domingo, 20 de fevereiro de 2011

O NOSSO SCLIAR SE FOI...

Hoje cedo recebi um e-mail do Luís Paulo, escritor que vive em Porto Alegre, comentando que a 1h da madrugada de hoje o Scliar teria falecido no hospital, no qual estava internado há tempos. Ele fez uma cirurgia séria em janeiro e todos sabiam que o quadro era grave.
Várias vezes estive com ele: primeiro quando o meu falecido pai, jornalista e artista gráfico, foi o mentor dos fascículos do Instituto Estadual do Livro, que configuravam a coleção denominada "Autores Gaúchos". Na noite do lançamento do fascículo do Scliar, eu e meu pai fomos lá na antiga sede do Instituto Estadual do Livro, o IEL, levar o nosso exemplar para que ele o autografasse.
O Scliar escreveu algo muito gentil, agradecendo o meu pai pela concepção gráfica do volume dele, na época em que se fazia ainda a composição gráfica de jornais e revistas, tudo bem artesanal. Isso há exatos 27 anos atrás!
Depois, fui reencontrar o Scliar, muito atuante na comunidade judaica, quando trabalhei como produtora cultural do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall. Li várias de suas obras. Em uma noite de autógrafos de seu texto "Dicionário do Viajante Insólito", publicado pela LP&M em 1995, ele escreveu uma dedicatória em meu exemplar, que guardo com carinho até hoje: "Para Rosana, baluarte da cultura judaica, homenagem do Moacyr Scliar".
O que mais me marcou mesmo, como leitora da literatura produzida no RS, foi "A estranha nação de Rafael Mendes". Esse texto me deixou perturbada e não parei a leitura enquanto não o finalizei. Também "O exército de um homem só" e "Max e os felinos" me agradaram muito quando de seus lançamentos.
Deixo aqui o meu testemunho carinhoso de quem com ele conviveu, por alguns anos, especialmente em 1995, ano em que organizei um volume sobre a vida e a obra de tradutor de Herbert M. Caro, que era amigo pessoal dos sogros de Scliar. Ele escreveu, naturalmente, um dos capítulos do livro sobre o Caro.
Ele disse que a mesma vela que acendemos em um bolo de aniversário é aquela que estará presente em nosso funeral. Sábio, Scliar! Relembro teu semblante e tua solicitude hoje! Serás 'imortal' sempre entre os teus!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

HAMBURG

Hoje chegamos em Hamburg, apos duas horas de trem. O Rafael tem um primo que vive aqui ha mais de 25 anos. Ele veio nos buscar para passearmos pela cidade e jantarmos em seu apto. Hamburg tem uma parte mais escura, da qual ouvi falar, por ser um porto, mas tem seus encantos do ponto de vista arquitetonico, fora o fato de que tem lagos, alem do lindo Rio Elba.
Amanha iremos para Colonia Um beijo a todos!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ULTIMO DIA EM BERLIM

Hoje fomos visitar nosso ultimo museu: o GemaldeGalerie, um museu apenas de telas a oleo.
Vi oito telas do Durer, que eu aprecio demais e uma colecao de italianos renascentistas bem significativa.
O Rafael foi para a Universidade Livre de Berlim. Ele foi conversar com um figurao da area de Historia. Estou aqui no Hostel, fayendo tempo, porque esta muito frio na rua. Fay zero grau agora, 14h. Imaginem mais tarde!
Temos um encontro com o Airton e a Mabel mais tarde, para nos despedirmos deles.
Amanha, iremos para Hamburg, para conhecer a cidade e visitar um primo do Rafael.
Grande abraco a todos! Estamos adorando e nos divertindo muito!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cinco dias em Berlim...

