segunda-feira, 26 de novembro de 2012

"MACBETH" NO THEATRO SÃO PEDRO E ROMARIA À PROCURA DE UM RESTAURANTE

No domingo, fui a Porto Alegre novamente. Os ingressos estavam comprados há dois meses para a montagem de "Macbeth", de William Shakespeare, direção do Gabriel Villela, figurino do próprio Villela em parceria com o inventivo Shicó do Mamulengo (assisti à montagem de "Hécuba", de Eurípides, dessa mesma dupla, no TSP neste ano, e o figurino era muito interessante: econômico e muito criativo!), e cenografia do Márcio Vinicius. No elenco, Marcello Antony, como "Macbeth", e Cláudio Fontana, como Lady Macbeth, integrando um grupo exclusivamente masculino no palco.  "Macbeth", no cinema, de 1948, com Orson Welles no papel principal, e direção dele mesmo, é um arraso! Certamente, todos os outros Macbeths que surgiram no cinema e no teatro tentaram mimetizar a representação singular de Welles. O texto original dessa peça é relativamente curto e foi escrito no início do século XVII, cuja estreia ocorreu em 1606. Segundo A. W. Schlegel, um dos teóricos do Romantismo Alemão, não há nada mais grandioso, nem mais terrível que "Macbeth", depois de Ésquilo e sua "Orestíada". A tragédia  é ambientada na Escócia e trata da ambição humana, do livre arbítrio e do destino, ao passo que "Hamlet" trata da dúvida; "Othello", dos ciúmes. A montagem de Gabriel Villela tem pontos altos como o enxugamento de mais de três horas de montagem, na versão clássica, para exatos 90 minutos, com várias cenas distintas construídas no mesmo espaço cênico. Além do figurino econômico, constituído de coletes, véus, bordados a mão, e tecelagens - que lembram muito a obra de Arthur Bispo do Rosário, com seus estandartes, seu jogo lúdico nos bordados e seus assemblages -, o cenário contém um painel transparente com uma imagem de Duncan, o Rei da Escócia, uma escada, algumas cadeiras de madeira, tipo assentos antigos de cinema desativado, e uma espécie de tapume de construção civil, alto e cheio de objetos pendurados na parte interna, representando a fortaleza de Macbeth, após o assassinato de Duncan. Para mim, as Três Moiras ou Fúrias, vaticinando o futuro de Macbeth e de Banquo, também um militar, representadas por três atores na pele de três 'bibas', totalmente afetadas, rindo alto e em coro, tecendo o destino dos mortais com antenas de televisão nas mãos, como se tecessem um fio, foi demais! Muito bom e hilário, momentos únicos de riso na tragédia. O folder com a ficha técnica da montagem também é de alto nível, com textos seletos sobre a peça, mais um mosaico de depoimentos da imprensa. Ao final do espetáculo, após o suicídio de Lady Macbeth e do assassinato de Macbeth, ouve-se The Doors, "The End"! Lembrei-me muito do "Apocalypse Now", do F. F. Coppola. Na saída do Theatro São Pedro, fomos procurar um restaurante aberto no domingo às 20h30. Missão quase impossível em uma capital que sediará jogos da Copa do Mundo, em 2014. Encontramos fechados o Lola e o Lorita, ambos na Castro Alves, o Sharin, na Felipe Néri, o Bar da Mata, na Matta Bacellar, o Bar do Nitto, na Lucas de Oliveira, e o La Villa Amalfi, na Dona Leonor. Só encontramos abertos os bares e restaurantes da 'calçada da fama', da Padre Chagas e da Dinarte Ribeiro. Então, optamos por voltar ao Press, da Hilário Ribeiro, no qual estivemos em 7 de outubro.

2 comentários:

  1. Adoro essas produções no saudoso Teatro São Pedro. Teria adorado assistir, amo teatro e faz tempo que não vou a uma boa peça.
    Nossa, que via crucis pra encontrar restaurante hein.. não adianta, POA ainda deixa mto a desejar pra ser considerada uma cidade sede da Copa. Bjss

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  2. Sim, filha, Porto Alegre tem um "quid" provinciano que eu detesto! Senti-me em Santa Cruz do Sul, procurando um bom restaurante para jantar. Na próxima, te levaremos junto, OK? Não me esquecerei! Um beijo e obrigada pelo prestígio!

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