sexta-feira, 20 de junho de 2014

SÃO PAULO NOVAMENTE, EM PLENA COPA DO MUNDO: TEATRO, JAZZ E EXPOSIÇÕES

Amigos, estou indo para SP novamente amanhã de manhã, dia 21 de junho. Aguardem meus comentários aqui com fotos, pois assistirei à peça "A Besta", de Alexandre Reinecke, muito conhecido na cena teatral por ser o "papa das comédias" no Brasil. Há um elenco expressivo como Ari França e Celso Frateschi, esse ator renomado de dramas. Portanto, é uma peça híbrida, que vai colocar em contato textos clássicos da comédia e da tragédia da dramaturgia ocidental. Irei, após a peça, ao Jazz B, um novo clube de jazz, sediado no centro de Sampa. No domingo, visitarei a grande exposição "Tauromaquia", com gravuras de Goya, Dalí e Picasso retratando os touros e as touradas na España e almoçarei com amigos. Volto no domingo à noite. A 'indiada' está perfeita, em final de semana de jogos da Copa! Abraço a todos e um bom final de semana!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

DAVE HOLLAND E TRIO - DIVULGANDO SEU CD 'PRISM' NO 4º BMW JAZZ FESTIVAL DO RJ

Amigos e leitores! Vocês não podem imaginar minha alegria por estar na quarta edição do BMW Jazz Festival no RJ (que rolou também SP e BH). Estive na segunda noite do Rio, no Teatro do Vivo Rio, no Aterro, defronte ao portão do MAM. Retirei meu ingresso no guichê dos tickets comprados pela WEB con tranquilidade. Entrei, sentei-me no bar e degustei um wisky. Fiz umas fotos e logo dirigi-me à mesa no primeiro nível do camarote, na qual me sentei em um lugar privilegiado do teatro-bar, com uma visão de palco de cima, em diagonal, à direita, e um garçon ao nosso dispor. Primeiro, fiquei um pouco chateada ao saber que o guitarrista do grupo de Dave Holland, Kevin Eubanks, por problemas pessoais, não pôde vir ao Brasil. Já sabia disso na quinta pelos jornais de SP e RJ. No entanto, fui com grande expectativa para a segunda noite. Fazia apenas 21 graus e a noite estava linda! Cheguei bem antes e pude perceber a presença de alguns famosos, que se sentaram às mesas no setor abaixo do meu, na plateia, bem defronte ao palco. Fiz várias fotos com zoom e no modo noturno. Espero que fiquem boas neste blog e não percam sua definição. Dave Holland tocou com o lendário Miles Davis e também com o grupo de Pat Metheny. Estou ouvindo agora o CD "Like Minds", de 1998 (com Burton no vibrafone; Corea no piano; Haynes na batera, Holland no contrabaixo; e Pat na guita), que ganhei de uma grande amiga, já falecida, em 1999. Segue uma foto de Holland, iniciando o show:
No final da década de 60, Miles Davis ouviu Dave Holland tocando e o convidou para gravar com ele. Holland mudou-se, então, para NY e lá gravou um dos CDs que mais aprecio, o "Bitches Brew", de Miles. Sua carreira deslanchou...
Na foto acima, o pianista de jazz, de alto nível, que eu ainda não havia ouvido ao vivo, Craig Taborn. O trio tocava sorrindo, muito empolgado com a plateia brasileira, que os aplaudia em cada tema, especialmente, na linda composição "Breathe" do álbum "Prism".
A seguir, o inventivo e hiper-ativo batera, Obed Calvaire:
Ele, após seu solo e suas batidas de fusion, desceu até a plateia, conversou com um monte de gente, fez fotos com fãs e se sentou em uma mesa de músicos brasileiros, que estavam por lá no delírio total!
Com umas pegadas de funk e de prog rock, o trio embelezou a noite do BMW Jazz Festival no RJ e fez feliz cada um que esteve lá, certamente. O trio, a seguir, em uns minutos de performance. Lamentavelmente, errei com o controle do volume e não há áudio:
Na segunda parte desta noite do BMW Jazz Festival, o trompetista Chris Botti subiu ao palco com uma big band. Na composição, o guita carioca Leonardo Amoedo fez bonito, mas achei tudo muito comercial e me retirei no quarto tema. Para mim, o que Botti faz não é jazz! A rigor, detestei o cara!
Ainda no RJ, fui ao CCBB conferir a exposição de 180 peças de Dalí e tentei visitar as esculturas do famosésimo australiano Ron Muek, mas foi uma bad trip. O cara virou um cult entre os cariocas e as filas eram quilométricas em seu último dia de exposição no MAM Rio. Assisti, por fim, neste domingo, a uma estreia no cinema, do norueguês Joaquim Trier, com o seu "Oslo, 31 de agosto"; é um filme de 90 minutos, sobre o vazio, as drogas e o suicídio. Pesado, porém belo, com um epíteto a Schopenhauer. A última foto que segue é da exposição de Salvador Dalí do RJ. That's it! Thanks a lot, my friends and general audience!

