quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MAIS CINEMA EM PORTO ALEGRE: 'NO', DE PABLO LARRAIN; 'O IMPOSSÍVEL', DE JUAN BAYONA - 1ª PARTE

No final de semana que passou, estive em Porto Alegre para uma maratona de filmes. Não havia mostra de cinema, tampouco festival. Eu decidi não assistir aos longas em pré-estreia e conferir aqueles que já estavam há meses em cartaz e que eu havia perdido, por força de morar a duas horas da capital. O "No" era o primeiro de minha lista, uma vez que tive um grande amigo chileno no início dos Anos 80, em Porto Alegre, intercambista da UFRGS, que me contava os horrores que ocorriam em Santiago naqueles duros tempos. Ainda nessa época, um amigo de minha irmã, também chileno, que estudava em Porto Alegre, contou-nos os 'miúdos' sobre o atentado contra Pinochet (de parte do FPMR - Frente Patriótico Manuel Rodríguez), na estrada do Cajón del Maipo, a quase 50 km de Santiago, em setembro de 1986, que matou cinco pessoas ligadas à guarda pessoal do general e feriu outras. Estive por lá em 2004,  para fotografar o 'monumento aos mortos', erguido na localidade e conversar com os nativos da região. Nos dois primeiros filmes assistidos (o primeiro está em cartaz no Espaço NT de Porto Alegre), fiz uma dobradinha entre o de teor político, de 2012, o "No", de Pablo Larrain, e o segundo que considerei um dramalhão, baseado em uma história real, "O Impossível", de 2012 também, produção espanhola com direção de Juan Antonio Bayona. Vou comentar mais detidamente o filme franco-chileno "No", pelo episódio emblemático para a América do Sul que ele resgata, a não menos sangrenta ditadura militar de Pinochet. O "no", a que o título se refere, diz respeito ao plebiscito convocado em todo o país, por forte pressão internacional, em outubro de 1988. Um dos mentores da campanha pelo 'no', na TV, que teria de durar os mesmos 15 minutos, a que o partido que sustentava o Governo de Pinochet também tinha direito, é o ator mexicano Gael García Bernaz, cujo personagem vive as pressões, as tensões e as contradições do processo instaurado em todo o país pela manutenção ou não do governo militar, nos meses que antecederam o plebiscito. No filme, vê-se os homens da terrível DINA atuando, o equivalente ao DOI-CODI no Brasil, durante o regime militar. Dois anos após a campanha pelo 'no', que alcançou quase 56% entre a população chilena, finalmente, Pinochet entrega o cargo a seu sucessor. O filme inclui imagens de arquivo e vale a pena ser assistido pela história política do Chile e pelo tipo de mobilização que houve à época, que sensibilizou diversos segmentos da cultura e da arte, além da intelligentsia do país. 
O segundo longa, de produção espanhola, do diretor Bayona, é um dos filmes da safra que retrata o tsunami, que atingiu violentamente parte do litoral asiático em 26 de dezembro de 2004 (Tailânda, Maldivas, Malásia, Sri Lanka e, especialmente, a Indonésia), matando mais de 200 mil pessoas. O longa é inspirado em uma história real de uma família, que passaria as festas de final de ano em um resort à beira-mar em Khao Lak, uma das praias mais atingidas pela onda mortal, situada na província de Phang Nga, na Tailândia. A famosa praia de Koh Phi Phi teve 700 mortos, o maior número, no mesmo litoral, e até hoje a população nativa faz rituais para apaziguar os espíritos dessas vítimas. É isso! Se forem assisti-lo, levem um pacote de lenços de papel. Obrigada pela atenção, amigos e simpatizantes!

domingo, 6 de janeiro de 2013

"A HISTÓRIA DE PI", DE ANG LEE: 'APROPRIAÇÃO DESVIANTE'?

Tenho aqui em minha biblioteca "Max e os Felinos", de Moacyr Scliar, publicado pela LePM, de Porto Alegre, em 1981. Reli-o ontem à noite, em uma leitura dinâmica e rápida. Durante uns 20 anos, li muitos dos livros de Scliar, por quem eu tinha o maior respeito, uma vez que trabalhei como produtora cultural do saudoso Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, sediado no Bom Fim, na capital gaúcha. Por conta disso, tive muitas oportunidades de conversar um pouquinho com o escritor de origem judaica. Uma de suas obras, inclusive, quando de seu lançamento, me foi alcançada por ele com uma digna dedicatória, que guardo com carinho até hoje. Pois então, foi-se o nosso Scliar há quase um ano, sem que tivesse tido a oportunidade de assistir ao mais novo filme de Ang Lee, cujo roteiro foi baseado no livro do escritor canadense Yann Martel, agraciado em Londres com o Booker Prize, no início dos anos 90, logo após a tradução de "Max e os Felinos" ter aparecido no mercado editorial norteamericano, em 1990, com o título de "Max and the Cats". A acusação de plágio deve ter rodado o mundo, porque, na época, acompanhei pela ZH, Folha de SP, Revista Veja e não sei mais que veículos... Primeiro, considerei uma injúria à obra do Scliar. Imaginem se alguém tivesse plagiado o meu favorito "A estranha nação de Rafael Mendes"? Talvez, eu tivesse ficado indignada mesmo. O Scliar não ficou, não. Não entrou com uma ação judicial contra  Martel, concedendo, à época, várias entrevistas sobre o tema com tranquilidade. Ele era sábio e afeito às discussões da teoria da literatura e da crítica literária internacionais. Julgou ele que um processo desse teor seria complicado, arrastado e desgastante, uma vez que entendia que sua obra, por sua vez, já estava, irremediavelmente, implicada com uma tradição literário-religiosa. Ele foi elegante e não ameaçou a carreira de Martel. García Márquez plagiou Falkner ou não? E o que dizer dos argumentos das peças de Shakespeare? Essa é uma conversa escabrosa!
Comentando o filme de Ang Lee, então, em primeiro lugar, somente um homem de origem asiática poderia  ter criado uma imagética como a deste filme, "A história de Pi". O roteiro segue o leitmotiv da obra de Scliar. Sem mais comentários! Até imagino que a equipe de Efeitos Especiais seja constituída de bam-bam-bans norteamericanos, mas a concepção plástica não é de um ocidental. Em segundo lugar, eu teria medo de verter para o cinema, roteirizando uma obra que tenha sido acusada de plágio. Seria até perigoso! Recusei-me a ler o livro de Martel. Várias vezes pude folheá-lo e o considerava, segundo o jargão canônico de Harold Bloom em "Ansiedade da Influência", uma "apropriação desviante". Martel substituiu um menino judeu alemão por um hindu politeísta, que professava sua fé em Alah, Jesus e Krishna, ao mesmo tempo. Esse menino é o tal que sobrevive ao naufrágio na companhia inusitada de um jaguar (na obra de Scliar); um tigre-de-bengala, na obra de Martel e no filme de Ang Lee. Fui assistir ao filme, sem resistência, porque sou louca por cinema; não o tenho  como um grande diretor, mas ele foi capaz de dirigir uma das pequenas preciosidades, que lhe outorgou um Oscar:  "O segredo de Brokeback Mountain". Em nome da Beleza e da Poesia de seu filme premiado, fui assistir à sua última criação. Assisti-o em 3D, embora o desfrute desse efeito só sê dê, verdadeiramente, em minha modesta percepção, no preâmbulo do filme e nos momentos do naufrágio. Digamos que em um terço do longa. O filme é um arrojo importante para o cinema; transpõe para a linguagem cinematográfica o que seria intransponível e, além do mais, é uma narrativa epifânica, sem dúvida. Relevando o 'plágio' - que efetivamente está posto, para mim, e o teor profundamente religioso da versão, que eu comentaria em mais uma crônica, além do fato de que eu o intitularia de "Eu e o tigre", jamais com o título de Martel -, meus sentidos agradecem!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"HAMLET", DE RON DANIELS, COM THIAGO LACERDA NO PAPEL PRINCIPAL, NO TEATRO TUCA, EM SP - 5ª PARTE

