terça-feira, 16 de janeiro de 2018

PIANI DI BOBBIO: uma estação de esportes de inverno para se divertir!

Estive no sábado pela manhã, dia 13 de janeiro, visitando a estação de esqui Piani di Bobbio, no Norte da Itália, pertinho de onde eu vivo, a mais de 10 km de Lecco e a uns 70km de Milão. Este complexo de esportes de inverno fica no comune de Barzio. Há uma enorme infraestrutura na estação, começando por um ônibus (Bus Navetta), que busca e larga as pessoas em Barzio,  em alguns pontos definido
s. Um estacionamento amplo também faz parte do complexo, além de uma funivia (funicular), que leva e traz os praticantes de esqui e de snowboard, e visitantes em geral, por 14 euros, ida e volta.




Piani di Bobbio fica a 2 mil metros de altitude. Tem um comércio intenso de roupas térmicas, equipamentos, set para crianças, bar, restaurante, um refúgio e uma igreja. Notei que vários adolescentes e adultos estavam fazendo aulas de esqui com professores credenciados. O complexo abre diariamente a partir das 8h30. No sábado e domingo, às 8h. Para checar detalhes sobre aulas, valores e equipamentos, o site da estação de esqui é: www.pianidibobbio.com



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MEMORIAL DA RESISTÊNCIA ALEMÃ CONTRA O NAZISMO

O Memorial da Resistência Alemã (Gedenkstätte Deutscher Widerstand), de Berlim,  foi criado pelo Senado em 1968, dedicando-se à memória e à documentação da resistência alemã ao nazismo.





Não registra apenas o envolvimento de dezenas de oficiais nazistas no atentado contra Hitler na Prússia Oriental, em 1944, conhecido como "Operação Valquíria". Planos para derrubar Hitler já haviam sido realizados desde 1938, antes da guerra. Outras ações civis conjuntas da classe média e de socialistas contra o nazismo ficaram no anonimato durante décadas.

Em 2008, foi inaugurado o "Memorial aos Heróis Silenciosos", no mesmo prédio, no qual 250 alemães, que esconderam judeus, são revelados. Estima-se que 5 mil judeus tenham escapado das deportações para os campos, sendo que 1700 eram residentes em Berlim.

A rua em que esse centro de documentação funciona fica pertinho do Tiergarten. A rua chama-se Stauffenbergstrasse, em alusão ao nome do coronel nazista Claus Graf Schenk von Stauffenberg. Quando ele foi promovido a chefe de pessoal do quartel general em Berlim, pôde se aproximar de outros oficiais que já conspiravam contra o nazismo.





Stauffenberg foi o responsável por deixar uma mala com explosivos sob a mesa em que Hitler se sentaria para coordenar uma reunião. Quatro pessoas das 25 envolvidas morreram. Stauffenberg escapou e voltou para Berlim certo de que Hitler teria sido morto na operação. Ele é mais dois oficiais foram executados no pátio do Bendler Block, ali mesmo, pertinho do memorial. No lugar de sua execução há uma escultura em bronze e uma placa com uma inscrição no chão. Passei duas horas lendo todos os painéis e aprendendo mais sobre o tema. No pátio, emocionei-me com o silêncio do local e com o simbolismo que o conjunto escultórico emana. Recomendo muito esta visita. O memorial fica bem pertinho de uma galeria de arte, a Gemäldegalerie.








CONFERÊNCIA DE WANNSEE: A MANSÃO QUE SE TRANSFORMOU EM MEMORIAL DO HOLOCAUSTO

A meia-hora de Berlim, através da linha 7 da S-Bahn, na localidade de Wannsee, existe uma mansão (já foi a Villa Liebmann, do artista alemão judeu Max Liebmann, vendida para o Reich durante a guerra), à beira do lago homônimo, na qual ocorreu em 10 de janeiro de 1942 uma reunião secreta.








Coordenada por Reinhard Heydrich, Diretor do Gabinete Central de Segurança do Reich, reuniram-se 15 oficiais nazistas, desde ministros de Estado até o comando da SS (Schutztaffel), para tratar e deliberar sobre um tema estratégico para a consecução da ocupação: o destino dos judeus.

