segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A GERAÇÃO MULTITASK

Geração multitask é a expressão com a qual a imprensa denomina os jovens alunos, secundaristas ou acadêmicos, que passam as aulas com os seus notebooks e netbooks ligados e funcionando, operando inúmeras tarefas, ao mesmo tempo.

De um modo geral, os educadores são a favor de que os alunos mantenham suas máquinas ligadas em sala de aula, enquanto uma atividade se desenvolve. Todavia, isso ainda é algo a ser discutido, porque, embora seus usuários desempenhem tarefas múltiplas, há que se discutir se estão mesmo produzindo conhecimento e correlacionando as informações de modo coerente.

Não faço restrição ao uso de microprocessadores em sala de aula, mas, em dias de avaliação, não admito o uso, em função de que o acesso ao Google seria inevitável e quase que automático. Eu faço um acordo de cavalheiros, nas avaliações, e meus alunos são cumpridores.

O problema é que, em aulas semi-expositivas, em que a participação e a atenção dos alunos é fundamental para o andamento do conteúdo e para que os insights (compreensão súbita de algo) ocorram, a galera está teclando no MSN com amigos, com a página do Orkut minimizada, com o Facebook em outra janela... Isso derruba as teorias de aprendizagem clássicas e me deixa com um certo grau de ansiedade, devo admitir.

Não obstante as posições de vários psicólogos que veem positivamente a nova era de cognições, na medida em que percebem que os jovens raciocinam por hiperlinks, como se estivessem navegando na WEB, o fenômeno não pode ser generalizado para a totalidade de alunos e acadêmicos.

Os que têm dificuldades de aprendizagem, não leem nada além dos textos para as provas e apresentam uma produção textual deficiente não terão condições de evoluir, simulando uma cognição ágil e multifacetada por conta da interação e do acoplamento estrutural com suas máquinas.

Há que se discutir mais o tema, ler os resultados das pesquisas que estão sendo realizadas por centros de excelência e ouvir os educadores a respeito. Para mim, netbooks e notebooks são admissíveis em aulas em que o Google também é convidado. Fora isso, as máquinas podem ser “personas non gratas” em sala de aula!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

APOSENTADORIA ACIMA DOS 60? O QUE VEM POR AÍ?

É impressionante a ocorrência de protestos de trabalhadores e estudantes na França. Neste final de semana, milhares de estudantes, escolares e universitários, apoiaram trabalhadores franceses na pressão contra as reformas propostas pelo governo Sarkozy, através de projeto de lei que altera a idade mínima para o acesso às aposentadorias.

No Japão, para se obter uma aposentadoria integral é preciso trabalhar até os 65 anos, a partir de 2013, e, para as mulheres, a partir de 2018. Já na Alemanha, até 2029, a exigência de idade será 67 anos.

Na França, a idade mínima legal é ainda de 60 anos, desde 1983. O governo Sarkozy, no entanto, afirma que não aceitará concessões desta vez, referindo-se a 2006, em que, sob contínuos protestos no país, recuou e retirou o projeto de lei, que preconizava contratos de trabalhos para jovens. A proposta é de elevar a idade mínima, para o encaminhamento da aposentadoria, para os 62 anos, a partir de 2018, garantindo o valor integral da aposentadoria somente aos 67.

Isso significa, para os jovens, que, quanto mais tarde os trabalhadores se jubilarem, menos chances aqueles terão de encontrar um posto no mercado de trabalho. É isso que inúmeros jovens entrevistados pela imprensa internacional alegaram em sua marcha de protestos.

Vamos aguardar para ver o que vai acontecer hoje, dia 19 de outubro, em mais um dia de “não” na França, de parte de trabalhadores e estudantes. Se os professores franceses tivessem que contar com o fator previdenciário e a regra dos 95, como nós, professores brasileiros, consignariam um crédito para promover uma outra queda da Bastilha!