(Meu blog alcançou a marca das 15 mil leituras aos meus posts! Muito bom!)

No domingo à noite, ainda em São Paulo, por fim, fomos ao Teatro Tuca, da PUC/SP, para especular se conseguiríamos ingressos para assistir à montagem "Hamlet", de Shakespeare, com a direção de Ron Daniels e Thiago Lacerda no papel principal. Sim, conseguimos assentos separados, mas havia ainda. O teatro estava lotado na vesperal de domingo às 19h. A peça seguirá em cartaz a partir de janeiro, até fevereiro de 2013, em SP. Depois, viajará pelo Brasil. Bem, para quem assistiu como eu a grandes espetáculos em 2012, priorizando o teatro em detrimento do cinema e da arte, elencarei as peças que conferi: "Comédia do fim do mundo", com a galera do Terça Insana, em maio; em julho, de férias no RJ e na companhia de Dany Horta, assistimos ao monólogo que recria a personagem de Theo Van Gogh, "O outro Van Gogh", protagonizado por Fernando Eiras, no auge de sua capacidade dramática. Apreciei muito esse monólogo, inspirado nas cartas trocadas entre Theo e Vincent, no período de 1872 a 1890; "Hécuba", de Eurípedes, com a direção de Gabriel Villela; em junho; "Mãe Coragem e seus filhos", de Brecht, com o grupo Berliner Ensemble, fundado por Brecht, em Berlim, em 1949, em setembro, no Porto Alegre em Cena;  "Macbeth", de Shakespeare, com a direção de Gabriel Villela e Marcello Antony no papel principal, no final de novembro, e "Hamlet" na noite de 9 de dezembro. A concepção da peça é de Rui Cortez e a tradução do texto, de Marcos Daud e do próprio diretor. A cenografia é de André Cortez e o figurino de Cássio Brasil. "Hamlet" marca o retorno de Daniels aos palcos brasileiros, porque  dirigiu no Brasil, pela última vez, Raul Cortez, na pele de "Rei Lear", também de Shakespeare, que eu tive a honra de assistir em setembro de 2000, em SP, bem antes da morte de Cortez. Ron Daniels é um dos diretores associados ao Royal Shakespeare Company e, atualmente, reside em NY. Com certeza, essa montagem virá para o Theatro São Pedro, de Porto Alegre, em 2013. Fiquem atentos, amigos!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

GRAVURAS DE GOELDI NO ACERVO DA PINACOTECA DO ESTADO DE SP- 4ª PARTE

Fui conferir a coleção de 56 gravuras de Oswald Goeldi (1895-1961) incorporadas ao acervo da Pinacoteca de São Paulo, no domingo lá pelas 17h, depois de sair do MASP. É a primeira vez que a Pinacoteca apresenta esse conjunto de gravuras de Goeldi. Por isso, eu não poderia deixar de visitar a mostra.  Várias impressões póstumas das matrizes, que sobreviveram ao artista, puderam ser feitas, autorizadas pelos depositários do legado do artista. Aí reside o problema de não ser possível sistematizar sua obra gráfica, além do fato de que Goeldi não datava nunca suas cópias. A gravuras mais escuras são belas, mas há um fascínio singular no modo como o gravador usou a cor em suas ilustrações, como, por exemplo, para a obra de Raul Bopp,"Cobra Norato". Goeldi também ilustrou, além de obras de Graça Aranha e Jorge Amado, três títulos de Dostoiésvski ("Recordações da casa dos mortos", "O idiota" e "Humilhados e ofendidos"), todos publicados pela José Olympio. Muito linda a exposição com a curadoria de Carlos Martins!

"LUZES DO NORTE", NO MASP (O RENASCIMENTO ALEMÃO) - 3ª PARTE

Saindo do Ibirapuera (ler os outros dois comentários anteriores), fui para a Paulista. Visitei apenas a exposição 'Luzes do Norte', sobre o Renascimento Alemão, dentro do MASP, representado por expoentes da Coleção do Barão Edmont de Rothschild (doada ao Louvre), com a curadoria de Pascal Torres Guardida. Na primeira sala, os antecessores de Albrecht Dürer, Cranach, o Velho, e Hans Holbein, tomaram conta do espaço, séculos XV e XVI. Depois, conferi as primeiras obras realizadas com buril, como "A prisão de Jesus Cristo", uma das mais antigas gravuras de que se tem notícia. A seguir, observei as gravuras de Martin Schongauer, Mestre Frans van Brugge,  Jean de Cologne e Mestre Mair von Landhust (de 1500), esse de Frankfurt. O terceiro conjunto de gravuras era aquele pelo qual eu esperara para ver: a obra de Albrecht Dürer, que aprendi a amar desde pequena, uma vez que tive a sorte de ter um pai jornalista, artista gráfico e apaixonado por Arte. Desde cedo, crescemos com reproduções de grandes clássicos nas paredes de nosso quarto de meninas e meu pai, de acordo com os nossos pedidos e possibilidades técnicas, repassava as gravuras de Escher, Vasarely e Dürer para camisetas, em serigrafia. Vi "O retrato de rapaz", em pedra negra lavada; "Retrato de homem, em pedra negra e realce em pastel branco; "Retrato de Ulrich Varnbüler", em xilo sobre papel estendido em tela; "A leoa" (1521), uma aquarela, com tinta preta e guache; "Apolo e Diana", em buril; "Apóstolo em pé", em lápis de prata sobre papel preparado em verde; e, finalmente, o que eu sempre quis ver ao vivo, porque o tinha reproduzido em uma camiseta (que usei até puir), o famoso e pequenino "Rhinoceros", em xilo, com uma impressão tardia, em 1520, em verde monocromático. Magnífico! Sempre amei a obra de Dürer e a conheço de vários museus europeus, além de possuir duas reproduções dele em minha sala: uma xilo e uma guache.
Próximo comentário, sobre as gravuras de nosso brasileiro Oswaldo Goeldi (1895-1961), que visitei na Estação Pinacoteca de SP, recentemente incorporados ao acervo dessa instituição.