Na verdade, a ordem partiu de Hermann Göring, que autorizou Heydrich a planejar e a apresentar um esquema que seria chamado de "solução final da questão judaica". A rigor, os judeus já estavam sendo assassinados desde 1941, mas a preocupação do alto escalão nazista era exterminar um grande número em um tempo menor. O plano arquitetado tinha condições viáveis de pulverizar uma população de 11 milhões.

Era preciso, portanto, cooperação dos vários segmentos do Reich para identificar quem realmente era judeu, para deslocar a população judaica para o campos designados da Polônia e, por fim, garantir o extermínio em massa, que ficaria a cargo da SS.

Uma cópia da ata dessa reunião só foi localizada dentre os documentos confiscados em 1947. Esse protocolo foi essencial para os processos conduzidos pelo Tribunal de Nuremberg, que julgou, sentenciou e matou alguns dos oficiais envolvidos com a brutalidade do regime nazista, nos anos da guerra.

Não posso deixar de revelar que fiquei muito impressionada com a profundidade da mostra permanente desse memorial do Holocausto (Shoah), que é, na verdade, um memorial pela paz entre os homens. Fiquei muito emocionada! Caminhei pelos jardins da mansão, imaginando a experiência funesta de poucos cérebros reunidos para engendrar o mal, a morte e a tragédia humana!


Recomendo a visita a esta Haus der Conference. Há um ônibus defronte à estação de trem que para a uns metros dos portões da mansão. Aprender com a História é banir qualquer experiência de racismo, preconceito e violência de nossas vidas!

Feliz 2018!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

AOSTA: a francesinha da Itália!

Capital da Região Autônoma do Vale d'Aosta, a cidade de Aosta é de origem celta, fica no Noroeste da Itália, quase fronteira com a França e a Suíça,  e possui atualmente 130 mil habitantes. Passei três dias lá com uma amiga que adoro, a Jana Previdi, e pude desvendar alguns sítios arqueológicos da cidade em sua companhia. Abaixo, seguem algumas fotos da rua romana, da ponte romana, do teatro romano e do Arco de Augusto, nesta ordem:





Os salássios, uma das muitas tribos celtas, dominou o Noroeste da Itália até o domínio romano. Em 25 a.C., Aosta foi fundada com o nome de Augusta Praetorium Salassorum, sob os auspícios do imperador Augusto (63 a.C - 14). A seguir, uma foto da Porta Pretória e da Cinta Muraria:



Aosta fica a 2h de Milão de carro. De trem, quase três horas e meia porque há duas baldeações, em Chivasso e Ivrea. As passagens de trem custam 38 euros, ida e volta. Recomendo uma visita de três dias porque há uma estação de esqui próxima e várias possibilidades de passeios nas cidades francesas e suíças fronteiriças.


domingo, 12 de novembro de 2017

BRÉSCIA E SEU IMPORTANTE SEGMENTO ARQUEOLÓGICO ROMANO

Bréscia, chamada de Brixia pelos romanos, foi uma cidade que floresceu sob os auspícios do Imperador Augusto. Existe na cidade um "santuário republicano", do século I a.C., que apresenta um tipo único de pintura romana no Norte da Itália. O Capitolium localizava-se no centro desse santuário e, logo à direita, o teatro romano.
Seguem, abaixo, algumas fotos deste segmento arqueológico, ao ar livre,  de Bréscia:




Os dois sítios são administrados pelo Comune de Bréscia ligados ao Complexo de San Salvatore-Santa Giulia, um antigo mosteiro da ordem beneditina feminina, mandado construir na época dos lombardos (séculos VI e VII), no qual, além dos sítios arqueológicos romanos em seu subsolo, apresenta uma preciosa coleção de peças e afrescos longobardos.
O mosteiro foi remodelado e nele passou a funcionar um museu há 40 anos atrás. Encontra-se em seu acervo uma escultura em bronze, quase completa, denominada de "Vitória Alada". Fui a esse museu para ver essa escultura, mas encontrei muito mais e saí deslumbrada de lá. O museu fica bem próximo ao Capitolium e em sua entrada lê-se que o mesmo tornou-se patrimônio cultural da humanidade, proclamado pela UNESCO, em 2011.



