sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

AS VERSÕES SUECA E AMERICANA DE "OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES"

Assisti à versão sueca do longa,"Os homens que não amavam as mulheres" (Män som hatar kvinnor), de Niels Arden Opley, que contempla a primeira parte da trilogia intitulada 'Millennium', do escritor sueco Stieg Larsson. Há três semanas atrás, eu já havia conferido o 'remake' (2011) de David Fincher para essa primeira parte. Embora o roteirista de Fincher tenha sido o conhecido Steve Zaillian, de "A lista de Schindler", não considero a versão americana superior à sueca; muito pelo contrário.
A versão americana é rica em artifícios visuais, que fazem um apelo fantástico aos nossos sentidos; a sueca é bem mais densa, psicologicamente, e nela acompanhamos a construção da personagem de Noomi Rapace, sinistra e introspectiva, rosto abastado de piercings e corpo tatuado, e passamos a entender a cadeia de fatos derradeiros que marcaram sua vida e a levaram a sobreviver como 'hacker' profissional, em uma Stockholmo violenta.
Rooney Mara é uma atriz promissora, que ficou mesmo conhecida do público em sua atuação no longa, também de David Fincher, "A rede social" (2010). Todavia, há lacunas que ficam na composição do personagem de Lisbet Salander, uma vez que o roteirista optou por ressignificar o texto literário e não plagiar descaradamente o original sueco.
Esse é forte, bem contextualizado e traz em suas entranhas as universais questões familiares, que remontam à violência intrafamiliar, ao abuso sexual, à sucessão empresarial, às disputas, racismo e assassinato, determinantes no percurso da trama, que desvela um país nórdico que nada tem de paraíso, acalentado pelo imaginário do Ocidente.
Não vou comentar nada sobre o protagonista da narrativa e do filme, tanto na versão original quanto na americana, uma vez que, é tácito, a personagem feminina de Lisbeth Salander rouba a cena e projeta-se admiravelmente em relação aos outros personagens.
De qualquer modo, foi difícil, para mim, ver o Daniel Craig e não deixar de pensar no "007".

4 comentários:

  1. Muito bom, Rô! Eu gostei muito do filme e muito da tua crítica.

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  2. Rô, vi as duas versões e também não considero a americana superior. O bacana é ver aquele início do filme no cinema, como eu fiz.

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  3. A sueca é muito melhor. Os americanos não tem que mexer onde não é deles, se acham superiores por ser uma industria top de filmes, mas não, eu sempre gostei de filmes diferentes Russos, Suecos, Polonês e Digo mais, na minha opinião a versão sueca é muito mais interessante e intensa.

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