ADRIANA VAREJÃO NO MAM - 2ª PARTE

Após a 30ª Bienal de SP (ler comentário anterior), fui a mais três espaços sozinha. Percorri rapidamente a panorâmica de Adriana Varejão, que expõe no MAM até a metade de dezembro. Como eu já conhecia uma parte das peças que lá estavam, uma vez que um conjunto de instalações sobre o charque (o charque saindo vermelho para fora dos vãos das paredes de azulejos. Bem chocante!) esteve presente na V Bienal do Mercosul de Porto Alegre, em 2005, fiquei mais atenta à sua produção mais atual.  A artista Adriana Varejão é uma garota de cabelos longos acaju de 47 ou 48 anos. Também carioca, é uma das artistas brasileiras mais reconhecidas no exterior, além de ter suas obras muito bem-cotadas no mercado de arte. Sua mostra no MAM, intitulada de "Histórias às margens", é constituída de telas tridimensionais em gesso com cores muito fortes, em especial, a escarlate. São carnes expostas, vísceras putrefatas, saindo dos quadros... Uma festa sensorial que, certamente, deixaria Francis Bacon fascinado! Fiquem ligados!

30ª BIENAL DE ARTE DE SP - 1ª PARTE

Estive pela quarta vez em São Paulo, em 2012, neste final de semana. Não confirmei minha ida aos meus amigos.  Minha Sony está avariada; portanto, não tenho fotos para postar. A Bienal de Arte de São Paulo, em sua 30ª edição, fechou suas portas no domingo, dia 8 de dezembro, antes do horário protocolar, por falta de energia elétrica. Estivemos lá entre 11h e 14h. Inclusive, almoçamos no Restaurante Gi, dentro do complexo. Estive na Bienal de Arte de SP, pela última vez, em 2006. Assim, fiquei sem visitar duas edições, sendo que a última, de 2010, foi extremamente comentada pela imprensa, em função de sua conotação política. Esta 30ª edição teve como tema "A iminência das Poéticas", com a curadoria do venezuelano Luis Pérez-Oramas. O título pareceu-me questionável, porque se as poéticas são iminentes, elas não vingaram ainda. Então, o que havia representado nesta Bienal? Projetos de poéticas? Conversamos, no break para o almoço, com três estudantes que faziam as ações educativas da mostra. Eles me perguntaram o que eu destacaria da visita. Então, respondi-lhes: nada no térreo. No segundo andar, adorei a arte sobre papel do argentino Eduardo Stupia, nascido em 1951, cuja obra eu já conhecia de um museu de Buenos Aires. Adorei suas peças "Paisagem" e "Nocturnos", em pastel e lápis, respectivamente. Na sequência, Andreas Eriksson, sueco nascido em 1975, preparou especialmente para a Bienal de SP uma sequência de acrílicas sobre madeira com c-print sobre MDF e gesso. Compôs, então, "Primeira neve no Ibirapuera", de 2012. Muito lindo o conjunto todo em uma única sala, em quatro paredes. Após, fui visitar a sala de nosso carioca, que eu adoro, o Eduardo Berliner, nascido em 1978. O trabalho dele é mítico e animista!  Ele joga com o binômio essência/aparência de um modo inovador. Uma das epígrafes de Berliner, na parede, fazia remissão a um trecho de "No caminho de Swan", de Proust, exatamente à página 70, em que uma lenda céltica conta que as almas daqueles que amamos se acham cativas em algum ser inferior, como um animal ou um vegetal. Eduardo Berliner foi o primeiro brasileiro a fazer parte da coleção de um grande e notório colecionador britânico, Charles Saatchi. Isso foi noticiado na imprensa e nas revistas de arte. Berliner faz de seu entorno um forte elemento constitutivo de sua obra pictórica. Por isso, a violência implícita e o grotesco. Adorei também a obra de Odires Mlászho, nascida em SP em 1960, especialmente "Retratos possuídos". Essa artista eu não conhecia ainda. Por fim, as telas em acrílico e óleo da nossa carioca Lúcia Laguna, que eu também adoro. Ela preparou para sua sala da Bienal de Arte uma composição pictórica, dividida em várias telas, que retratavam seu próprio ateliê, as telas comprimidas no espaço de criação, a janela de seu apartamento e a comunidade da Mangueira, a qual Lúcia Laguna enxerga quando está trabalhando. Há uma exuberância de sobreposições de formas, linhas e cores - e cores insólitas, como a púrpura e um tom de marron!!!! Muito lindo, vivo e impactante! Visitei algumas salas de fotografias, mas eu quis fruir a pintura, bem como a arte sobre papel, que, surpreendentemente, retornaram a essa Bienal, sempre tão marcada por instalações, vídeos, performances - o que já me enjoou demasiadamente.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SÃO PAULO - quarta vez em 2012

Amigos, estaremos visitando neste finde a 30ª Bienal de Arte de SP, a panorâmica de Adriana Varejão, no MAM, e a expo "Luzes do Norte", gravuras da coleção particular dos Rothschild, no MASP. Na volta, escreverei meus comentários críticos.  No sábado à noite, irei ao pub "Jazz nos Fundos". Abraços e aguardem!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