domingo, 18 de maio de 2014

BMW JAZZ FESTIVAL, MUEK E DALÍ NO RJ

No final do mês, estarei na segunda  noite do BMW Jazz Festival para ouvir, em um assento de camarote, o veterano e fantástico contrabaixista Dave Holland e integrantes de seu quarteto, que vêm ao Brasil para a edição do festival, que ocorrerá em SP, RJ e BH. Neste final de semana de maio, 31 e 1º de junho, visitarei a exposição de obras de Salvador Dalí, que será abrigada no CCBB do RJ. Também aproveitarei para visitar o último dia da exposição do escultor australiano Ron Muek, que vive na Grã-Bretanha, e concebe com tal detalhamento o corpo humano, que causa um efeito especial no olhar do observador. Aguardem meus comentários mais adiante! Grande abraço e obrigada pela frequência da galera que vive nos EUA ao meu blog. Vocês me leem mais que os blogueiros do Brasil! Grata pelos 33 mil acessos a este blog!

quarta-feira, 26 de março de 2014

ARTE EM SÃO PAULO (22 E 23 DE MARÇO DE 2014)

Olá, amigos e leitores! Estive em Sampa no finde passado. Fui, prioritariamente, visitar algumas exposições. Iniciei com os esboços e desenhos experimentais de Miró, "A Magia de Miró", na Caixa Cultural de SP, com curadoria de um fotógrafo e galerista, muito amigo do artista catalão, que é o dono do acervo. Havia de três a quatro esboços para cada tela a óleo conhecida, da fase final da vida e da produção pictográfica de Miró. Os esboços eram produzidos com tinta chinesa, nanquim ou litografia. Uma beleza de exposição, inovadora e bem-distribuída, cujos esboços estavam entremeados pelas fotos realizadas pelo próprio mentor e curador da mostra, Alfredo Melgar. Não tenho fotos, porque não era possível sequer fazê-las sem flash. A seguir, conferi a coleção de arte do casal Irene e Peter Ludwig, proveniente da Fundação Ludwig, na sede do CCBB de SP. Comprei o catálogo porque eu necessitava ler mais sobre esse casal de colecionadores, suas aquisições e respectivas filiais europeias. A sede da Fundação Ludwig fica em Aachen, na Alemanha. Abaixo, uma foto do átrio do CCBB com uma das acrílicas da coleção, pela primeira vez trazida ao Brasil:
Nessa mostra, vários artistas da ex-Alemanha Oriental, bem como artistas russos, foram expostos. Uma parte dessa coleção faz parte do acervo permanente da Galeria Russa, que fica em São Petersburgo, na Rússia. No meio da tarde de domingo, fui novamente visitar o acervo permanente do MASP de telas impressionistas. O conjunto de telas estava arranjado sob o título de "Passagens de Paris", menção ao conceito de 'passagens' de Walter Benjamin. Por fim, no início da noite, retirei os dois ingressos para a fotoexposição de David Bowie, no Museu da Imagem e do Som de SP, comprados pela WEB há dois meses. Com um amigo escritor, que vive em Sampa, fomos juntos conferir a magia e a inventividade de um de meus ídolos, o ator, cantor, compositor, artista plástico, produtor e performer, David Bowie. Também adquiri o catálogo da mostra, inaugurada anteriormente no 'Albert and Victoria Hall', de Londres. Foi possível acompanhar a exibição de figurinos, cenografias, letras de música, vinis, cenas de filmes, de peças teatrais e de shows orquestrados por Bowie, desde a década de 60 até os dias de hoje. Abaixo, uma foto da entrada da mostra no MIS. Abraço a todos!

