta Piazza del Duomo, em Siracusa. Ao fundo, está a igrejinha de Santa Lúcia. Lá, não se pode fazer fotos. No altar, encontra-se, para o arrepio dos apreciadores de arte barroca contrarreformista, a magistral tela de Caravaggio, "O sepultamento de Santa Lúcia".
Acima, vê-se a Fonte de Aretusa que remonta a um mito grego: Artemis colecionava ninfas. Aretusa era uma delas. Um dia, ao tomar um banho nua em um rio, fez um fã obsessivo, Alfeu. O tal Alfeu a perseguiu de tal forma, que Artemis teve de intervir para salvá-la: transformou a ninfa nesta fonte e o tarado Alfeu, em um rio. Nas águas desta fonte há uma abundância de plantas de papiro. Em Ortígia, alguns dos souvenirs são produzidos à base de papiro.
Abaixo, uma foto do antigo Mercado de Ortígia, no qual há bancas de frutas sicilianas e frutos do mar!
Para encerrar este relato, a Patrícia levou-me, no meio daquela tarde de fevereiro, para comer em uma espécie de delicatessen, na qual encontramos os maravilhosos produtos sicilianos, acompanhados de um vinho tinto local:
Agradeço, publicamente, à atenção da Patrícia Kalil, que viajou a Siracusa para me conhecer e passear comigo. Para quem vive na Sicília há oito anos, como ela, pude desfrutar de uma companhia alegre, parceira e conhecedora da cultura local! Voltarei a Siracusa em 2017 para visitar o que não foi possível conferir em um bate-e-volta de um dia.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A ANTIGA CATÂNIA, CENTRO HISTÓRICO!

Nas cinco noites em que estive na Catânia, Sudeste da Sicília, fui ao vulcão Etna (ler post anterior), ao Carnaval de Acireale, a Siracusa (post a ser escrito) e a Valetta, Malta (post a ser escrito). Fiz uma caminhada pelo centro histórico da cidade, no meu primeiro dia. Catânia foi fundada no século VIII a. C. pelos calcídicos, gregos originados na Ilha de Eubeia. A santa padroeira da cidade é Ágata. Abaixo, o Duomo de Catânia. Nele, estão depositados os restos mortais do grande maestro Belinni, natural da cidade. A catedral (duomo) foi construída no século XI, sobre as termas romanas da cidade, mas teve de ser reconstruída várias vezes por conta de terremotos e erupções do vulcão Etna. Na última vez em que teve de ser remodelada, tornou-se uma igreja em estilo barroco:
Ágata era filha de nobres da Catânia. Viveu entre os séculos III e IV a. C., ou seja, ainda no período de dominação romana. Foi presa e torturada pelo governante romano da época. São Pedro teria visitado Ágata na prisão e curado suas feridas. Ela faleceu no dia 5 de fevereiro de 251 ou 254. As relíquias de Santa Ágata estão depositadas em nichos dentro da catedral. Cheguei na Catânia justamente no dia 6 de fevereiro para não esbarrar com milhares de devotos da santa, que é a protetora da cidade contra os terremotos. Vi pela TV a romaria gigante rumo à catedral.

A seguir, um sítio arqueológico romano dentro da área do Mosteiro dos Beneditinos, fundado do século XVI e reconstruído no século XVII, após uma erupção do Etna e um terremoto. Hoje, ele é propriedade da prefeitura municipal e patrimônio cultural outorgado pela UNESCO. Na segunda foto, abaixo, vê-se o portão principal do ex-mosteiro, em estilo barraco tardio [esse estilo imperou na Sicília entre 1730 e 1780, após uma erupção do Etna que destruiu a região Leste da ilha. O estilo barroco tardio possui as curvas e os floreios do barraco clássico, mas os arquitetos sicilianos adicionaram algo bem peculiar a ele, que são as máscaras e as figuras de pequenas crianças aladas, que estão presentes nas grandes janelas do mosteiro]:

O elefante, símbolo da cidade, um elemento mítico que protege a Catânia das erupções do Etna, fica em uma fonte na Piazza del Duomo, no coração de seu centro histórico, e foi construído no século XVIII com pedra lávica, sob a dominação espanhola:

 E, por fim, o Teatro Romano e o Odeón, escondidos no perímetro urbano, entre prédios e casas da Catânia, datam do século I da era cristã.


quarta-feira, 9 de março de 2016

O VULCÃO ETNA, NA CATÂNIA (SICÍLIA)

Após cinco dias intensos na capital da Sicília, Palermo, de 1º a seis de fevereiro (ler os relatos anteriores), fui até o Sudeste da ilha de trem, a Catânia, mais especificamente. Comprei as passagens de ida e volta pelo site do Trenitalia a 27 euros, incluindo a taxa de emissão. Imprimi as passagens,  que foram apresentadas durante a viagem ao funcionário da empresa. É preciso validar as passagens, compradas pelo site oficial, em máquinas que se encontram espalhadas pelas estações férreas. Só existe a 2ª classe nos trens da Sicília e não há vagão-restaurante. Levem água e lanche para as viagens mais longas. A minha durou 2h40, de Palermo a Catânia. De dentro do trem, fotografei o vulcão Etna. Vejam,
que linda vista!
No domingo, dia 7 de fevereiro, Carnaval, um guia chamado Daniele (da operadora Sicily Touring, passeio comprado no site da empresa por 47 euros) buscou-me no Hotel Villa Romeo (recomendo muito, bem pertinho da estação de trem) e fomos, em um grupo de seis pessoas, visitar as proximidades da Cratera Silvestre do vulcão Etna.  Também entramos em uma caverna de material lávico, encontrada há dois anos, com 1,4km de profundidade. Com capacetes e muitas instruções, descemos até o primeiro saguão da caverna:

Foi um passeio incrível de muitas horas. Por volta das 16h, o guia nos levou a um entreposto, na área do Etna, para degustarmos produtos locais. Foi uma festa! Todos degustamos e saímos de lá com muitas sacolas de mel, azeite de oliva, biscoitos com pistache, pastas, geleias, azeitonas e vinhos. Tudo produzido por agricultores locais em solo lávico!