domingo, 10 de outubro de 2010

O OLVIDADO DIA DO PROFESSOR



Dia 15 de outubro lembra algo a vocês, leitores? Claro que não! Dia 12, sim, porque a maioria da população brasileira associa esse dia ao Dia da Criança. Todavia, o feriado justifica-se por conta da padroeira do Brasil, Nossa Senhora.
O Dia do Professor, comemorado anualmente no dia 15 de outubro, tem passado em brancas nuvens pelos alunos e acadêmicos, que fazem do professor o que ele é, verdadeiramente: um "facilitador" do conhecimento que se produz pelo próprio aluno ou acadêmico.
Tive bons professores de Filosofia, na época em que eu era acadêmica, mas tive, por felicidade, um Mestre, aquele do qual me lembro com frescor e com saudades, porque me emprestava seus livros, além de estar sempre à disposição de seus discípulos para ensinar, dentro e além do local de ensino.
Sinto que, às vezes, por desejo mimético, eu o reproduzo em algumas expressões e atitudes em sala de aula, já passados 25 anos de minha formação na graduação. Depois, tornei-me docente e me deparei com um aluno do qual jamais esqueci, porque aloprava as minhas aulas, com questões humoradas e muita poesia: o Dogival Duarte, Diretor do "Diário Regional".
Então estudande do curso de Letras, o Doge comparecia às aulas de Filosofia com seu jeito descontraído, brincalhão e avesso a qualquer forma obtusa de ser.... Aprendi com ele a ler os poemas do Patativa do Assaré, as contribuições à História da Cultura de Câmara Cascudo e, especialmente, a amar a poética de seu conterrâneo, Ferreira Gullar, que há pouco completou 80 anos.
Se vocês têm ainda contato com um ex-professor, que tenha sido verdadeiramente um Mestre para sua vida intelectual, cultural ou espiritual, façam contato com ele. Uma retomada dessas pode fazer a diferença na vida de um professor e revalidar os afetos construídos em tempos de sala de aula, além de retirá-lo do ostracismo e do terreno árido no qual jazem muitos professores, olvidados e precarizados, em um país em que, com Fies, Novo Fies ou Prouni, são poucos os que têm a chance de estudar e adentrar o maravilhoso mundo da leitura, da cultura e do conhecimento.
Parabéns aos professores, pela escolha magnânime que fizeram! Em tempos de bullying contra professores, no Brasil, ser professor pode abrir a porta da emergência traumatológica de uma vítima anônima.

A CIDADE ETERNA DE SANTO AGOSTINHO

Lembrei-me de Aurelius Augustinus (mais conhecido como Santo Agostinho) no domingo, dia de eleições. Que movimentação humana nos locais de votação e que diz-que-me-diz para lá e para cá! As manifestações de domingo não assustariam ao nosso santo, porque ele viveu sob os auspícios do final do Império Romano e presenciou muita barbárie, mortes, corrupção e, sobretudo, medo.

Agostinho foi claro em “A Cidade de Deus”: se o Estado não participasse do âmbito da Igreja, seus integrantes não gozariam da salvação. A Igreja ocidental conseguiu realizar uma parte de seu ideal de ‘cidade eterna’ junto aos monarcas, ao longo da Idade Média. Já a Igreja oriental frustrou-se nesse sentido, na medida em que teve de se submeter ao Estado.

A “Cidade de Deus” é uma obra em que Agostinho retoma algumas discussões de âmbito teológico, vigentes desde o período mais primitivo da Cristandade, mas quando se volta para a filosofia concede-nos belas páginas. Foi uma tentativa de resposta, na verdade, ao saque que Roma sofreu, por parte dos godos, em 410 d. C.

Uma vez que os godos eram cristianizados, eles pouparam todos os que se abrigaram nas igrejas cristãs da época; no entanto, não deixaram de cometer abusos e violências contra mulheres virgens. Sobre isso, Agostinho discorre longamente e sugere que Deus permitiu que tal violência ocorresse, porque as vítimas se apresentavam obstinadas por sua continência. Justificativa deveras interessante e coerente com seus postulados.

Quanto à filosofia platônica, toda a simpatia do autor, ao contrário da influência epicurista, cínica e estoica na Roma do século V, escolas que, na visão de Agostinho, eram todas materialistas e não lhe serviam de fundamento teológico. Platão, sim, percebeu que Deus é algo imutável e coube dentro de sua ‘cidade de Deus’.