Oi, pessoal! Como compramos um Tage Karte (um passe para museus para ser usado em tres dias), comecamos a saga das visitas na sexta. Hoje, entrei em quatro e o passe terminou. Foram sete museus em sete dias, mais a visita oficial e paga a Catedral de Berlim, mais a ida a um filme argentino no Berlinale e muitas outras caminhadas.
Para a alegria do Rafael, hoje nevou durante toda a manha, bem fraquinho, mas estava fazendo um grau. Muito frio!!!!!!!
Fui ver a colecao egipcia da Neues Museum. Magnifica e quase do mesmo nivel da colecao do Louvre. No final do dia de hoje, ja a noite, entramos em um centro de documentacao chamado "Topografia do Terror" para conhecer mais os aspectos estrategicos do bunker de Hitler em Berlim e todo o aparato administrativo-burocratico desta cidade. Impressionante! O campo de concentracao daqui nao fica longe. Se der, o Rafael ainda ira la na quarta. Amanha, iremos visitar a cidade de Postdam e o castelo de verao de Frederico I, o Grande. Na terca, o Rafael tem uma visita a Universidade Livre de Berlim. A noite, vamos sair com o Airton e a Mabel, novamente (amigos de Santa Cruz). Um beijo a todos! Escrevam comments para nos. Amanha eh o Valentine s Day aqui. Ja ganhei umas luvas de pelica lindas do Rafael. Ate!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

BERLINALE

Amigos, fomos a um filme no Berlinale. Um amigo do Rafael enfrentou uma baita fila para vermos m filme argentino que concorre a um urso. Muito massa! Foos hoje pela manha ao Museu Judaico! Maravilhoso! Grande beijo!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

BERLIM NO FESTIVAL DE CINEMA, BERLINALE

Oi, pessoal!
Chegamos ontem a Berlim. O tempo aqui nao estava legal ontem, amanheceu chovendo, mas melhorou muito a tarde. Fomos visitar os Museus da antiga DDR e o maravilhoso Pergamon.
Um abraco!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

AINDA SOBRE PRAGA

Amigos que virao a Praga. lembrei-me de mais duas coisas; saindo da estacao central de trem, peguem um `trum`, nao um onibus, de numero 9, no sentido Rua Narodni. O cara do desk information nos deu a informacao errada quando chegamos e entramos em um trum no sentido errado. Como falei, voces terao de comprar os bilhetes em uma maquininha amarela, que ha perto de todas as paradas de trums e bus. Apertem o primeiro item, full price, que nao da erro, mas voces tem de ter moedas. Na hora de trocar uma graninha no cambio da estacao, pecam umas 100 coroas em moedas. Sem moedas nao da para se deslocar.
Depois, o mais importante. Nao troquem mais grana em cambios. Um brasileiro ontem nos falou que temos de usar apenas cartao, debito ou credito, em Praga. Dai nao fica tao caro para o nosso bolso.
Deem um retorno. Agora vamos a Dresden por um dia. Amanha seguiremos para Berlim, por uma semana.
Um abraco a todos!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SOBRE PRAGA PARA OS AMIGOS QUE ESTAO NA EUROPA

Queridos Jana, Marco e Thais!
Obrigada pelos posts. Eu nao sabia que tu, Thais, estaria com o Marco nesta viagem.
Bem, Praga eh divina, mas over priced! Ja sao cidades de 23 paises que conheco, contando agora Praga. So que os butias cairam do bolso com os precos praticados aqui. Os guias ja diziam que aqui os valores sao over priced, mas eh muito para nos.
Tres diarias em Hostel na rede, na Rua Narodni (vejam pelo Googel), bem centralizado, custam 3600 coroas tchecas (225 euros). Os cambios pagam nada mais que 16 coroas por um euro. Entao, eh caro para nos. Consegui pagar ate agora as diarias de hostel no VISA. Estamos comendo pouco aqui, porque dois baguetes no Subway custaram o olho da cara, quase 20 euros para nos dois, com um refri apenas.
Saiam da estacao central de trem e ja troquem uns 30 euros. Depois, comprem em uma maquininha amarela um tiquet para o trem, que passa na frente da mesma. O tiquet deve ser o primeiro item (full price). Eh dificil de sacar as coisas em tcheco, mas eh so falar em ingles, com o pessoal na rua que todos nos ajudam. Para chegarem aqui neste hostel peguem o trem numero (, que passa a uns metros na entrada no hostel, que fica no primeiro andar de um predio na Rua Narodni. Barbada, voces conseguirao.
Entrem na paginado hostel, pelo Google, e enviem um email, fazendo a reserva, como falei, em quarto duplo, com WC fora do quarto.
Nao tem cafe da manha incluido. Terao de comer algo na rua.
Em dois dias, voces conseguirao ver o importante, como passear pela area do distrito do castelo (nao tem castelo para visitar)! Comprem um ingresso combinado para visitar o Old Royal Palace, a Basilica de St. George e um outro predio do complexo. Caminhem bastante pela antiga Prefeitura, a Old Town, e depois pelo bairro judaico. E era isso! Nao da para entrar nos museus, com excecao do Museu do Comunismo, que priorizamos. Marco, tu nao podes deixar de ir la.
Um beijo, amigos! Enviem comments ou qualquer outra pergunta.
Ate o proximo post.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Heidelberg e Praga