segunda-feira, 3 de março de 2014

OSCAR 2014: JUSTO!

Oi, amigos e leitores. Assistimos à transmissão ao vivo pelo Canal ABC, no original, sem precisar contar com a palhaçada dos locutores do Canal TNT, que não sabem nada de cinema e sequer assistiram aos filmes que estavam concorrendo neste ano. Só fiquei intrigada pelo fato de que não mencionaram na noite a morte recente de Shirley Temple e o falecimento do diretor francês Alain Resnais. No entanto, houve uma homenagem a Judy Garland. Não entendi isso ou perdi algo na transmissão. Dei-me conta de que assisti a 17 dos filmes que estavam concorrendo, inclusive conferi a animação "Frozen, uma aventura congelante", dos estúdios Disney.
Aplaudi, logo no início, a outorga de Melhor Ator Coadjuvante ao belíssimo e talentoso Jared Leto, pela personagem assumida em "Dallas Buyers Club", de Jean-Marc Vallée. Também apreciei o prêmio de Atriz Coadjuvante à Lupita Nyong'o, em "12 Years a Slave", de Steve McQueen. Melhor Diretor ao mexicano Alfonso Cuarón não compreendi. "Gravity" é um filme com efeitos especiais impressionantes. Mereceu os prêmios de reconhecimento técnico/tecnológico, mas Melhor Diretor? A noite, decididamente, foi de Matthew McConaughey, Oscar de Melhor Ator, reconhecido por sua extraordinária atuação no "Dallas Buyers Club", uma espécie de memorial descritivo do início do tratamento da AIDS nos EUA,  a partir de um coquetel de AZT que matava os pacientes, submetidos experimentalmente ao composto, em função de sua toxicidade. O personagem de McConaughey descobre um medicamento alternativo ao AZT e recebe da Justiça do Texas o direito de ministrá-lo, após muito contrabando de fármacos e enrolações junto à Receita Federal. É um filme importante, que recupera a história dessa doença na América. Kate Blanchet, estupenda em "Blue Jasmine", de Woody Allen, não exige maiores comentários. Mulher elegante, fez menção às suas concorrentes à Melhor Atriz com humildade e reconhecimento. Melhor Filme Estrangeiro, como não poderia deixar de ser, ao "A Grande Beleza", de Paolo Sorrentino! Por fim, Steve McQueen comemorou com sua equipe, ao final da cerimônia, o Oscar de Melhor Filme. "12 Years a Slave" tem um roteiro baseado nos diários de Solomon Northup, negro livre do Nordeste americano, sequestrado e vendido como escravo a fazendeiros do Sul. Nessa condição, ele sobrevive por 12 anos, até ser libertado pela Justiça e enviado de volta para casa. O filme retoma o tema da escravidão na América, pouco explorado no cinema, e parece que ainda traumático para a sociedade estadunidense. Aproveitem para assistir aos premiados, pessoal! Abraço a todos!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

TUDO A QUE ASSISTI NO CINEMA: VERÃO 2014 (1ª PARTE)