Vitória Alada, escavada no santuário romano.
A área arqueológica, escavada no subsolo do antigo mosteiro, é linda e expressiva. São duas casas romanas (domus), admiravelmente revestidas de mosaicos,  e uma parte do calçamento da rua:





O ingresso para o museu custa 10/5,50 Euros. O passaporte para o museu e a área arqueológica externa custa 15/10 Euros. Esta visita é imperdível para quem vai a Bréscia, na Lombardia.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Milão: o bairro de Brera (parte 2)

Apaixonei-me por Milão, definitivamente, quando caminhei por Brera. Cheguei pela estação férrea Porta Garibaldi. Esta porta é uma das seis portas  que protegiam a cidadela  medieval (chamada de Porta Comasina, porque indicava a direção de Como). Passou a ser chamada de Porta Garibaldi, exaltando o herói, após a Unificação Italiana. Abaixo, fotos:



Caminhando pela Corso Como, segui até o bairro de Brera. Passei por uma feira de rua e alcancei os bares, cafés, antiquários e galerias de arte. Almocei por lá um ravioli à bolonhesa. Logo após, entrei na Pinacoteca de Brera, aberta ao público em 1809. O prédio era dos jesuítas, transformado em uma pinacoteca, no primeiro andar, para guardar uma coleção de arte muito expressiva. A mentora desse espaço foi Maria Teresa da Áustria. Napoleão, quando conquistou a capital de Reino da Itália, desarticulou uma série de funcionalidades em Milão e mandou destruir igrejas, mosteiros e conventos. A pinacoteca, pois, passou a abrigar o acervo desprezado pela era napoleônica e às belas obras sacras juntaram-se muitas outras, especialmente, telas das escolas  veneziana  e lombarda. No pátio interno do prédio, no qual também funciona a Academia de Belas Artes de Milão  (fui espiar os alunos nas salas de aulas), bem no centro, encontra-se o próprio Napoleão em bronze, representando "Marte Pacificador", obra do grande artista italiano Antonio Canova. Vejam as fotos abaixo:


A seguir, algumas fotos de obras renomadas, que estão na Pinacoteca de Brera. O ingresso custa 10 euros e, no meu ponto de vista, é imperdível para quem visita Milão e se interessa por História, Arte e Cultura!
"A descoberta do corpo de São Marcos", de Tintoretto.

"Fiumana", de Pelizza da Volpedo.


domingo, 5 de novembro de 2017

Milão, uma cidade para encher os olhos (parte 1)!

Estou há um mês na Itália, solicitando a cidadania por descendência. Como me encontro a 72km de Milão, já estive duas vezes na cidade para programas culturais.
Milão foi capital do Império Romano de 395 a 402, por sete anos. Poucos sabem disso. Seu nome antigo era "Mediolano", batizado por uma tribo de celtas, que se estabeleceu na região da Lombardia, denominada de Gália Cisalpina (Gália além dos Alpes). Em 222 a.C., sob o comando de um militar romano chamado Marco Marcelo, os "ínsubres", designação desse grupo celta, foram derrotados em Clastídio, hoje Casteggio. A cidade de Como, no Lago de Como, fazia parte da Insúbria. Encontrei lá um centro de estudos ínsubres. A seguir, postarei algumas fotos resultantes de minhas leituras e caminhadas pela bela cidade de Milão:

Duomo de Milão. Na próxima semana, comprarei meu ticket para visitar a área arqueológica da catedral


Estas ruínas são de uma igreja paleocristã dos séculos V e VI, Igreja de San Giovanni in Conca (depressão geográfica). A cripta está aberta à visitação.




Basílica de San Genaro, também com uma rica área arqueológica. Trata-se de um complexo monumental que se inicia numa quadra e termina na outra, bem próxima à universidade.



Capelinha de ossos dentro da instituição de São Bernardino dalle Osse.

Área interna da Universita degli studi di Milano (Ciências Humanas e Sociais)
O belo frontispício da Universita degli studi di Milano (Ciências Humanas e Sociais)