Oi, amigos! Ontem estivemos em Heidelberg. Fizemos um longo passeio a pe e fomos ao castelo. Lindo! A cidade eh divina e ate o sol apareceu.
Corrigi os erros do segundo post. Desculpem-me.
Chegamos em Praga as 19h. Nao faz muito frio, a noite esta linda e uma lua crescente nos abencoa.
Ja fizemos o check in no hostel bem no centro da cidade.
So chegamos aqui por falarmos ingles, senao nao daria mesmo.
Um grande abraco a todos. Ainda nao conseguimos fazer o download das fotos. Nos hostels nao da.

Ate mais!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ainda em Frankfurt

Oi, amigos! Estou em teclado sem pontuacao e acentos, um problema para quem preza sua lingua! Hoje saimos perto das 10h do Hostel. Estava mais frio que ontem. Fomos de U-Bahn ao cemiterio municipal. Logo vimos a placa com o nome de Schopenhauer. Fomos ao tumulo e fizemos fotos. Depois caminhamos pelo cemiterio, que eh um parque, na verdade, e fomos ate o antigo museu judaico da cidade, com lapides em tom de verde, por causa do limo, dos seculos VXIII e XIX. Muito interessante! Saindo de la, fomos a biblioteca nacional, bem na esquina do cemiterio. Enorme e impressionante! Apos um cafe e um papo, comecamos a longa jornada para entender como chegar de metro ao Museu de Historia Natural. Na rua, uma senhora se ofereceu para ajudar o Rafael a comprar direto da maquina. Eh dificil para entender! Fizemos uma baldiacao em uma estacao e entramos em outro trem de outra linha. Chegamos la antes das 14h. Estava muito frio a tarde. Agora a noite, estou em uma lan house. Sao 22h52 e nao esta tao frio, quanto a tarde. Deve estar uns cinco graus agora. Algo bem suportavel!
O Rafael ficou no hostel arrumando a mochila porque amanha saimos de Frankfurt, rumo a Heidelberg. Voltando ao Museu, ele era grande com muitas salas de fosseis marinhos. O que me interessava mesmo era ver o acervo de fosseis de T-Rex e dinonassauros. O saguao central, logo na entreda, apresentava varios deles. Muito legal! Na volta, pela mesma linha de metro, comi uma fatia de pizza da Pizza Hut e saimos para caminhar mais um pouco pelo centro. La encontramos um grupo de uns 15 egipcios, manifestando-se pela saida de Mubarack do poder e pela liberdade do povo deles. O Rafael conversou com um do grupo, que explicou em ingles o motivo da causa dos egipcios. Eh isso! Amanha, faremos uma viagem bonita de trem ate Heidelberg, a 50 min daqui, com o nosso passe de trem, o Saver Flexy Pass.
Tania, amanha, peco-te que facas as operacoes na minha conta. Mi, tudo bem ai, filha?
Jana, posta algo para mim, criatura! Te escrevi varias vezes. Agora eh a tua vez. Um abracao a todos. Valeu Tania e Koehler pelos comentarios. Ate mais!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

De Frankfurt

Oi, pessoal! Nao vou conseguir postar as primeiras fotos. Foi dificil encontrar uma lan house em Frankfurt. As pessoas sao gentis e simpaticas, sobretudo com o Rafael, que fala com todos, com seu alemao basico e um ingles avancado. Desculpem-me a ausencia de pontuacao: o teclado e difierente e o acesso eh caro!
Bem, senti-me uma idiota por nao ter vindo passear antes na Alemanha. Saimos na boa do aero de Frankfurt, pegamos um shuttle ate o terminal de metro, descemos na enorme Hauptbanhof e pegamos um onibus ate chegarmos ao hostel as 18h de ontem, quarta. Foram, portanto, quase 30 h entre a saida de S. Cruz e o check in no hostel, que eh grande, limpo e lotado de brasileiros (fazendo barulho, falando alto e rindo exageradamente!).
Hoje, fomos a Casa de Goethe, ao Museu Arqueologico, a uma exposicao sobre Schopenhauer e ao Museu de Arte Moderna. Almocamos por um valor razaovel e fizemos compras em um market para o rango da noite: jamon serrano, brie alemao, vinho frances e chocos alemaes. Tudo por 13 euros para dois.
Amanha iremos visitar Schopenhauer, meu amado, no tumulo, e iremos ao Museu de Historia Natural, porque eh o maior da Alemanha.
Aguardem, sabado, noticias de Heidelberg.
Um beijo e um abraco a cada um de meus amigos, filha, genro e irmas. Te mais!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

FÉRIAS: RUMO À EUROPA CENTRAL!