"MACBETH" NO THEATRO SÃO PEDRO E ROMARIA À PROCURA DE UM RESTAURANTE

No domingo, fui a Porto Alegre novamente. Os ingressos estavam comprados há dois meses para a montagem de "Macbeth", de William Shakespeare, direção do Gabriel Villela, figurino do próprio Villela em parceria com o inventivo Shicó do Mamulengo (assisti à montagem de "Hécuba", de Eurípides, dessa mesma dupla, no TSP neste ano, e o figurino era muito interessante: econômico e muito criativo!), e cenografia do Márcio Vinicius. No elenco, Marcello Antony, como "Macbeth", e Cláudio Fontana, como Lady Macbeth, integrando um grupo exclusivamente masculino no palco.  "Macbeth", no cinema, de 1948, com Orson Welles no papel principal, e direção dele mesmo, é um arraso! Certamente, todos os outros Macbeths que surgiram no cinema e no teatro tentaram mimetizar a representação singular de Welles. O texto original dessa peça é relativamente curto e foi escrito no início do século XVII, cuja estreia ocorreu em 1606. Segundo A. W. Schlegel, um dos teóricos do Romantismo Alemão, não há nada mais grandioso, nem mais terrível que "Macbeth", depois de Ésquilo e sua "Orestíada". A tragédia  é ambientada na Escócia e trata da ambição humana, do livre arbítrio e do destino, ao passo que "Hamlet" trata da dúvida; "Othello", dos ciúmes. A montagem de Gabriel Villela tem pontos altos como o enxugamento de mais de três horas de montagem, na versão clássica, para exatos 90 minutos, com várias cenas distintas construídas no mesmo espaço cênico. Além do figurino econômico, constituído de coletes, véus, bordados a mão, e tecelagens - que lembram muito a obra de Arthur Bispo do Rosário, com seus estandartes, seu jogo lúdico nos bordados e seus assemblages -, o cenário contém um painel transparente com uma imagem de Duncan, o Rei da Escócia, uma escada, algumas cadeiras de madeira, tipo assentos antigos de cinema desativado, e uma espécie de tapume de construção civil, alto e cheio de objetos pendurados na parte interna, representando a fortaleza de Macbeth, após o assassinato de Duncan. Para mim, as Três Moiras ou Fúrias, vaticinando o futuro de Macbeth e de Banquo, também um militar, representadas por três atores na pele de três 'bibas', totalmente afetadas, rindo alto e em coro, tecendo o destino dos mortais com antenas de televisão nas mãos, como se tecessem um fio, foi demais! Muito bom e hilário, momentos únicos de riso na tragédia. O folder com a ficha técnica da montagem também é de alto nível, com textos seletos sobre a peça, mais um mosaico de depoimentos da imprensa. Ao final do espetáculo, após o suicídio de Lady Macbeth e do assassinato de Macbeth, ouve-se The Doors, "The End"! Lembrei-me muito do "Apocalypse Now", do F. F. Coppola. Na saída do Theatro São Pedro, fomos procurar um restaurante aberto no domingo às 20h30. Missão quase impossível em uma capital que sediará jogos da Copa do Mundo, em 2014. Encontramos fechados o Lola e o Lorita, ambos na Castro Alves, o Sharin, na Felipe Néri, o Bar da Mata, na Matta Bacellar, o Bar do Nitto, na Lucas de Oliveira, e o La Villa Amalfi, na Dona Leonor. Só encontramos abertos os bares e restaurantes da 'calçada da fama', da Padre Chagas e da Dinarte Ribeiro. Então, optamos por voltar ao Press, da Hilário Ribeiro, no qual estivemos em 7 de outubro.

domingo, 18 de novembro de 2012

CROSSOVER DE MÚSICA ERUDITA E ROCK: ORQUESTRA DA UCS E A HARD ROCKERS BAND, DE CAXIAS DO SUL

Estivemos agora à noite no auditório da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC para prestigiar um concerto comemorativo aos 50 anos de sua mantenedora, a APESC, com a Orquestra Sinfônica da Universidade de Caxias do Sul - UCS -, sob a regência do simpático maestro Manfredo Schmiedt, acompanhada de uma banda de rock, a 'Hard Rockers', com cinco componentes da mesma cidade. Os arranjos, que compatibilizaram o rock com a música erudita, foram obra de estirpe do musicista e arranjador Alexandre Ostrovski Jr. O repertório era composto de temas do rock progressivo da década de 70 mesclados a alguns outros dos anos 80 e 90, mais ao estilo do hard rock, nacionais e internacionais. O casamento do erudito e do rock não é algo novo. No início da década de 80, eu apreciava muito ouvir as composições da banda holandesa "Focus", fundada em 1969, pelo tecladista e flautista  Thijs van Leer. Eles sofriam influência de uma outra banda, a "Traffic", que eu também ouvia e amava, mas acabaram se inclinando pela forte referência à música erudita, ao barroco, em especial, e às improvisações instrumentais, que marcaram uma geração posterior, que enfatizou a fusion entre rock, funk e jazz. Poucos anos depois da aparição da "Focus", surge no cenário do rock progressivo o "Queen", banda britânica fundada em 1971 com Freddie Mercury à frente. O álbum "A Night at the Opera", que saiu em 1975, o white album, para os fãs de carteirinha, continha um tema inclassificável do ponto de vista do gênero musical: a  Bohemian Rhapsody. Dali para a frente, nunca mais deixei de cantar os versos: "Is this te real life?/ Is this just fantasy?/ Caught in a landslide/ No escape from reality (...)". Por fim, eu não poderia deixar de mencionar a 'Scorpions', uma de minhas bandas prediletas, que o regente da orquestra da UCS destacou, porque era o tema da finaleira do setlist. A 'Scorpions' é uma banda de origem alemã e desenvolveu um álbum com a Orquestra Sinfônica de Berlim, uma das mais prestigiosas do mundo. Subiram ao palco na cidade natal da banda, Hannover, em 2000, em um show magistral, "Moment of Glory, uma década após a queda do Muro de Berlim, do qual se tem como registro um DVD. Procurem temas no You Tube, porque são demais: Still Loving You ou Wind of Change. Hey, Ho, rock'n roll.

UM POEMA


CONTAS A PAGAR


Estou em dívida com meu ‘mestre’,
Que de minha vida não cuidou,
Superficialmente participou
Até transbordá-la de desamor.

Aquilo que não quis ser,
Que não pude acolher,
Recusei-me a entender,
Ainda assim, em meu ‘mestre’, me abasteci.

Lembrei-me das viagens,
Dos passeios culturais
Dos poemas que sem ele eu sorvi.

Para além do que ficou para trás
Para aquém do que me está reservado
Devo muito a quem foi meu 'mestre'!

Que de minha vida
Não mais participou.

Anuncio aqui,
Há pouco instalado,
Meu desafeto e, de devedor, meu extrato!

Rô Candeloro - out. 2012 (do livro inédito, "Viagem abissal")

terça-feira, 13 de novembro de 2012

FEIRA DO LIVRO, MÚSICA NO ODEON, LITERATURA E CHINA NOVAMENTE...

(post re-revisado. Meu blog está atingindo hoje 14 mil acessos aos posts!)