Como somos todos viventes na cidade terrena, que está misturada à cidade de Deus, urge que os fiéis aguardem o dia do Juízo Final, conforme o que prescreve o nosso santo, para que as duas cidades se separem e se constituam em qualidades bem distintas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sobre os estoicos: Sêneca e Marco Aurélio

Neste final de semana, li um pequeno escrito de Sêneca (4 d. C.- 65d. C.), “Da tranquilidade da alma”, e as “Meditações “ de Marco Aurélio (121 d. C. - 180 d. C). De um modo geral, a ideia de que todas as coisas ruins são exteriores à alma e basta a virtude para o homem ser, verdadeiramente, feliz, tem sua origem na filosofia socrática. O estoicismo também herdou seu germe da moral socrática e preconizou que viver de acordo com a alma, o princípio universal ou a reta razão, é viver feliz.

Como esses homens citados viveram sob os auspícios do Império Romano, o estoicismo desenvolveu uma faceta diferenciada da dos gregos: criou uma doutrina política e interferiu, decisivamente, no curso do principado de Nero, que reinou de 54 d. C. até 68 d. C. A rigor, os historiadores da Roma Antiga são unânimes ao afirmar que a ascensão de Nero ao poder foi resultado de um jogo planejado pela nobreza senatorial, de orientação estoicista. Essa era a chance de colocarem no poder alguém que poderia realizar o ideário da concepção política dos estoicos romanos: um rei-filósofo, aos moldes da “República” de Platão.

Assim, Sêneca foi convocado por Agripina, a mãe ambiciosa de Nero, para ser seu preceptor. Durante seis anos, Sêneca orientou o espírito de Nero em busca da realização de uma determinada paideia(formação ético-política), de origem platônica. Após os “anos de ouro” iniciais de Nero no governo de Roma, os patrícios assistiriam aos maiores desmandos e infortúnios da história, culminando com o assassinato de Agripina pelo próprio filho, em 62 d. C.

Obcecado com a oposição de parte do Senado, perseguiu e obrigou a todos, do grupo dos estoicos, inclusive Sêneca, a cometerem suicídio. Foi assim que a utopia de Platão manifestou-se pela última vez no governo dos homens.

domingo, 26 de setembro de 2010

Muitos interesses, muita informação...

Eu poderia terminar a semana escrevendo sobre o que conheço da obra pictórica do Duke Lee, paulistano, quase um estadunidense, que faleceu neste mês, ou tratar da obra poética do Ferreira Gullar, que, além de ter chegado à casa dos 80, foi laureado com o Prêmio Camões 2010, ou comentar a cinematografia da Sophia Coppola (a aprecio muito!), que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza deste ano e, fatalmente, acabar por lembrar que mais um grande diretor se foi desta existência, o Chabrol, que deve estar degustando um bom vinho com o Bergman e o Antonioni... Todavia, vou continuar refletindo sobre os antigos, porque é à luz dos antigos que podemos dar um tratamento aos nossos atos e, sobretudo, analisar a sociedade contemporânea. Aguardem, pois, nesta semana, publicarei sobre o Estoicismo, em especial Sêneca e Marco Aurélio. Não conheço quase nada de Epicteto! Até!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A natureza cívica e a herança cultural de Cícero

Lendo Cícero (106 a. C. – 43 a. C.), neste feriadão, imaginei-o nesta Semana Farroupilha montado a cavalo, desfilando cheio de garbo e com uma postura altaneira em uma das manifestações cívicas gauchescas.

Embora Cícero tenha estudado durante dois anos com mestres gregos, em Atenas (79 a. C. – 77. A. C), ele, ainda assim, estando na Cúria ou no Foro romanos, sempre exortava o civismo da elite republicana, coisa que, segundo ele, faltou aos povos da Hélade. Por isso, acabaram dominados pelos macedônios e, depois, pelos romanos.

Ao contrário do espírito epicureu e estoico, próprio dos gregos do período Helenístico, que preconizava a retirada e o afastamento da cidade, uma vez que a estrutura da pólis não mais existia - desde a campanha de Felipe da Macedônia e, depois, de Alexandre, o Grande -, Cícero apregoou uma ética ‘ativa’ em Roma. Mesmo no exílio compulsório, ele produziu intelectualmente de modo invejável. Foram quase 900 cartas e dezenas de discursos, além de alguns textos políticos em que se vê um estilo dialético no formato de ‘diálogos’, lembrando o gênero platônico.