Tenho assistido a DVDs em casa com locações em países europeus, ou destinos mais exóticos, tamanha a minha vontade de viajar e descansar. Sei que há pessoas que se regozijam por não tirar férias há anos, mas como minha atividade de professora exige muito de meu intelecto, especialmente de minha memória, necessito, sim, de um período de ócio.

As férias são um direito de todo o trabalhador, seja celetista, estatutário ou contratado. Hoje, é tertia feria! Segundo o calendário romano, feria, em latim, tem o sentido de dia em que não se trabalha por questões religiosas.

Por influência da Igreja, no século IV d. C., surgiram o ‘sábado’ e o ‘domingo’, substituindo, respectivamente, o septima feria e o prima feria. A Língua Portuguesa foi a única que manteve a expressão ‘feira’, na designação dos dias da semana.

Na próxima terça-feira, dia 31, viajaremos, eu e Rafael, para a Europa Central, por 20 dias. Se eu conseguir acessar a WEB sem problemas, no turno da noite, tentarei enviar a vocês, amigos, algum post. O acesso à WEB é caro lá e não sei se terei fôlego, após tantas horas de caminhada diária, para escrever algo produtivo e bem-humorado!

Na expectativa religiosa de minhas férias, ou de meu ócio produtivo (é uma questão de perspectiva), deixo aqui um abraço carinhoso aos meus amigos, alunos e ex-alunos. Tentarei enviar algum comentário sobre Frankfurt, Heidelberg, Dresden, Praga, Berlim (vamos ao Berlinale) e Amsterdan.

De qualquer modo, estarei acessando o meu blog pessoal, para aqueles que quiserem acompanhar a nossa aventura, ler narrativas e ver fotos! Bye!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

AS ÁGUAS QUE LEVAM...

Ontem, ouvi o Papa Bento XVI, pela TV, fazer uma bênção apostólica às vítimas das enchentes de vários municípios brasileiros, em estado de calamidade. O que mais emocionou a todos não foram apenas as imagens de resgate de pessoas soterradas ou levadas pelas correntezas, mas a rede de solidariedade que se construiu rapidamente no Estado do Rio de Janeiro.

Assisti a uma reportagem sobre a doação de sangue aos bancos de sangue dos hospitais da Serra Fluminense. Havia entre os doadores pessoas que viajaram mais de duas horas, respondendo aos apelos da Defesa Civil.

Tenho amigos antigos em Petrópolis. São gaúchos de Porto Alegre, mas estão radicados há muitos anos em Petrópolis, cidade serrana na qual têm uma pousada luxuosa. Na quarta-feira passada, quando as primeiras imagens de destruição foram projetadas pelas TVs, fiquei extremamente preocupada em função deles e pelo fato de eu não me lembrar do nome de sua pousada.

Após contatos pela WEB, através do Facebook, por conta de que as linhas telefônicas deixaram de funcionar, minha amiga deu um retorno e comentou que a pousada não havia sido atingida pelos deslizamentos, uma vez que fica no bairro de Nogueira, em Petrópolis, não atingido pelas águas e quedas de barreiras.

O Governo Federal já havia liberado recursos para a prevenção de tragédias como essas. O problema é que apenas o Estado da Bahia, através de projetos técnicos multiprofissionais, enviou suas propostas de parte de vários municípios baianos. Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, deveras atingidos em constantes enchentes nos últimos anos, não participaram do edital, segundo os observatórios sociais, hoje 31 no Brasil, coordenados pelo Instituto da Cidadania Fiscal, que tem a tarefa fundamental de promover o controle social dos gastos públicos.

