terça-feira, 14 de março de 2017

LA VALLETTA: EM HOMENAGEM AO "AZURE WINDOW" (DESAPARECIDO)!

Estive em La Valletta em fevereiro de 2016. Faz, portanto, 13 meses. Acabei não fazendo uma postagem sobre o meu passeio na capital da República de Malta. Na terça passada, dia 7 de março de 2017, uma notícia triste correu o mundo: aquele lindo portão de pedra (Azure Window) sobre o mar, que serviu de locação para vários filmes, inclusive para a série Games of Thrones, sofreu um colapso e caiu. Eu não estive em Gozo, ilha na qual estava a Azure Window (as outras ilhas do arquipélago são desabitadas por conta de armamentos bélicos remanescentes da Segunda Guerra Mundial, que ainda jazem por lá). Abaixo, a Azure Window (Google):


Em função disso, resolvi escrever sobre La Valletta. Fiz um bate-e-volta, saindo de manhã bem cedo da Catânia (Sicília) em um voo de apenas 28 minutos à capital da península de Malta. Retornei à Catânia em um voo às 20h. Portanto, permaneci em La Valletta exatamente 12 horas, o suficiente para conhecer o mais relevante, historicamente.

No século XVI, os Cavaleiros de São João de Jerusalém (também conhecidos como Cavaleiros da Ordem de Malta) instalaram-se na ilha. Continuavam em guerra com os otomanos, que, em 1565, atacaram Malta. Esse episódio é chamado de "O Cerco de Malta", que resultou na derrocada dos turcos otomanos com os valiosos reforços vindos da Sicília. Os cavaleiros fixaram-se, então, em um pequeno porto natural, que mais tarde passou a se chamar La Valletta.

Abaixo, algumas fotos do centro histórico de La Valletta:

Há quatro pontos turísticos imperdíveis em La Valletta: o Museu Nacional de Arqueologia (na Republic Street, bem na rua principal); o Museu da Segunda Guerra Mundial (ao final da Republic Street); um grande sino de bronze, na cidade histórica, inaugurado em 2015, por ocasião dos 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial, em homenagem aos militares que morreram lutando; e, por fim, a indicação mais importante: a Saint John's Cathedral (denominada de "co-catedral")! Simplesmente de tirar o fôlego!
O museu arqueológico é fundamental para compreendermos o solo primitivo do arquipélago, que apresenta monumentos megalíticos e muitos artefatos pré-históricos conservados. Vejam as fotos:
O Museu da Segunda Guerra Mundial foi muito instrutivo para mim, que estava à procura de informações mais precisas sobre a 'Operação Husky', em 1943, que invadiu a Sicília e resultou na retirada da Itália do Eixo, na Segunda Guerra Mundial. Isso enfraqueceu o III Reich, na sequência. Abaixo, apresento algumas fotos feitas dentro das salas do museu, instalado no antigo Fort Saint Elmo:
Por fim, a Catedral de São João (Saint John's Cathedral) e suas capelas construídas pelos Cavaleiros de Malta com ouro e muitas pedras preciosas. Fui até a catedral especialmente para ver duas telas de Caravaggio, que viveu por um curto período em La Valletta, antes de morrer. São elas: "A decapitação de São João Baptista" (um mural de 1608), em imagem do Google, uma vez que fotos eram proibidas na sala especial em que se encontrava. 
E a tela, em menor dimensão, denominada "São Jerônimo Penitente" (1606). A seguir, a reprodução da tela pelo Google:
Para se ter uma ideia da suntuiosidade e riqueza da catedral, vejam as fotos a seguir:

Visitem La Valletta! É um passeio cultural maravilhoso! A capital é patrimônio mundial da UNESCO. Deixou de ser colônia britânica há pouco mais de 40 anos. Assim, todos falam a língua inglesa por lá. Até a próxima!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

'EU NÃO SOU O SEU NEGRO" - documentário que concorre ao Oscar 2017

Bons filmes estão em cartaz em Porto Alegre. Pude assistir a vários, especialmente, aos que concorrem a um prêmio no Oscar 2017. Eu recomendaria, em primeiro lugar, o documentário de Raoul Peck, 2017, "Eu não sou o seu negro" (I'm not your negro), produção americano-franco-belga-suíça. O documentário é baseado no livro inacabado de James Baldwin, que relataria a morte de três de seus amigos negros americanos: Medgar Evers (assassinado em 1963), Malcom X (assassinado em 1965) e Martin Luther King Junior (assassinado em 1968). Com a morte de Baldwin, o manuscrito passou às mãos de Raoul Peck. Este documentário é muito relevante para quem se interessa pela história recente da segregação racial nos EUA. Está concorrendo ao Oscar de Melhor Documentário em longa-metragem. Peck é haitiano nascido em 1953. Dirigiu, entre outros, os longas "Lumumba" (2000) e "Abril Sangrento" (2005). Segue abaixo o cartaz do documentário! Não percam!



domingo, 18 de dezembro de 2016

ADEUS 2016, ADEUS RS, ADEUS BRASIL!