Neste finde, voltei à Feira do Livro de Porto Alegre. No sábado à tarde, havia filas longas em direção ao estande dos autógrafos, sob um imenso calorão! Fotografei um grupo de umas 15 pessoas, do Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça, que faziam uma manifestação com cartazes nas mãos, denunciando a impunidade de um militar torturador, ainda vivo. Antes de ir à Feira, estive no cinema. Fui ao Cine Guion assistir à produção franco-libanesa, "Aonde vamos agora?" (Et Maintenaint, On Va Où?, de 2011), da diretora libanesa Nadine Labaki,  conhecida pelo longa "Caramel", de 2007. O filme retrata uma aldeia distante no interior do Líbano, cujas mães e esposas, de luto pelos filhos e esposos mortos nos conflitos religiosos entre muçulmanos e cristãos, visitam o cemitério na cena inicial. Algumas delas, lideradas pelas mais maduras, resolvem boicotar as notícias sobre os conflitos na única TV pública  do povoado e em um  impresso, que lhes chega de moto, diariamente, de uma cidade maior, nas proximidades. O modo pelo qual as líderes deliberam, no sentido de distrair seus maridos em relação ao que ocorre no país e ao seu inexorável destino, dá uma atmosfera de fábula à narrativa e um tom  surreal ao desenrolar do filme, sem contar que se trata de um semi-musical, cantado em libanês, claro! Não comentarei o desfecho aqui! Muito bom! Recomendo-o! No domingo, optei pelo Irã, na visão hollywoodiana de Ben Affleck, o incensado "Argo", de 2012, com o próprio diretor como protagonista (que também é produtor com George Clooney, além de roteirista! Uau!), o caricato John Goodman e um bom elenco. Apreciei o ritmo, o suspense, a ação, o roteiro, as imagens documentais, a construção de época, a fotografia, com imagens de Teerã. No entanto, considerei-o nacionalista demasiado, americanófilo de doer. Foi difícil de suportar, fora o fato de que há uma cena que mostra o reflexo do tórax do Affleck em um espelho de hotel, vestindo uma camisa! Totalmente dispensável! De qualquer modo, penso que todos têm de conferir, independente de meu ponto de vista. O episódio retratado pelo longa é verídico, foi realmente uma perigosa missão da CIA, protagonizando a produção de um filme 'fake', o "Argo", ficção científica, que deu certo e salvou a vida de seis funcionários da Embaixada dos EUA, em Teerã. À noite, no sábado, fomos ao Odeon, um bar no centro de Porto Alegre, fundado há 27 anos, na Andrade Neves. Aos sábados à noite, às 21h30, com couvert a módicos 10 reais, o notável guitarrista James Liberato toca com seu power trio, o Mig Trio, constituído pelo Fernando Petry, um baixista animal, bom pra caramba, e o Jua Ferreira na batera (esse batera eu não conhecia). O som deles é uma fusão de rock,  jazz e umas pegadas de funk. Ora lembrou-me o Pat Metheny brincando na guita com o baixo de Charlie Haden; ora o som da banda do virtuoso Jeff Beck. O Odeon mantém um cardápio enxuto: chopp, fritas e maravilhosos (e verdadeiros, pasmem!) bolinhos de bacalhau! Faltou no cardápio o "rim ao óleo e alho", mas o garçon-patrimônio-da-casa estava à procura de um doador para superar  a carência.  Quanto à literatura, neste finde, li as preliminares do romance que minha filha está escrevendo, no gênero chick lit. Mais uma vez, discutimos sobre a trilogia fanfic "50 tons de cinza", da Erika James. Eu fazendo a crítica; minha filha, a defesa (ela explica que a James apenas ressignificou o universo do vampirismo e o dignificou como sadismo nos '50 tons de cinza')! Ela (a filha) aprecia o gênero representado atualmente pelas obras da Lauren Weisenberg, da Sophie Kinsella e da Marian Keyes. Para terminar, comprei na Cultura Os Analectos,  de Confúcio, relançados há pouco, e a segunda edição do belo volume de poemas chineses clássicos, traduzidos pelo Haroldo de Campos, e ampliados pelo Trajano Vieira, em uma edição belíssima da Ateliê Editorial. Atrevi-me a fotocopiar uma das odes, do "Livro das Odes", compiladas pelo próprio Confúcio, no século VI a. C., e levei-a para a aula de "Filosofia e Cultura Oriental"  de hoje, para meus alunos sentirem a musicalidade da transcriação pilotada pelo saudoso e querido Haroldo de Campos, que nos deixou há quase uma década. Continuo parada na China (ou avant la lettre?)....

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

WALLERSTEIN, CHINA, CONFÚCIO E TUDO O MAIS QUE ME INTERESSA!

(alcançando hoje quase 13 mil e 500 leituras de meus posts!)
(Re-revisado em 4 de novembro!)