Defendeu a República romana e criticou duramente as experiências tirânicas de seu tempo. Foi desafeto de Sila, de Júlio César e acabou nas mãos de Otávio Augusto, integrante do Segundo Triunvirato, que não lhe poupou a vida, por ser inimigo de Marco Antônio. Foi perseguido até uma cidadezinha da Grécia; morto, teve sua cabeça decapitada e uma das mãos decepadas. Otávio ordenou que seus restos ficassem exibidos, em exposição pública, no Rostrum, um local próximo ao Foro romano, no qual os oradores se reuniam e exibiam seus dotes retóricos.

Cícero, que não tinha ‘papas na língua’, afirma no início de “Da República”, Livro I, tópico I, que ”o homem veemente prefere arrostar as tempestades públicas entre suas ondas, até sucumbir decrépito, a viver no ócio prazenteiro e na tranquilidade”, remissão inequívoca ao epicurismo e ao estoicismo, reinantes em sua época.

domingo, 12 de setembro de 2010

A cidade justa de Platão e Aristóteles

Retomando meus estudos sobre a política em Platão e em Aristóteles, não pude me isentar de fazer uma aproximação com a sociedade contemporânea. Quando assisto ao horário político, quase tenho uma síncope com as estratégias mítico-imagéticas que alguns candidatos utilizam em seus poucos minutos, sem falar nos jingles, que apelam a canções gospel ou, ainda pior, nivelam "por baixo" e subestimam a lógica dos eleitores.
Segundo Platão, o conceito de Justiça que é explicitado no Livro IV de "A República", ser justo é exercer uma tarefa ou atividade para a qual somos afeitos, ou seja, desempenha-se algo de acordo com a natureza de cada um. Tem-se aí um tipo de justiça condizente com a inclinação natural de cada cidadão: os governantes que governem, os guerreiros que defendam a cidade, os outros que trabalhem e a mantenham (leia-se 'outros' por artesãos, comerciantes, etc. porque mulheres, escravos e estrangeiros estavam fora de qualquer possibilidade de participar da esfera pública).
Temos cidadãos-candidatos afeitos à vida política, de acordo com uma inclinação natural, como queria Platão? Segundo seu discípulo Aristóteles, que se afastou bastante de suas ideias ao longo de sua trajetória filosófica, a excelência ("areté"), fundamental para a constituição das qualidades daquele que pretende governar a cidade, é algo que não se recebe pela natureza, mas, sim, através do hábito, do exercício permanente ao longo de uma vida toda. Portanto, o que para Platão é por natureza, para Aristóteles se constrói pela ação prática.
A cidade justa para Aristóteles, então, seria aquela em que a justiça distributiva trataria igualmente aos iguais e com desigualdade aos desiguais. Se uma injustiça fosse cometida ou algum abuso praticado, a justiça comutativa, que funcionaria como remédio legal, faria as correções ou ajustes necessários para que a justiça voltasse a reinar na cidade.
Atualmente, excelência e natureza excelente são conceitos tão distantes de nossa cultura política e moral, que, se indagarmos um jovem sobre a semântica dessas expressões, excelência acabará sendo apenas um pronome de tratamento e excelente um predicado em desuso para avaliações e elogios ao caráter alheio!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Falta de educação está na moda?


                                             Falta de educação está na moda?

Há duas semanas, venho refletindo, em minha coluna no Diário Regional, sobre a educação formal de nossos tempos e sobre o “ocupar-se de si mesmo”, tão caro ao homem antigo, porém rechaçado pela sociedade contemporânea.

O que tem me chamado mais a atenção, no dia-a-dia, é a falta de educação das pessoas, quanto aos seus modos, pela maneira de se manifestarem por e-mail ou pessoalmente, no comércio, em sala de aula, dentro do ônibus. Recebi um e-mail, na semana passada, que me chocou! Não obstante as idiossincrasias dos indivíduos, há que se manter um certo nível da linguagem coloquial e, ao menos, em se tratando de uma mensagem eletrônica, fazer uma saudação ao destinatário e assinar o nome próprio ao final. Isso seria o mínimo!