Tragédias como as do Rio de Janeiro e de São Paulo continuarão ocorrendo em período de chuvas abundantes, se os governos municipais e estaduais não se organizarem, a partir de uma avaliação séria e profunda dos episódios e da concepção de projetos técnicos, que removam o pessoal que vive em áreas de risco e de obras necessárias à contenção das encostas das serras.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

AS VÁRIAS TRAIÇÕES DA TEMPORADA


A mídia tem explorado, insistentemente, a volta de Ronaldinho Gaúcho. Entendo pouco de futebol, mas dei meus pitacos nesta coluna quando da Copa do Mundo na África do Sul. Acho que me saí bem! Não aguento mais de ouvir falar de Ronaldinho Gaúcho, no entanto.

Ademais, fala-se agora na dupla “traição” de Ronaldinho Gaúcho, arregimentada por outras traições como a do empresário da novela das “Oito” da Globo (que, finalmente, terminou!); a traição da Amy Winehouse, em relação à expectativa de 12 mil fãs, que foram assisti-la, ao vivo, em um show em Floripa; e pelo longa que se encontra em cartaz, atualmente, em Santa Cruz do Sul, “A Rede Social”, que trai pelo roteiro simplificado e pela trama sem emoção.

Tenho uma página no Facebook, que gerencio há quase dois anos, blog, Orkut, Twitter, e mais três contas de e-mails para administrar. Posso me considerar uma adepta das redes sociais. O que o filme apresenta como mote principal é a ideia de que o Facebook teria sido concebido por um grupo de acadêmicos da Harvard University, interessado em relacionar-se com as acadêmicas da instituição.

Pelos depoimentos de Mark Zuckerberg, criador do Facebook e personalidade eleita pela revista Time em 2010, o website não foi erigido com vistas a colecionar mulheres, ainda que a ideia propulsora tenha sido a de criar um sítio de relacionamento.

As ações judiciais que teve de enfrentar, e que lhe renderam o desembolso de milhões de dólares a seus ex-colegas de universidade, associados, inicialmente, ao empreendimento, também lhe valeram a pecha de ‘traidor’.

O fato é que, talvez, o filme ‘desinforme’ mais o usuário, pouco familiarizado com as redes sociais, que o oriente, verdadeiramente, em relação às fontes que originaram o sucesso que é hoje o Facebook, especialmente entre internautas brasileiros.

De qualquer modo, vale a pena conferir o filme, mesmo com um roteiro meio problemático. A rigor, só se pode negar ou criticar aquilo que se conhece e, como já teria dito Nelson Rodrigues, “a unanimidade é burra”! Portanto, assistamos e façamos a crítica!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PRESIDENTA OU PRESIDENTE?

Desde o início da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, já havia no ar uma dúvida de parte da imprensa e dos próprios partidários: presidenta ou presidente? Em uma matéria da Folha de São Paulo, do mês de agosto, a polêmica instaurou-se, quando uma jornalista (Ana Flor), referindo-se à palavra presidenta, alegou que é uma “(...) alteração do gênero da palavra, que na ortografia não tem versão feminina (...)” – o grifo é meu!

Depois disso, foram muitos os comentários à reportagem citada. Primeiro porque a mesma tinha um tom meio reacionário; segundo, porque não é na ortografia que encontraremos uma regra para verificar se um vocábulo varia em gênero. Se a palavra presidenta não existisse, seria, talvez, um erro semântico, mas não de ordem ortográfica.

Acompanhando pela TV a posse de Dilma Rousseff à presidência da República Federativa do Brasil, fiquei emocionada em dois momentos distintos! Primeiro porque ela exortou a memória, em seus dois discursos, daqueles que tombaram durante a ditadura militar no Brasil. Em um segundo momento, bem pontual, foi quando a presidenta foi convidada a passar a tropa em revista, como comandante-em-chefe.

Nunca, no Brasil, até então, uma mulher esteve na condição de comandante-em-chefe, o que demarca novos tempos e uma nova era neste início da segunda década do século XXI. Ademais, fiquei contando o número de agentes mulheres da PF, o número de ministras empossadas e o número de convidadas internacionais. Vi, pela TV, o abraço trocado entre Dilma e a Secretária de Estado do Governo Obama, Hillary Clinton. Não vi, nem sei se veio à posse, a presidenta da Costa Rica, eleita em 2010, Laura Chinchilla. Não vi e sei que não esteve à posse, ausência plenamente justificada, Cristina Kirchner, presidenta da Argentina.