Olá, caros Leitores!

Agradeço o prestígio a este blog e aproveito para divulgar a minha colaboração no blog de viagens "Mochila e Passaporte"! Visitem essa página, vale a pena!

Não possuo mais minhas páginas no Facebook! Não utilizo mais essa rede. Tenho uma conta no Instagran e é pelos blogs que vocês lerão minhas dicas de viagem e meus comentários críticos sobre Arte e Cultura, a partir de 2017, quando não estarei mais vivendo no Brasil.

Um bom final de ano a todos, grata pelas leituras de meu blog e que 2017 não seja pior que 2016. We hope so!

Abraços,

Rô J. Candeloro



sábado, 30 de julho de 2016

TRADUÇÃO DE SCHOPENHAUER

Para os que se interessam pelo pensamento de Schopenhauer, traduzi, pela Editora Zouk, de Porto Alegre, seis ensaios de 'Parerga und Paralipomena', de 1851. Um dos ensaios é sobre o suicídio. Muito interessante! O livro pode ser adquirido pela página da editora, www.editorazouk.com.br, a R$ 60,00. Grata pela atenção!

terça-feira, 22 de março de 2016

ORTÍGIA, ILHA DE SIRACUSA (SICÍLIA): ONDE TUDO COMEÇOU!

Ao final de minha viagem, estive passeando em Ortígia, uma ilhota ligada a Siracusa por duas pontes. Chegando lá de trem (saindo da Catânia, onde eu estava hospedada), encontrei-me com a baiana Patrícia Kalil, mentora do blog "Descobrindo a Sicília", e que muito me ajudou a elaborar o roteiro de viagem pelo país, além de ter respondido a todas as minhas dúvidas. Pude caminhar com ela durante a tarde na antiga Ortígia, cuja fundação data do século VII a. C. realizada por gregos procedentes de Coríntio. Encontramo-nos junto às ruínas do Templo de Apolo e, no final do passeio, fizemos esta foto na Fonte de Artemis, na Praça de Arquimedes:
Patrícia acompanhou-me até a Catedral de Siracusa e à Igreja de Santa Lúcia, padroeira da cidade.
A Catedral de Siracusa, ou Duomo de Siracusa, é algo particular! Eu já havia visto algumas fotos, mas apreciar uma obra de arte tão eclética, ao vivo, é uma outra experiência! O Duomo mistura o estilo do Barroco tardio com alguns detalhes do Barraco espanhol. Na lateral do Duomo, observam-se as antigas colunas de um templo a Athenas. Seus capitéis são dóricos. Veja, a seguir:
No entanto, na parte superior do Duomo, a colunata que mantém a catedral tem capitéis dóricos. Andrea Palma assina a reconstrução do prédio, porque, como expliquei em um post anterior, todo o Leste da Sicília foi destruído por um terremoto no século XVIII.
A foto acima é de uma pequena capela, dentro do Duomo, em estilo bizantino! Austera e bela! Também há um nicho consagrado à padroeira da cidade, Santa Lúcia, com algumas relíquias expostas à visitação.
Acima, sou eu imitando a caminhada de "Malena", longa de G. Tornattore, filmado em Noto e nesta Piazza del Duomo, em Siracusa. Ao fundo, está a igrejinha de Santa Lúcia. Lá, não se pode fazer fotos. No altar, encontra-se, para o arrepio dos apreciadores de arte barroca contrarreformista, a magistral tela de Caravaggio, "O sepultamento de Santa Lúcia".
Acima, vê-se a Fonte de Aretusa que remonta a um mito grego: Artemis colecionava ninfas. Aretusa era uma delas. Um dia, ao tomar um banho nua em um rio, fez um fã obsessivo, Alfeu. O tal Alfeu a perseguiu de tal forma, que Artemis teve de intervir para salvá-la: transformou a ninfa nesta fonte e o tarado Alfeu, em um rio. Nas águas desta fonte há uma abundância de plantas de papiro. Em Ortígia, alguns dos souvenirs são produzidos à base de papiro.
Abaixo, uma foto do antigo Mercado de Ortígia, no qual há bancas de frutas sicilianas e frutos do mar!
Para encerrar este relato, a Patrícia levou-me, no meio daquela tarde de fevereiro, para comer em uma espécie de delicatessen, na qual encontramos os maravilhosos produtos sicilianos, acompanhados de um vinho tinto local:
Agradeço, publicamente, à atenção da Patrícia Kalil, que viajou a Siracusa para me conhecer e passear comigo. Para quem vive na Sicília há oito anos, como ela, pude desfrutar de uma companhia alegre, parceira e conhecedora da cultura local! Voltarei a Siracusa em 2017 para visitar o que não foi possível conferir em um bate-e-volta de um dia.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A ANTIGA CATÂNIA, CENTRO HISTÓRICO!