Em sala de aula, neste semestre, tem sido lamentável. Os alunos entram em aula com sanduíches e refris, cafés e assemelhados, fora o fato de que a maior parte chega sempre atrasada à sala. A aula inicia-se e lá estão eles devorando os seus lanches. Ao final, é raro o aluno que leva os seus resíduos para o lixo. Ao terminar minha aula, eu ajeito as mesas e cadeiras e recolho todo o lixo da sala. Não quero que associem a minha pessoa à sujeira acumulada sobre as mesas e sobre o chão. Invariavelmente, saio da sala e apago as luzes. No percurso, até a saída do prédio, vou apagando as luzes das outras salas, que foram deixadas com as lâmpadas acesas.

Voltando de Porto Alegre, dentro do ônibus intermunicipal, além de não conseguir acessar o meu assento, no início da viagem, em função de que os indivíduos dos assentos da frente sequer se sensibilizaram com o meu esforço para me sentar no lugar comprado, ao final da viagem, ligamos uma lâmpada bem acima de nosso assento para guardar alguns objetos na mochila. Qual não foi a minha surpresa quando o rapaz do assento da frente retorceu a sua mão para trás e tentou desligar a nossa lâmpada. Perdi a compostura: dei um ‘tapinha’ na mão dele e fiquei indignada! Essa experiência foi demais para mim e inspirou-me a escrever esta reflexão, porque só pode ser moda mesmo a falta de educação que acomete as pessoas, especialmente, os jovens!

domingo, 29 de agosto de 2010

O cuidado de si perdido!

De um modo geral, os filósofos gregos entendiam que o cuidado de si mesmo deve ocupar uma vida toda. Em Platão, encontramos uma passagem em que Sócrates aconselha Alcebíades a ocupar-se de si logo, quando jovem, porque aos 50 anos não haveria mais tempo. Epicuro, diferentemente, lá no século III a.C., recomenda que o cuidado de si deve estar presente na juventude e na velhice, porque nunca é tarde para iniciar o processo de "ocupar-se" de si. Mais do que cuidar do corpo e, consequentemente, da saúde, ter o dever de conhecer-se a si mesmo, ter zelo pela própria alma, tem uma função crítica e terapêutica. Foucault dedicou ao tema um curso completo, no início da década de 80, um pouco antes de falecer, e foi exemplar no resgate dessa velha e consagrada prática dos gregos. Com o ritmo desenfreado da vida, note-se que os trabalhadores, mais uma vez, ficaram alijados desse modo de existência, que, entre os antigos, indicava uma superioridade social. Paul Lafargue, notável teórico e militante marxista francês do final do século XIX, escreveu um pequeno livro que é atual e interessante: "O direito à preguiça". Nele, reflete, de um modo geral, sobre o direito que os trabalhadores têm ao lazer, alegoricamente denominado de 'preguiça'. Milhões de trabalhadores não têm acesso ao cuidado de si, ao autoconhecimento, uma vez que sequer têm acesso ao lazer de qualidade e a um tipo de descanso que poderia promover a 'ocupação de si mesmo'. Cuidar de si mesmo pode começar com uma caminhada, de manhã, de natureza reflexiva, que nos faça enxergar a Natureza que está ao nosso redor e os sinais de mudança da estação, por exemplo, ou pode se deflagrar com um simples olhar para o céu, da janela de nossa casa, saudando o dia. Ocupar-se de si mesmo requer vontade e exercício permanente. Cabe a cada um de nós priorizar o que nos importa nesta existência!

domingo, 22 de agosto de 2010

Os sete saberes da educação e o Budismo!