O governo da presidenta Dilma Rousseff alimentará, futuramente, estudos de natureza antropológica, psicossocial e política, dentre outros, por algumas gerações, sem falar nas versões cinematográficas que virão! Dessas, poupem-nos, ao menos as mulheres!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MUNDO HIGH TECH E VIDA REAL

Fui assistir no domingo à noite ao remake do Tron, um filme futurista realizado com o suporte tecnológico, que, na época, final da década de 80, era possível acessar. Assisti ao filme-matriz em VHS, não me lembro em que ano. Os críticos comentam que o Tron original não fez o sucesso esperado porque tinha uma linguagem nova, avant la lettre!

O remake do Tron é carregado de efeitos digitais, simulações visuais, movimentos geometrizados fantásticos, que deixariam um cientista do início do século XX eletrizado... O roteiro é interessante e pode ser alvo de uma leitura metafísico-sociopolítica. Os programas dos falecidos videogames da década de 80, encarnados em personagens, rebelam-se contra a tirania do usuário que os criou, o Criador.

Dá para compreender a engenhoca? É como se, na era da robótica, os robôs atingissem uma perfeição tal que pudessem questionar e se insurgir contra seus usuários. Mais longe ainda, é como se os obsoletos I-Pods (traduzindo: ‘os portáteis que todos nós, Eu/vocês, desejamos’) pudessem ter vida própria e criar um tipo de conflito civil contra os mentores/criadores dos celulares de alta tecnologia, equipamentos que os absorveram, os smarthphones e toda a geração hightech de comunicação digital dos noughties, a primeira década dos anos 2000, como os americanos a batizaram.

Muito interessante refletir sobre a ficção em que os personagens de programas de videogame, dos 80, revoltam-se contra seus ‘controladores’. É fácil e automático admirar-se com a ficção tecnológica. Difícil, mazela de nossos tempos, é espantar-se com a nossa própria realidade e reagir, coletivamente, contra ela.

Na vida real, que, não raras vezes, até parece ficção, uma Matrix, referindo-me ao primeiro longa da trilogia, de 1999, o que fazer quando o grupo dos Morpheus (do Mal) ministra instruções e logística aos ‘mocinhos’ liderados por Neo (do Bem)? Neste jogo de lasers, neons e espelhamentos, não sabemos mais quem é de cá e quem é de lá.

Que em 2011, fiquemos mais ligados na essência dos eventos e menos nas aparências!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O PRESENTE DE NATAL DOS PARLAMENTARES

Meu amigo e ex-aluno Fabiano Felten, que, como eu, também gerencia um blog, diga-se de passagem inteligente e atual, escreveu neste final de semana sobre o tema que eu já havia decidido para esta coluna: o aumento dos salários dos parlamentares.

A crônica do Fabiano intitula-se ‘presente de grego’, reportando-se ao cavalo de madeira que os aqueus ofertaram aos troianos, na epopeia de Homero. O episódio da diplomação da semana passada, das manifestações de alguns de nossos representantes, associadas à notícia do aumento de seus salários, deixou-me demasiadamente chocada que, confesso, escrevo estas linhas mais por obrigação formal que por prazer.

A realidade da política nacional lembra-me dos personagens e das observações astutas dos contos de Machado de Assis, especialmente os reunidos em “Histórias sem data”, “Papéis avulsos” e “Várias Histórias”. Um bom presente de Natal, leitor, para quem quer presentear alguém que, além de ler boa literatura, é perspicaz para compreender a profundidade e a atualidade da narrativa ficcional de Machado enquanto um inequívoco libelo contra, sobretudo, a mediocridade humana.

Deixo-lhe, leitor, de presente de Natal (não é um presente de grego, não!), uma singela recomendação de leitura, o conto ‘A Teoria do Medalhão’, que está no livro “Papéis avulsos”, de Machado de Assis, publicado em 1882.

O conto utiliza-se da engenhosa imagem do medalhão, que tem uma face que é opaca, suada e sem atrativos, colada à pele do usuário. A outra, entretanto, a que fica como alvo dos olhos dos outros, é brilhante, vistosa, constituída de atrativos como metais ou pedras.