Para quem é transdisciplinar como eu, é difícil de os outros imaginarem como faço para internalizar as leituras que realizo de áreas diversas e literatura de gêneros distintos! Leio poesia todos os dias (desde a semana passada, poemas franceses e ensaios sobre Arte, de Rilke, e uma coletânea da Estação Liberdade da poeta polonesa, Nobel de Literatura, que faleceu neste ano, a Szymborska (pronuncia-se algo como Schemborska!). Também estou terminando o livro "Arriscar o impossível", do Zizek (pronuncia-se Jijek!). Neste momento, estou finalizando o esquema de uma aula sobre a phronesis (o justo meio), na ética de Aristóteles, para hoje à noite, e deixei há pouco de lado uma leitura in progress para a aula de Filosofia e Cultura Oriental, no dia 5 de novembro, no curso de Relações Internacionais, sobre o Taoísmo e o Confucionismo na China, do Marcel Graner (da editora Contraponto). Ganhei um livro da Oxford University Press, Indian Philosophy in English, comprado dentro do aeroporto internacional de Cingapura por um querido aluno meu dessa disciplina, de RI, que é inteligente, interessado e resolveu me brindar com uma pequena preciosidade, além de ter-me emprestado dois volumes sobre a China e sua expansão marítima no século XV. Ele é o executivo Ericson Fensterseifer. Aí inicia-se a narrativa do insight que tive há pouco. Li alguns trechos dos livros emprestados sobre a China e ontem à noite assisti, no Canal Futura, por acaso (que não é bem por acaso, né?), a um documentário sobre os mapas de navegações do século XV e a expansão marítima protagonizada pela China e, depois, pela Europa. Fiquei pasmada com os mapas com os quais a China, há mais de 600 anos, já singrava os mares com centenas de naus. Sempre apreciei a História, mas não para estudá-la sistematicamente. Assim, já conhecia as aventuras de Marco Polo  desde menina e as contribuições do império de Gengis Khan. No entanto, não sabia nada sobre o famoso navegador Zheng Ke (1371-1433), que, durante 28 anos, desbravou os mares a serviço dos imperadores da dinastia Ming. Subitamente, quando a China decidiu não investir mais na expansão marítima, a Europa começa a ser proeminente no ramo. Alguns estudiosos afirmam que os confucionistas dão ênfase ao 'interior' e, por isso, em um determinado momento do século XV, dependendo de quem estava no poder, os chineses voltaram-se para o próprio império; houve um tipo de "contração" e, então,  deixaram de lado o impulso pela conquista de terras exóticas e incógnitas. Dizem que Colombo teria chegado à América 87 anos após Zheng Ke já ter aportado por lá. Os portugueses eram misteriosos em relação às suas conquistas, porque insistiram muito para que o Tratado de Tordesilhas tivesse sua linha imaginária deslocada para o Oeste, o máximo possível. Já sabiam de algo, certamente, talvez,  pelos chineses. Associado a isso tudo, lembrei-me que, conversando com o Airton Mueller (conhecido em Berlim como "Érton"!), doutorando em Ciências Sociais na Freie Universität Berlin e orientando do eminente sociólogo brasileiro Sérgio Costa, diretor do Latinamerika-Institut dessa instituição, o mesmo indicou-me um tal de Immanuel Wallerstein e sua Teoria dos Sistemas-Mundo. Não deu outra! Desde aquele sábado, dia 20 de outubro, em que conversamos, entre almoço e cafés durante quatro horas, fui atrás do Wallerstein. Esse cientista político, da geração de Apel, Habermas e Bauman, é norteamericano e deu aula na Columbia University até 1971. Desde 2000, é pesquisador sênior na Yale University e expert em pós-colonialismo na África. Esse pensador tem apenas um livro traduzido para o Português, de 2001, "Capitalismo histórico e civilização capitalista", da Contraponto. O Airton contou-me que Sérgio Costa e seu grupo estão estudando o modelo de Wallerstein, que se inscreve na seara dos escritos críticos pós-marxistas e faz uma crítica mordaz aos teóricos da globalização, aqueles que defendem que o atual sistema não tem precedentes na história (sic). Foi uma descoberta para mim, porque a Teoria dos Sistemas-Mundo - que pretende oferecer uma via intermediária entre as narrativas singulares e as diretivas universais do campo social, dialogizando a matéria idiográfica da História  e o domínio nomotético da sociedade (isso é dos comentadores do Wallerstein) -, é utilizada por várias ciências, inclusive pela Arqueologia e fiquei imaginando-a nos domínios da Filosofia, como no Idealismo Alemão ou, antes, na Nova História de Vico. Se a Teoria dos Sistemas-Mundo explica os longos ciclos que determinam a configuração socioeconômica atual dos países altamente industrializados, uma vez a China fora de cena, no século XV, vê-se que ela está voltando com toda a força ao palco principal. E os países periféricos e semiperiféricos, em decorrência, deveriam ser agregados à Teoria dos Sistemas-Mundo, suponho,  por dedução. Assim, continuarei a estudar a China e suas filosofias. Quem sabe, ainda estudarei, daqui a alguns anos, Mandarim? A China está com tudo...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PORTO ALEGRE: FEIRA DO LIVRO, AMIGOS, CAFÉ, GASTRONOMIA E CINEMA, CLARO!

Estive em Porto Alegre neste finde, novamente. Fui de carro com uma grande amiga, parceira de viagens: a Jana Previdi. Carro zero, confortável, música de peso e papo inesgotável! Chegamos em Porto Alegre por volta das 14h e fomos direto para o óbvio: o Mercado Público! Filas, como sempre, no Seninha e nos dois Japescas. Acabamos subindo para o Sayuri. Pedimos uma porção de sushi Filadélfia, meu preferido, e uma Yaksoba de camarão. Para os vegetarianos e veganos, eu menos radical, a Jana, muito radical, Porto Alegre oferece algumas opções de qualidade! Adoro a comida do Mantra, do Súpren e do Ocidente, nesta ordem de preferência. Ontem, domingo, ao meio-dia, acabamos almoçando no "Al Nur", que também disponibiliza em seu cardápio uma rodada de comida árabe "sem carne"! Portanto, boa pedida para quem é vegetariano! Na tarde de sábado, fomos à Feira do Livro e a uma exposição no MARGS. Tomamos um café com amigos e fomos todos, por volta das 19h30, para uma casa de "tapas" espanhóis, na Rua Castro Alves, 422. O bar de 'tapas' é o Lola, uma casa com um ambiente agradável e  decoração temática. Pedimos uma "sangria" típica e uma bandeja de "tapas", como pastinhas, pães, camarões ao molho e bolinhos de bacalhau. Estava muito legal o papo, a companhia dos amigos e a vibe! Estavam conosco amigos queridos, como a Marília Ramos, docente de Sociologia da UFRGS, e o Airton Mueller, doutorando nessa área na Universidade Livre de Berlim, passando férias no Brasil. Na madrugada de domingo, estivemos no nosso pub cativo, o Dirty Old Man. A Jana pediu um coquetel tipicamente italiano, uma bebida que associa Aperol e vinho frisante. Interessante o sabor cítrico! Pena que o Zé Eckert não pôde estar conosco!  Ele seria mais um historiador no grupo! Em contrapartida, apareceu para me rever minha ex-aluna, a Nândria Oliveira, natural de Rio Pardo, bacharel em Comunicação Social pela UNISC, vivente de Porto Alegre. Desde março não nos víamos pessoalmente e esse encontro já estava prometido há meses! No domingo à tarde, antes de voltarmos para Santa Cruz do Sul, fomos ao Parcão dar uma caminhada e, após, seguimos para o Instituto NT, nos altos da Marquês do Pombal, para quem ainda não o conhece. A Jana ainda não o visitara e apreciou o point. Escolhemos assistir ao filme franco-germânico-filipino "Captive" (2012), com direção de Brillante Mendoza (com a extraordinária Isabelle Huppert, que eu amo, no elenco!), que narra uma história real, ocorrida nas Filipinas, em 2001, meses antes dos atentados nos EUA, protagonizados por Bin Laden. Um grupo de missionários e turistas é sequestrado por uma milícia muçulmana ligada àquele terrorista. Ao longo do filme, muitas contradições revelam-se - a dicotomia entre cristãos e muçulmanos, entre os militares do governo filipino e as milícias antagônicas entre si -, além de um problema imperioso, que nos reporta à Antígona: a urgência de um enterro de uma vítima cristã sob os auspícios de devotos de Allah. O filme foi exibido no Berlinale de 2012 e vale a pena ser conferido! Por hoje é isso, amigos e leitores! Namaste!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SOBRE A AMIZADE: "AMICUS ANIMAE DIMIDIUM" (AGOSTINHO, NAS "CONFISSÕES", 4, CAP. 6)