O ano de 2010 marca os dez anos da publicação do livro de Edgar Morin, intitulado “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, edição da Editora Cortez com a UNESCO. Em setembro, na capital cearense, o próprio Morin e algumas dezenas de educadores, sob a chancela da UNESCO, estarão discutindo, de modo avaliativo, o que foi possível implementar na educação, tendo em vista os ‘sete saberes’, ou, ao menos, o que se discutiu no horizonte pedagógico ao longo de uma década. Os ‘sete saberes da educação’ iniciam-se com a ideia fundamental de que o conhecimento é circular. A não-circularidade do conhecimento sobre o conhecimento gera erro. Somos ‘máquinas’ de respostas imediatas e, muitas vezes, respostas essas sem fundamento e densidade. A educação, nesse sentido, deveria se assentar no cânone das indagações e menos na busca de respostas fáceis, o que induz fatalmente ao erro. Tendo em vista que é possível aproximar ’os sete saberes’ da educação dos princípios da doutrina budista, há nessa também uma preocupação em evitar o erro do caminho daquele que pretende evoluir (erro, em sânscrito, akutishiki, ou seja, aquilo que nos desvia do caminho correto). O segundo saber diz respeito ao problema da fragmentação. O mundo continua sendo percebido e conhecido por boa parte dos indivíduos como algo “fora” de nós e totalmente fragmentado! A ideia de conjunto, de totalidade, é o segundo saber, que permite vislumbrar os saberes globais, no qual estão inseridos os saberes locais. A totalidade, em algumas culturas orientais, é representada pelo número quatro. Não é à toa que a doutrina budista preconiza suas quatro verdades, que são, sinteticamente, as seguintes: a existência implica sofrimento; o sofrimento é consequência da ignorância e do desejo; a superação do sofrimento dá-se com a supressão da ignorância e do desejo; e, finalmente, há passos para suprimir a dor e o sofrimento de nossas vidas. Uma delas é a meditação, porque Buda não dissociava a conquista do conhecimento de uma determinada prática de meditação. A unidade e a diversidade da condição humana é o terceiro saber, que deveriam ser internalizadas, dialeticamente, pelos sujeitos que constituem a educação do futuro. No dia-a-dia da sala de aula, pouco se sabe sobre o que é unidade/diversidade dos fenômenos e o quanto a diversidade, especialmente, deve ser respeitada e ‘praticada’, a partir do exercício de alteridade. Pensar o destino comum do planeta: eis o quarto saber para a educação do futuro. Enquanto o conceito de “cuidado” e do “cuidado de si”, perdido lá na antiguidade clássica, não for resgatado em sala de aula, o lixo, para falar em algo bem simples e acessível, continuará sendo jogado de modo indiscriminado no chão. O “cuidado de si” é uma forma de estar atento ao que está sendo pensado e ao que se passa em nosso entorno. Evocando-se o “cuidado de si”, garante-se o cuidado com o Outro, com o planeta. É preciso ensinar os educandos acerca das “incertezas”, o quinto saber. Abordar a questão das incertezas, no âmbito da educação, no horizonte teórico e prático, é preparar a percepção de todos para os imprevistos e o inesperado. A educação para a impermanência, para a transitoriedade, para a efemeridade dos fenômenos, conecta-nos com a doutrina budista, novamente, para a qual a anitya, a impermanência, dá-se diariamente, no exercício mental e na experiência sensível, no sentido de promover o “desapego” das coisas materiais, de nos colocar no centro do tempo presente e de aceitar a transformação permanente desta vida (em sânscrito, maya, ou seja, ilusão). A educação só poderá ser pacífica e solidária quando o exercício de ‘autoconhecimento’ (em sânscrito, atmabodha), tão caro ao budismo, fizer parte do processo da construção de conhecimento. Como ser solidário com o Outro, como aceitar a diversidade e as diferenças, se a educação não proporcionar a compreensão e a vivência dos elementos constitutivos da própria humanidade e não oferecer meios para a autorreflexão? A compreensão solidária apresenta-se como o sexto saber, para Morin. No budismo, ser solidário, alegre e benevolente com o Outro faz parte da felicidade ‘absoluta’, aquela que vem de dentro para fora e não tem relação com o patrimônio material que cada um acumula nesta existência. Por fim, introduzindo o sétimo saber para uma educação futura, é preciso de uma nova ética, que dê conta desse conjunto de saberes. A ética da humanidade, da autonomia e da participação humana tem de ser forjada “nas mentes” dos educandos do século XXI, como afirma Edgar Morin. Transcender a autonomia individual é emancipar-se de uma condição, muitas vezes, passiva e que sinaliza um déficit de racionalidade, própria da ação comunicativa entre os indivíduos de nossa sociedade. Todos temos de participar da construção de uma nova “excelência” moral para este século, para o aqui e o agora!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Festival de Cinema de Gramado!