Fica aí uma provocação para que, neste final de ano, todos reflitamos sobre os “medalhões” que nos representam e sobre aqueles, em particular, que cada cidadão referendou. Um Feliz Natal a todos, muita paz interior e muita saúde a todos os leitores do Diário Regional.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

AINDA SOBRE JOHN LENNON (PARTE II)

Então, contava eu na semana passada que estive em uma retrospectiva da obra artística da Yoko Ono em São Paulo, em dezembro de 2007. Fiquei tão perplexa com suas peças em bronze, em especial, com a camisa do John, que ela transformou em escultura e colocou nela um furo, na altura do peito, e uma lava de tinta vermelha, escorrendo até a bainha, que chorei... Chorei e tive de me recompor, sob o olhar do guardinha, que vigiava a sala de exposição. Eu já havia lido e visto fotografias de obras da Yoko, mas a retrospectiva já tinha itinerado pela Europa e tomava todo o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil de SP. O que li e o que eu ouvi, desde menina, sobre a Yoko me trouxeram uma imagem distorcida de sua pessoa e eu não estava preparada para compreender tamanha sensibilidade estética, posicionamento político e amor plasmado em suas obras. Eu estava sozinha em SP e não tinha com quem conversar sobre as minhas sensações e emoções, excesso de interioridade... Daí, penso que compreendi o amor deles. O amor que John exaltava, publicamente, por ela, sete anos mais velha que ele, intitulada de ‘feia’ pelos estadunidenses, que acabara de algoz da dissolução dos Beatles. Ele manifestara, li em uma reportagem em inglês, que gostaria de morrer antes dela, porque não conseguiria sobreviver a ela. Um amor assim não cabia dentro de uma banda – a banda acabou; o amor, não, tampouco o sonho. Na semana que passou, as homenagens foram muitas: Bono Vox abriu o show do U2 em Brisbane, na Austrália, na noite de 8 de dezembro, cantando um trecho de uma canção dos Beatles (jornal de rock Whiplash). Nas noites de 4 e 5 de dezembro, a CNN levou ao ar mais um documentário, intitulado Losing Lennon. Na noite de 9 de dezembro, Paul participou do programa do comediante Jimmy Fallon e cantou com ele, em dueto, a versão original de Yesterday, que falava em ‘ovos mexidos’ (scrambled eggs), dando-lhe uma pista para lembrar da melodia e manter o timing das palavras. Mark Chapman, que já teria direito a sair em condicional, e não consegue que a Justiça americana o libere, um dia sairá às ruas novamente. Imaginem se o povo vai deixá-lo viver em paz, como sonhava o sonho de Lennon para todos? É viver e esperar...