Nas cinco noites em que estive na Catânia, Sudeste da Sicília, fui ao vulcão Etna (ler post anterior), ao Carnaval de Acireale, a Siracusa (post a ser escrito) e a Valetta, Malta (post a ser escrito). Fiz uma caminhada pelo centro histórico da cidade, no meu primeiro dia. Catânia foi fundada no século VIII a. C. pelos calcídicos, gregos originados na Ilha de Eubeia. A santa padroeira da cidade é Ágata. Abaixo, o Duomo de Catânia. Nele, estão depositados os restos mortais do grande maestro Belinni, natural da cidade. A catedral (duomo) foi construída no século XI, sobre as termas romanas da cidade, mas teve de ser reconstruída várias vezes por conta de terremotos e erupções do vulcão Etna. Na última vez em que teve de ser remodelada, tornou-se uma igreja em estilo barroco:
Ágata era filha de nobres da Catânia. Viveu entre os séculos III e IV a. C., ou seja, ainda no período de dominação romana. Foi presa e torturada pelo governante romano da época. São Pedro teria visitado Ágata na prisão e curado suas feridas. Ela faleceu no dia 5 de fevereiro de 251 ou 254. As relíquias de Santa Ágata estão depositadas em nichos dentro da catedral. Cheguei na Catânia justamente no dia 6 de fevereiro para não esbarrar com milhares de devotos da santa, que é a protetora da cidade contra os terremotos. Vi pela TV a romaria gigante rumo à catedral.

A seguir, um sítio arqueológico romano dentro da área do Mosteiro dos Beneditinos, fundado do século XVI e reconstruído no século XVII, após uma erupção do Etna e um terremoto. Hoje, ele é propriedade da prefeitura municipal e patrimônio cultural outorgado pela UNESCO. Na segunda foto, abaixo, vê-se o portão principal do ex-mosteiro, em estilo barraco tardio [esse estilo imperou na Sicília entre 1730 e 1780, após uma erupção do Etna que destruiu a região Leste da ilha. O estilo barroco tardio possui as curvas e os floreios do barraco clássico, mas os arquitetos sicilianos adicionaram algo bem peculiar a ele, que são as máscaras e as figuras de pequenas crianças aladas, que estão presentes nas grandes janelas do mosteiro]:

O elefante, símbolo da cidade, um elemento mítico que protege a Catânia das erupções do Etna, fica em uma fonte na Piazza del Duomo, no coração de seu centro histórico, e foi construído no século XVIII com pedra lávica, sob a dominação espanhola:

 E, por fim, o Teatro Romano e o Odeón, escondidos no perímetro urbano, entre prédios e casas da Catânia, datam do século I da era cristã.


quarta-feira, 9 de março de 2016

O VULCÃO ETNA, NA CATÂNIA (SICÍLIA)

Após cinco dias intensos na capital da Sicília, Palermo, de 1º a seis de fevereiro (ler os relatos anteriores), fui até o Sudeste da ilha de trem, a Catânia, mais especificamente. Comprei as passagens de ida e volta pelo site do Trenitalia a 27 euros, incluindo a taxa de emissão. Imprimi as passagens,  que foram apresentadas durante a viagem ao funcionário da empresa. É preciso validar as passagens, compradas pelo site oficial, em máquinas que se encontram espalhadas pelas estações férreas. Só existe a 2ª classe nos trens da Sicília e não há vagão-restaurante. Levem água e lanche para as viagens mais longas. A minha durou 2h40, de Palermo a Catânia. De dentro do trem, fotografei o vulcão Etna. Vejam,
que linda vista!
No domingo, dia 7 de fevereiro, Carnaval, um guia chamado Daniele (da operadora Sicily Touring, passeio comprado no site da empresa por 47 euros) buscou-me no Hotel Villa Romeo (recomendo muito, bem pertinho da estação de trem) e fomos, em um grupo de seis pessoas, visitar as proximidades da Cratera Silvestre do vulcão Etna.  Também entramos em uma caverna de material lávico, encontrada há dois anos, com 1,4km de profundidade. Com capacetes e muitas instruções, descemos até o primeiro saguão da caverna:

Foi um passeio incrível de muitas horas. Por volta das 16h, o guia nos levou a um entreposto, na área do Etna, para degustarmos produtos locais. Foi uma festa! Todos degustamos e saímos de lá com muitas sacolas de mel, azeite de oliva, biscoitos com pistache, pastas, geleias, azeitonas e vinhos. Tudo produzido por agricultores locais em solo lávico!