Todos os anos assisto à entrega dos Kikitos pela TVE do Estado, sempre em um sábado de agosto. Sou tarada por cinema! Quando posso, dou uma passada em Gramado, durante o festival. No ano passado, eu e Rafael estivemos defronte ao Palácio dos Festivais, desde cedo, na noite da premiação (não estava frio!), aguardando para ver de longe a tietagem da galera! Vimos o Marcos Palmeira de longe e vários jornalistas conhecidos. Tive o azar de aparecer, de relance, no Programa Pânico na TV, exatamente quando o Christian "Prior" (o pior deles!!!!) passou pela gente, com microfone na mão, à cata de uma celebridade. Várias pessoas de Santa Cruz assistiram ao programa com imagens editadas em Gramado! Sujei minha reputação para sempre (estou em pânico!). Parece que neste ano, fora o frisson que o longa de estreia "Bróder" causou, não percebi preferências ou destaques! O que eu gostaria mesmo de ter visto e ouvido é a entrega de um Kikito ao Pereio, pelo conjunto de seu trabalho como ator. Aquele cara é único: língua caústica, desaforado, já muito além do Bem e do Mal, do alto de seus 69 anos (idade afeita às suas peripécias!). Ele comentou sobre o filme "Eu te odeio", que já acumula horas de depoimentos dos desafetos de Pereio. Muita gente leu na imprensa e não entendeu se é verdade ou mentira o tal do filme, que parodia o "Eu te amo", do Jabor, da época em que eu era menina, entrante na universidade. Vamos aguardar para ver o que a premiação reservará de frases feitas, falas clichês, um sobe-e-desce recursivo de alguns premiados, desfile de peles anti-ecológicas, os mesmos agradecimentos de sempre aos escassos recursos destinados à criação cinematográfica no Brasil, etc. a mesmice de sempre. De qualquer modo, não pude assistir à cobertura da TVE ao vivo. O que resta esperar é ler o último número da revista de Cinema, "Teorema", da qual um de seus mentores e crítico de cinema é o nosso Marcus Mello, natural de Santa Cruz do Sul, o Marquinhos, cara inteligente, bem-articulado e que luta pela manutenção dessa revista entre cinéfilos e simpatizantes do cinema!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Vírus!

Hoje, dia 8 de agosto, volto a postar em meu blog de minha máquina doméstica. Ela estava há cerca de 20 dias adoentada, por força da ação de vírus malignos que a contaminaram! Que coisa louca que são as novas tecnologias da comunicação! Vírus era, há anos atrás, uma abstração para mim. Após, no entanto, vários problemas causados pela ação nefasta de arquivos contaminados por vírus, não sei, confesso, como contaminaram meu micro (não abro mais arquivo algum, a não ser de amigos e com ressalva!). Um abraço a todos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Rosana e Misha!!

Aproveitei que a minha mami está aqui em casa para invadir o cantinho dela e postar um LO de scrapbook que fiz em sua homenagem. Espero que gostem!! hehe
Créditos:
Kit It's Only Natural by Scrapybug
Template n. 58 by Tiggconn's Scrap Design

Beijos,
Mirelle
www.ascoresdaborboleta.blogspot.com

Os gatos da minha filha!

Os gatos da minha da minha filha são meus netos! Ter netos-gatos é uma tranquilidade: eu não preciso educá-los, nem gastar grana com sua manutenção, nem mesmo pegá-los no colo! O mais velho é um Himalaia lindo, com pelagem cinza e olhos azuis. O do meio é um gato de menor porte acinzentado, meio malhado, de olhos verdes. A gatinha menor é uma femeazinha linda, bem ruivinha, quase vermelha, de olhinhos cor de mel! Nunca gostei de gatos, cresci sem gatos em casa, nunca ganhamos sequer um gatinho. Embora eu não tenha familiaridade com eles, eles vêm ao meu encontro e sou obrigada a reagir. De qualquer modo, conviver com animais exóticos é algo sui generis em se tratando de gatos... e netos!

domingo, 11 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Torcer para a Espanha??????