domingo, 12 de dezembro de 2010

A FACE OCULTA DE MAURO ULLRICH

Ontem à noite, não fomos curtir o novo bar da cidade, o Legend Music Bar, mas, sim, ao jantar de despedida do Prof. Flavio Williges, meu ex-colega, amigo eterno e ex-colunista da Gazeta do Sul. A noite estava agradável, com lua e estrelas (a meteorologia errou novamente!). Saímos de lá pelas 2h30 da madruga. Eu poderia ter dormido mais hoje; no entanto, conforme contara para os meus amigos lá na despedida do Flávio, há um galo miserável e uma dúzia de galinhas no vizinho ao lado, em uma casa, em pleno perímetro urbano, que nos impede de dormir.O barulho é demasiado, sobretudo quando o galo está atrás das galinhas.
Nesses momentos, em que não posso desfrutar do sono sagrado, passam-me ideias mirabolantes pela mente - e até sinistras. Lembro-me, então, de que Schopenhuaer e Maquiavel ressaltavam em suas obras o fato de que o homem é um animal méchant (perverso) por natureza. Por enquanto, tenho tentado controlar a minha hybris e não corroborar a posição dos caras acima...
Levantei-me para escrever sobre Lennon? Não, para comentar uma face (que eu não conhecia) do Mauro Ullrich, marido da Josi, e jornalista da Gazeta do Sul. Sou colunista do Diário Regional, há meses; então, tenho evitado de falar com a Josi sobre as minhas crônicas, os comentários que rolam no blog e as vozes dissonantes que têm surgido nesta cidade, em relação às minhas ideias (acho que a Josi é uma "espiã", leitor). Que coisa maravilhosa quando pessoas discordam da gente e sabem como expressar-se diante do dissenso, da diferença, das pequenas tensões.
Só não consigo, em relação à Música, enquanto expressão estética universal, apreciar, por educação e amizade, um "sertanojo universitário (que não se forma nunca...diria o Rafael Trapp), funk, pagode ou bandinha. Estão aí elencados os gêneros que me causam síncope orgânica! Quando rolam, eu me retiro em silêncio! Respeito os gostos divergentes!
Mas ontem à noite, o Mauro Ullrich, roqueiro inveterado e também apreciador de um bom metal, estava cantarolando 'sambas de morro' e as clássicas da MPB. O Rafael Koehler, nosso aluno e professor de violão, estava se esforçando para dar alegrias ao Mauro, mas ele não conhecia as pérolas que o cara desfiava. Peguei o violão e tentei mostrar serviço; toquei a cult "Saudosa Maloca" e um sambinha do Chico Buarque. Pois o Mauro as cantou, cantou todas, e isso me impressionou. Como pode um roqueiro conhecer samba? Não só conhecer o gênero, mas cantá-lo e afinadamente!
Isso é a encarnação do dissenso, do qual falara antes. Também sou roqueira. Comecei a tocar violão nos final dos anos 60, interpretando Elis ou Nara Leão, mas também os Beatles e, alguns anos depois, os temas do rock progressivo inglês. O Mauro ama o Paul e trabalha na Gazeta. Eu amo o John e escrevo para o Diário Regional. Nem por isso, trocamos farpas ou deixamos de cantarolar juntos. Espero que alguns leitores desta cidade cheguem a esta crônica e entendam sua mensagem sub-reptícia. Josi, tu não tens pinta de mulher da ex-KGB ou da ex-Stasi. Vou conversar contigo sobre o que escrevo. Mauro, tu és uma figura, canta bem e és muito carinhoso! É muito bom encontrar o dissenso humanizado, na casa de amigos em comum, e poder confraternizar, como faziam os antigos gregos.
Leiam, pois, minha crônica na terça. Continuarei a falar do John, que imaginava todas as pessoas vivendo suas vidas em Paz, mesmo com sua natureza méchant! Have a nice Sunday!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO LENNON MORREU? (PARTE I)

Na página da CNN, encontra-se um link destinado à pesquisa: “Where were you when Lennon died?”. A tradução está no título desta crônica, carregada de nostalgia. Eu estava em São Paulo, de férias, na casa de amigos, quando alguém comentou que John Lennon havia sido assassinado. Era dia 9 de dezembro de 1980, o dia subsequente ao crime, que ocorreu na noite de 8 de dezembro. Tivemos de esperar para checar os detalhes, que envolviam a morte de Lennon, em uma reportagem da TV.

Desde outubro, quando Lennon completaria 70 anos, homenagens e tributos estão ocorrendo, especialmente em Nova York e em Liverpool. No início desse mesmo mês, em uma lojinha de Manhattan de cultura pop, o FBI ficou sabendo que um documento com as digitais de Lennon, de 1976, quando ele solicitava a cidadania americana, estaria sendo leiloado naquele dia. Foi um tumulto e, após telefonemas dos proprietários da loja a seus advogados e um fax do FBI, solicitando a apreensão do tal documento, o mesmo desapareceu com um agente enviado para a missão.

Ninguém sabe como esse documento, que sumiu do escritório da Imigração, à época, foi parar nas mãos de comerciantes. O fato é que, até hoje, o FBI continua interessado no ‘caso Lennon’. Assisti a um documentário, em Porto Alegre, em pré-estreia no Festival Varilux, no mês de junho, muito sugestivo: “Os EUA contra John Lennon”, de David Leaf e John Scheinfield, 2006, 1h36min. O filme pode ser baixado com legendas em um sítio da WEB.

O documentário mostra Lennon bem menos como um troublemaker (um legítimo criador de problemas!) e muito mais como um verdadeiro pacifista, um militante incansável, sempre apoiado e acompanhado por Yoko em suas investidas. Ainda que muitos se refiram a ela, até hoje, como a uma “alien”, tive a oportunidade de conferir uma retrospectiva dos 50 anos de sua obra artística, não apenas pictórica, mas sobretudo de performances e instalações, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, em dezembro de 2007, que me deixou emocionada. Encontrei, em uma sala especial da exposição, objetos em bronze. Lá estava uma camisa de John, embalsamada em bronze, com um furo paradigmático na altura do coração. Do furo, escorria uma mancha escarlate, que descia até a bainha...

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