Naquele ano, eu estava revisando minhas traduções de ensaios de Schopenhauer para entregá-las à Editora Zouk, de Porto Alegre. Eu tinha de checar as revistas que esse filósofo lia e retirava da Biblioteca Duquesa Anna Amália, as que tratavam do Hinduísmo, em especial. Encontrei lá também uma parte relevante da biblioteca de Nietzsche, que viveu e faleceu em Weimar.
Depois, flanei pela cidadezinha com muito frio e, às vezes, chuva com neve. Conheci o Museu Nacional Casa de Goethe, decretada Patrimônio Mundial da Unesco em 1998. Goethe viveu quase 50 anos nessa enorme casa a partir de 1882. Antes, em 2011, eu já havia visitado a Goethehaus de Frankfurt, onde ele nasceu e viveu até 1775. Em 2017, estive na casa em que Goethe passou uma estadia de dois anos (1776-1788), em Roma. É um palacete transformado em centro cultural e museu situado na Via del Corso, 18. Depois dessa visita, li "Viagem à Itália", de Goethe.
Não visitei, porque não sabia de sua existência, a segunda casa de Goethe em Weimar, a uma caminhada de 15 minutos do centro. Ela é denominada de Goethes Gartenhaus, localizada no Park an der Ilm, ou seja, no Parque do Rio Ilm, uma edificação menor com um lindo jardim. Há muitos pontos históricos interessantes em Weimar. Não estive no campo de concentração de Buchenwald, que fica a apenas 8 km dali. Nunca estive em um campo de extermínio nazista - e morrerei invicta. Os restos mortais de Goethe estão na cripta ducal do Cemitério Histórico de Weimar, a cripta dos príncipes do Grão-Ducado de Saxe-Weimar-Eisenach.
Li e ouvi de um morador de Weimar as estórias folclóricas sobre a remoção dos restos mortais de Goethe e Schiller de seus mausoléus (supunha-se que o segundo também estaria enterrado lá no Cemitério Histórico, ao lado de Goethe), quando da Segunda Guerra Mundial e dos bombardeios dos aliados sobre a Alemanha. É muito curiosa a narrativa do sepultamento de Schiller, o grande dramaturgo e mentor do Classicismo Alemão junto de Goethe. Estive também no Museu Casa de Schiller e aprendi bastante.
Schiller tinha uma saúde frágil. Era dez anos mais jovem que Goethe. Faleceu com apenas 45 anos de tuberculose. Sua esposa mandou sepultá-lo às pressas, no cemitério Jacobs, sem cerimonial, sem música, sem discursos. A madeira do caixão era vagabunda, rompeu-se e o corpo de Schiller caiu em uma vala comum sobre dezenas de cadáveres putrefatos. Muito depois, um coveiro e alguns trabalhadores, a mando do prefeito, recolheram mais de 20 crânios dessa vala comum e o maior crânio foi eleito como o "crânio de Schiller".
Clandestinamente, Goethe levou esse crânio para a sua casa e o colocou sobre um veludo azul. Mais adiante, no século XXI, esse mesmo crânio, e o que seriam seus supostos restos mortais, passariam por exames minuciosos de DNA, de parte de pesquisadores austríacos e norte-americanos. Em 2008, apareceu o veredito final de que o crânio não era de Schiller e os restos mortais congregavam ossos de seis pessoas diferentes.
Portanto, o mausoléu de Schiller está vazio (restos mortais foram trasladados do Cemitério Jacobs para o Histórico, mas não eram dele) na área ducal onde jaz Goethe. Da mesma forma que procuraram por muito tempo os vestígios de Mozart, na Áustria, continuarão à procura do de Schiller na Alemanha.
Se tu aprecias o período clássico germânico, passa duas noites em Weimar, sente a vibe dessa cidade cheia de cultura e toma uma cerveja alemã admirando as estátuas de Goethe e Schiller no centro da cidade. Feliz aniversário, Johann!!!!!
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