Quem viaja bastante, tem reservas quando ocorre um evento como a Copa do Mundo e acaba tendo de tomar, vez ou outra, partido de uma seleção. Pensar que os "colonizadores", depois de dilapidarem a cultura azteca e a inca, não se contentaram em levar seis toneladas de ouro para a Espanha, extraídas do Peru! Machu Picchu é algo fascinante, ruínas cheia de energia ancestral e, inexoravelmente, degradadas! No próximo ano, o país comemorará os 100 anos da descoberta das ruínas de Machu Picchu pelo 'expropriador e destruidor de culturas', Hiram Bingham. Comprei, quando estive lá, um livrinho menor, que manifestava a visão de um historiador peruano sobre a descoberta da "Cidade Perdida"! É aviltante o que esses caras fizeram, sobretudo Pizarro. Quando a maior parte do ouro roubado, na forma de objetos sagrados e funcionais, chegou em Sevilha, o Rei Carlos V, tão ovacionado como mecenas e "protetor da artes", foi avisado de que havia peças lindas em ouro, recém-chegadas da América. Imediatamente, ele respondeu: "- Derretam!". Diante da insistência de alguns súditos, cedeu: "- Está bem! Deixem-nas durante um mês em exposição pública e depois as derretam!". Quanta estupidez, a qual temos de ler, temos de tentar contextualizar - e apenas nos resignar depois. Espanha ou Holanda? Pensando bem e sendo coerente com a minha formação, não fico com nenhuma!

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Holanda na final!

Holanda, Netherlands, Holland! Terra de Rembrandt, de Spinoza, da Huizinga, de Van Gogh! Basta, né? Terra dos diques, da cerveja clara com um limãozinho no gargalo, dos moinhos, das tulipas, dos waffles, da Corte Internacional de Haia, dos coffees shops de grass, do bairro da Luz Vermelha! Nossa, com a saída dos hermanos cisplatinos, possivelmente termos na finalíssima Espanha e Holanda (ou Espanha e Alemanha). De qualquer forma, será uma final europeia hegemônica! Entre um e outro, não resta saída a não ser torcer para os espanhóis colonizadores! Teneme al tanto de sus eventos, Copa! Hasta la Vista, amigos!

sábado, 3 de julho de 2010

Festival de Música Erudita em Campos do Jordão!

Oi, galera, especialmente os meus alunos. Ouvimos nesta noite, ao vivo, pela TV Cultura, o concerto de abertura do 41º Festival de Inverno de Campos do Jordão, de Música Erudita, na serra paulista. Estive lá em julho de 2006 e não consegui assistir ao concerto que eu desejava, tal a muvuca que estava a cidade... Na hora de conseguir um táxi para nos deslocarmos a um auditório, a 14km de distância do centro da cidade, quem disse que havia????? Fiquei no desejo e não ouvi ao vivo ao recital do violoncelista Antônio Menezes, um de nossos virtuoses brasileiros com carreira internacional. Para quem quer se iniciar na música erudita (clássica, não, porque representa uma das escolas da música erudita, que é mais ampla), pode ouvir algum programa pela WEB. Há vários em rádios na frequência FM. A TV Cultura vai cobrir ao vivo vários espetáculos, concertos ou récitas, ao longo de julho. Entra no site da TV e checa a programação: TV Cultura.
Se vocês querem investir uma graninha nisso, comecem escutando os "Noturnos" de Chopin (pronuncia-se ChopÉn, não ChopÂn, como a maior parte das pessoas diz!). Ele era polonês, não francês, e 2010 é o bicentenário desse genial compositor, que teve um lindo caso de amor com uma mulher (Aurore Dudevant), que, na cena literária da época, assinava seus textos com um pseudônimo masculino: George Sand. Hasta la vista!

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BRODSKY POEMA DE BRODSKY SOBRE ODISSEU E TELÊMACO 30 ANOS SEM BRODSKY 30 years without Brodsky 30ª Bienal de Arte de São Paulo 37ª Mostra Internacional de Cinema de SP 38ª Mostra Internacional de Cinema de SP e a peça "Meus Deus" 45 ANOS DE MORTE - O REAL MARAVILHOSO 50 anos de morte 50 anos do Apolo 11 6º FestiPOA 7 de setembro 90 ANOS DE MORTE DE FERNANDO PESSOA POESIA COMPLETA DE RICARDO REIS PELA TINTA DA CHINA RICARDO REIS A amiga genial A Besta Á espera de turistas A filha do pai A história de Pi A Morte de Bowie A visitante francesa acessibilidade Adriana Varejão Adriana Varejão. MAM de SP Adriano Scandolara Aetatis Differentia Ai Weiwei Al Nur ALEJO CARPENTIER Aleksandar Hemon Alemanha Oriental. Alexandre Dumas Alexandre Tharaud Alfred Douglas alienígena All About History All Black alteridade. 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