A tradução da citação do título é "Um amigo é metade da alma".  Inicio a semana, dia 22 de outubro de 2012, sob o novo horário de verão, com sono e cansada: trabalhei bastante no micro, li um pouco e fui ao ensaio dos meninos da banda "Flores de Saturno", grupo de novos amigos com quem tocarei, fazendo uma participação especial, na noite de sexta, dia 26, no Pub Sunset. Resolvi escrever sobre a amizade, especialmente, aos meus amigos, porque eles, realmente, merecem uma singela homenagem de minha parte. Estou em uma fase difícil de minha vida. Hoje, faz um ano que me separei e ainda não superei o sofrimento que esse tipo de experiência implica. Não tenho estado bem de saúde e justamente na semana que passou tive um quadro de hipertensão. Em decorrência disso, minha imunidade baixou. Destaco aqui a dedicação da Tania Fleig, do Nataniel Piva e do Maurício Grassel; a atenção do Samuel Machado e do Evandro Rohden (virtual, de SP);  a companhia da Ana Claúdia Waechter, da Lilian Pilger, da Camila Deufel, do Leonardo Oliveira e do Taisson Machado, seja no bilhar, no estúdio ou mesmo aqui em casa, tocando um violão e cantando. Amigos são o nosso "princípio de realidade", usando uma categoria freudiana; ajudam-nos a nos confortar nos momentos tristes, fazem algumas mediações importantes entre os nossos juízos e os fatos em si; ponderam a nossa revolta, quando nos sentimos prejudicados por uma situação pontual; trazem luz às lembranças obscuras; e, sobretudo, cada um a seu modo,  concede-nos Amor. Aristóteles é um filósofo clássico, que abordou o fenômeno da amizade. Em sua obra "Ética a Nicômaco", lê-se: (...) "Tais amizades são, de fato, raras, porque são poucos os homens desta estirpe. Além do mais, é preciso tempo e cumplicidade, pois, tal como diz o provérbio, não é possível que duas pessoas se conheçam uma a outra sem antes terem comido juntas a mesma quantidade de sal. Nem se pode reconhecer alguém como amigo antes de cada um ter-se mostrado ao outro digno de amizade e merecedor de confiança. Pessoas que depressa produzem provas (exteriores) de amizade entre si querem ser amigos, mas não podem sê-lo logo. É preciso primeiro que se tornem dignos de amizade e se possa reconhecer neles essa mesma dignidade. O desejo de amizade nasce depressa, mas a amizade não". Para Aristóteles, a amizade verdadeira é fruto da vontade e do hábito e só se constitui entre iguais, ou seja, entre agentes que deliberem racionalmente sobre escolha de um Outro, que possua as mesmas excelências, com quem se estabelecerá uma relação de alteridade. O filósofo não aceita relações desiguais como amizade, quando, por exemplo, há interesses econômicos envolvidos, relações unilaterais em que só um se dedica; o outro, não; ou quando há desigualdades de outras ordens. Enfim, Amizade, para ele, é uma virtude e, portanto, imprescindível para a felicidade humana. Um abraço aos meus antigos amigos, de muitos anos, e aos mais recentes, que se comunicam com frequência, que cantam e tocam violão comigo, que almoçam comigo, que leem poesia comigo, que jantam comigo, que tomam um café comigo todas as semanas, perfazendo rotinas de trocas, de entregas, de acolhimento e de produção de conhecimento. Isso não poderia faltar, na visão aristotélica.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ZIZEK, PARALAXE E MEDITAÇÃO

Ontem, foi quarta-feira! Como todas as quartas, almoço com o Samuel Machado (ex-aluno meu de Filosofia, professor de Filosofia no ensino médio privado e lacaniano) no café da Livraria Iluminura, em Santa Cruz do Sul (RS) e, às 16h, tenho sempre encontro de meditação com o Nattaniel Piva, o Natta, meu aluno de Filosofia e mestre de Meditação. É indescritível a minha alegria quando converso durante quase duas horas com o Samu e depois quase uma hora e meia com o Natta. Só aqueles que têm uma vida intelectual ativa e produtiva podem compreender o que esses encontros disseminam na mente, agregam ao conhecimento e o quanto validam a interlocução entre amigos! Hoje, eu e Samu conversamos sobre Hegel, inicialmente, depois sobre a poética de Augusto dos Anjos e, por fim, sobre Lacan - sempre Lacan na saideira! Ele estava com algumas questões irresolutas concernentes à pedagogia política de Hegel. O que mais estudei em minha formação na UFRGS foram as obras de Hegel e Heidegger. Sobre elas, tenho firmeza ao explicar, discutir ou tergiversar. O Samu comentou várias passagens dos "escritos" de Lacan comigo sobre cultura e destacou a distinção entre a psicanálise intensiva e extensiva, que bem compreendi. Em um de seus comentários, compartilhou algumas ideias do filósofo e psicanalista esloveno, Slavoj Zizek (pronuncia-se "Gigek"),  profundo conhecedor de Hegel e de Lacan. Peguei na biblioteca da universidade o livro "Arriscar o impossível: conversas com Zizek", publicado há seis anos pela Martins Fontes, em co-autoria com Glyn Daly. Como não conheço esse texto de Zizek, resolvi lê-lo antes do recém-lançado no Brasil, o "Vivendo no fim dos tempos", editado pela Boitempo, com introdução de Emir Sader. O que chamou a minha atenção, e ficou em minha mente durante horas, até o momento de eu conceber este pequeno post que publico agora em meu blog, é sua ideia de 'visão em paralaxe' ("A visão em paralaxe", livro dele lançado no Brasil também pela Boitempo, em 2008. Paralaxe = "deslocamento aparente de um objeto, quando se muda o ponto de observação" - Houaiss). Associei essa percepção de "deslocamento", em consonância com a mudança da posição do observador, à Meditação, que tenho tentado praticar sob a orientação do Nattaniel. Se a consciência só existe na minha ânsia pelo "hic et nunc", apelando para uma visão em paralaxe, meus pensamentos movimentam-se à medida que minha consciência os observa e, igualmente, desloca-se. Observar os pensamentos é a pedra-de-toque da Meditação. Pensar os pensamentos é uma das estratégias da psicanálise. Não estou interessada nos argumentos de Zizek para reabilitar a filosofia do materialismo dialético, tampouco suas remissões às antinomias kantianas. O que me interessou, e será objeto de algumas reflexões até a próxima semana, é se o que ele denomina de "lacuna paraláctica" (uma espécie de "intermezzo, que, no meu entender, se estabeleceria entre os pensamentos e a consciência) pode contribuir para que eu compreenda mais detidamente o processo de meditar, o percurso do afastamento dos pensamentos de nossa consciência e o almejado convívio mais intenso com um silêncio profundo. Fica aqui apenas uma provocação e, mais adiante, voltarei a esse tema. Namaste!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A SABEDORIA DO DESAPEGAR-SE!

