domingo, 20 de fevereiro de 2011

O NOSSO SCLIAR SE FOI...

Hoje cedo recebi um e-mail do Luís Paulo, escritor que vive em Porto Alegre, comentando que a 1h da madrugada de hoje o Scliar teria falecido no hospital, no qual estava internado há tempos. Ele fez uma cirurgia séria em janeiro e todos sabiam que o quadro era grave.
Várias vezes estive com ele: primeiro quando o meu falecido pai, jornalista e artista gráfico, foi o mentor dos fascículos do Instituto Estadual do Livro, que configuravam a coleção denominada "Autores Gaúchos". Na noite do lançamento do fascículo do Scliar, eu e meu pai fomos lá na antiga sede do Instituto Estadual do Livro, o IEL, levar o nosso exemplar para que ele o autografasse.
O Scliar escreveu algo muito gentil, agradecendo o meu pai pela concepção gráfica do volume dele, na época em que se fazia ainda a composição gráfica de jornais e revistas, tudo bem artesanal. Isso há exatos 27 anos atrás!
Depois, fui reencontrar o Scliar, muito atuante na comunidade judaica, quando trabalhei como produtora cultural do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall. Li várias de suas obras. Em uma noite de autógrafos de seu texto "Dicionário do Viajante Insólito", publicado pela LP&M em 1995, ele escreveu uma dedicatória em meu exemplar, que guardo com carinho até hoje: "Para Rosana, baluarte da cultura judaica, homenagem do Moacyr Scliar".
O que mais me marcou mesmo, como leitora da literatura produzida no RS, foi "A estranha nação de Rafael Mendes". Esse texto me deixou perturbada e não parei a leitura enquanto não o finalizei. Também "O exército de um homem só" e "Max e os felinos" me agradaram muito quando de seus lançamentos.
Deixo aqui o meu testemunho carinhoso de quem com ele conviveu, por alguns anos, especialmente em 1995, ano em que organizei um volume sobre a vida e a obra de tradutor de Herbert M. Caro, que era amigo pessoal dos sogros de Scliar. Ele escreveu, naturalmente, um dos capítulos do livro sobre o Caro.
Ele disse que a mesma vela que acendemos em um bolo de aniversário é aquela que estará presente em nosso funeral. Sábio, Scliar! Relembro teu semblante e tua solicitude hoje! Serás 'imortal' sempre entre os teus!

2 comentários:

  1. Rô, o que é bom dura tempo suficiente para ser inesquecível. Beijo

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  2. Só tenho uma coisa a dizer, Foi uma grande perda!
    Porém, como falaste, é um ser inesquecível.

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