domingo, 29 de setembro de 2013

"HANNAH ARENDT" E A AMORALIDADE (PARTE II)



Há dois anos, venho refletindo sobre o descaso, a frieza, o oportunismo e a falta de moralidade dos seres humanos. Tenho observado um contínuo feixe de pequenas atitudes anti-éticas, em meu círculo pessoal e de trabalho, falas desconectadas de ações fundamentadas, além de pequenas mentiras, circulando, cada vez mais, pela órbita de minha rotina e das relações interpessoais.  Não tolero mais isso! Não tolero mais o abuso e o excesso de egoísmo das pessoas! Não tolero mais as 'mentirinhas', que, somadas, se transformam em uma realidade monstruosa e insuportável. Estou fadada ao infortúnio de ficar isolada nos anos que ainda me restam como docente e de estar mais solitária que antes, abdicando de companhias, que, a rigor, são rasas e destituídas de sentido. A falta de produção de sentido preocupa-me; mais ainda, a falta de ética na vida social e política. Recomendo o filme, sobretudo para os que não conhecem o trabalho de Hannah Arendt, que vivenciou e fotografou com rara sensibilidade a experiência totalitária do Terceiro Reich, na condição complicada de ser alemã e judia, simultaneamente. Faltou a Arendt aquilo que os sionistas definem por "Idishkait", a saber, a 'judeidade', se se pode usar esse neologismo aqui. Ela quase sucumbiu, quando o mundo a compreendeu mal, através de seus artigos publicados na imprensa norteamericana, mas, certamente, para quem conseguiu fugir do campo de Gurs, não lhe faltou coragem, um tipo de qualidade tão cara aos gregos, que entendiam a "eudaimonia" como uma associação de conhecimento e excelência, um 'composé' para o qual a sociedade contemporânea não tem sequer registro.

3 comentários:

  1. Essas coisas são da carne. A carne tem uma ética própria. Gostamos de pensar que somos seres independentes de nossa herança genética. Só que foi ela que nos trouxe até aqui. Tu estás observando a natureza se manifestando, encontrando formas para se exprimir. Mas não creio que haja alguma tendência nova, pessoas com preguiça e vergonha de aprender existem desde que as árvores (gosto de árvores) deixaram de dar frutos e um antepassado começou a viver em cavernas. Na verdade foi bem antes disso!

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  2. Não existe um curso para ser humano, a gente vai aos trancos e barrancos!

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  3. Obrigada pelos teus comentários, Tuta! Fico feliz por leres os meus posts! Abração!

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