Minha filha Mirelle ensinou-me um mantra para a liberação do Samsara, há alguns dias atrás. Li comentadores que afirmam que é muito poderoso enunciar as sílabas desse mantra tibetano. Ele tem a capacidade de nos libertar de problemas, lembranças desagradáveis e também de modificar ambientes pesados. OM TARE TUTTARE TURE SVAHA (a pronúncia mais próxima é "om tare tutare ture sorrá"). Há no You Tube alguns links da sonoridade desse mantra. O sentido aproximado de cada sílaba é:
OM: relaciona-se com os sagrados corpo, fala e mente de Tara.
TARE: neste trecho que o sofrimento é liberado.
TUTTARE: elimina todos os medos internos e externos, sejam eles vindos de desilusões ou de karmas.
TURE: esta parte concede todo o sucesso para a liberação da ignorância da natureza do Eu. É ela que mostra a verdadeira cessação do sofrimento.
SVAHA: significa “possa o significado do mantra enraizar-se em minha mente”. Pode ser considerado o “que assim seja”. (Fonte: http://sabedoriauniversal.wordpress.com).

Considero o "apego" como um tipo de exercício que é plasmado pelas ações/reações kármicas. Tenho praticado o contrário, o "desapego", desde sempre, sobretudo com relação à matéria, não apenas compartilhando tudo o que tenho, mas, especialmente, não adquirindo mais que o absolutamente necessário para a minha sobrevivência social e intelectual. O Bhagavad-Gita revela que aquele que abandona o apego egoísta em relação aos resultados de suas ações, segue intocado, como uma flor-de-lótus, que não é atingida pela podridão da lama em que nasce. Desapego é renunciar ao que não é essencial! Cultivar raiva, ódio ou indiferença por alguém é reafirmar o apego. Não compreendo como pessoas que se dizem espíritas, por exemplo, e afirmam compreender a doutrina kardecista, vivem apegadas às benesses que lhe foram concedidas um dia, e delas não se desapegam, mesmo sabedoras de que estão cometendo um equívoco e prejudicando outrem. Segundo o Bhagavad-Gita (cap. 16, verso 10), pessoas assim não têm conhecimento suficiente da impermanência e sentem-se vítimas, devido à ilusão, presas a uma rede de raiva, luxúria e egoísmo. Seres evoluídos e conscientes não tergiversam em fazer renúncias, em desapegar-se. Tenho muito o que aprender ainda - e necessito de mais tempo nesta existência para presenciar a extraordinária magia da mudança e do verdadeiro encontro com a consciência desperta, através da Meditação!
Namaste!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A ESCOLHA PELA MUDANÇA: A MEDITAÇÃO!

Sempre ouvi dizer, ao nível do senso comum, que apenas pessoas que teriam acesso a um nível de conhecimento muito elevado apresentariam condições de fazer uma escolha pela Meditação. No entanto, não é o que eu tenho aprendido com o meu Mestre: eu até posso promover mudanças em minha visão e atitude, e é o que eu tenho feito, mas a Meditação não é parte de um plano, decorrente do uso legítimo de minha racionalidade. Simplesmente, sem saber explicar a partir de inferências, fui-me aproximando da prática. Do Budismo, eu já estava próxima há muitos anos, até o final de 2008, quando cancelei minha participação em um 'vipasana'! Estou resgatando o que ficou para trás, há quase quatro anos, em uma busca incessante de compreender o que está por detrás dos pensamentos - e de meu sofrimento - e o que é possível utilizar, como técnicas, para alcançar esse 'estado'! Estive mergulhada em momentos de tristeza e de desesperança (o Samsara!!), de outubro de 2011 a junho de 2012, de ordem pessoal. A prática da Meditação, orientada e acompanhada por um Mestre, associada à formação filosófica, tem-me aberto novas perspectivas de entendimento de minha própria vida e de meu entorno, sem falar na serenidade e na alegria, que esses estados têm-me proporcionado. Eu prometi a meu Mestre que, tão logo eu tenha uma forte e paradigmática vivência de Meditação, eu alterarei na página de meu Facebook a autodenominação de "agnóstica" para "espiritualista", como ele já vem sinalizando há semanas! Namaste!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O CÍCERO VIRÁ!

Deu certo a campanha para trazermos o Cícero a Porto Alegre! É a segunda vez que faço parte de uma campanha dessas, desde o início, e tem sido uma ferramenta  de marketing poderoso! Iremos todos ao apartamento do Cícero para saborear um café; o meu, com adoçante, nada de açúcar! Voilá! Que coisa boa, amigos! No dia 11 de novembro, estaremos juntos novamente, a mesma turma que foi para o show do Criolo comigo, agora incluindo o Stéfano Demari e sua namorada parisiense, mais o meu querido Eduu Mandelli! Já divulguei o show no Opinião em minha página do Facebook e neste blog. Espero que o Cícero também encontre o meu post e, como o Criolo, faça um comentário. Como eu sigo a página pessoal do Cícero, desde o verão, no Facebook, ele deve ler o que eu posto!

Depois da perda do Autran Dourado no sábado e do Hobsbawn hoje, uma boa notícia alenta-me o coração! Boa semana a todos!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

CÍCERO EM SAMPA E AGORA EM POA!

Esqueci-me de comentar com vocês que, qual não foi a minha surpresa, ao chegar à exposição dos Impressionistas no CCBB de SP, no sábado, dia 22 de setembro, vi em um banner a lista de alguns músicos que fariam show naquela tarde, no auditório desse centro cultural. O CÍCERO, quem procurei em Botafogo em julho, falando com os caras dos quiosques, tabacarias e botecos de algumas ruas do bairro, cantou lá. Achei onde o moleque mora atualmente no Botafogo! O som dele é muito massa! Seus temas foram compostos dentro do JK em que ele morava, até o ano de 2011. Hoje, ele está vivendo em um apto de três quartos. Hahahaha. Já tentaram ouvir algumas de suas canções no You Tube? O CD dele eu não encontrei em pleno RJ - e o procurei nas livrarias com bancadas de CD, na seção musical da Saraiva no RJ e em duas lojas grandes do centro. Não tive sucesso! Confiram! Agora, para o nosso deleite, depois da vinda do Criolo (em novembro de 2011 e no dia 14 de setembro de 2012, também na mesma casa, show no qual eu estive presente e colaborei com grana para a campanha!), que fez um comentário em meu blog (procurem aí o meu texto sobre o show do Criolo no Opinião), o Cícero virá com o seu "séquito romano"! Procurem a página no Face, "Queremos Cícero em Porto Alegre", em 11 de novembro, e "curtam" a página da campanha! Voilà!

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