Oi, pessoal! Quero deixar aqui inscrita a minha lista de filmes a que assisti no cinema entre janeiro e fevereiro, em Porto Alegre. Iniciarei pelos remakes, cult movies, que foram importantes para a minha geração. O 'Um corpo que cai' (Vertigo), de A. Hitchcock, saiu de cartaz de uma Sala Itaú. Quando ele reestreiou, a sala lotou e encontrei um amigo por lá em uma sessão após às 22h. Foi ótimo eu ter conferido a cópia porque não me lembrava de algumas cenas e de alguns detalhes. Da mesma forma, há uns 15 dias atrás, fui rever o "Fome de Viver", de Tony Scott, com a divina Catherine Deneuve e o camaleão David Bowie. O filme é um thriller do gênero gótico, sobre vampiros e suas eternas vidas entre os humanos, mas tem uma sofisticação ímpar não apenas pelo figurino, mas pela trilha musical, pela ambientação e pela estética da imagem. Os mais erotizantes são 'Ninfomaníaca', de Lars von Trier (sobre o qual escrevi neste blog, comentário muito lido na WEB) e "Azul, a cor mais quente', de A. Kechiche. Esse último o assisti há mais tempo, quando estreiou em Porto Alegre e não o comentei em meu blog, embora eu o tenha apreciado bastante. Depois, por ordem de afeto e apreço assisti aos:
'A Grande Beleza', de Paolo Sorrentino, que já foi agraciado com o Globo de Ouro 2014;
'Ela', de Spike Jonze, que comentei em um post logo abaixo deste;
'Philomena', de Stephen Frears, um diretor britânico que eu muito admiro, mas que há anos não conferia algo de sua lavra. A veterana e fantástica atriz Judi Dench é a protagonista deste longa e concorre a um Oscar de Melhor Atriz;
'O Lobo de Wall Street', de Martin Scorsese, com Leo Dicaprio arrasando, que disputará um Oscar de Melhor Ator;
'Blue Jasmine',  assistido há mais tempo, com a maravilhosa atuação de Kate Blanchet, que concorrerá a um Oscar de Melhor Atriz;
'Álbum de Família', de John Wells, com a não menos maravilhosa Meryl Streep, que também concorrerá ao Oscar de Melhor Atriz. Dá para sacar que o embate será grande neste ano.
A entrega ocorrerá pela TNT na noite de 2 de março. Por fim, ainda assisti a um filme que fez sucesso no Berlinale de 2013, 'Gloria', filme chileno de Sebastián Lielo, e à versão cinematográfica de 'A Menina que roubava Livros', de Brian Percival.
Aproveitem a safra e assistam, em especial, ao "Ela" (Her), porque ele é reflexivo e terapêutico, além do fato de que o Joaquin Phoenix está demais, como sempre! O filme "Trapaça" eu não tenho vontade de assistir; todavia, "12 de Escravidão" (ganhou o Bafta de Melhor Filme e de Melhor Ator) e "Caçadores de Obras-Primas" serão degustados no final de semana próximo! Abraço a todos!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

''HER" (ELA, 2013), DE SPIZE JONZE

Olá, amigos e leitores! Tenho de comentar o filme a que assisti no início desses dias de férias. Conferi dez filmes, sendo que um deles era um documentário musical e outro, uma reprise, o maravilhoso e cult Fome de Viver, de Tony Scott, em cópia remasterizada (com aquele preâmbulo sinistro da Bauhaus tocando 'Bela Lugosi is dead'). Todavia, de tudo o que vi e sorvi, tenho de destacar o longa de Spike Jonze, o "Her" (Ela, de 2013). Eu não prestei atenção nesse filme, quando o Globo de Ouro 2014 foi entregue (Spike Jonze foi agraciado com o prêmio de Melhor Roteiro). Cometi um grande deslize, porque fui assistir ao Ela sem referência alguma, uma vez que não leio nada de comentários críticos sobre os filmes a que assisto antes de eu escrever o de minha lavra. Pois bem, conheço o Jonze muito mais como diretor de clipes famosos. Como sou tarada por música, no final dos 90, lembro-me de um clipe muito massa que o Jonze dirigiu para a banda Chemical Brothers. Na época, a Sophia Coppola foi a protagonista, encarnando o papel de uma ginasta, que apresenta seu performance ao som da música Elektrobank. Dá para checar o clipe pelo You Tube. Anos depois, a Sophia Coppola tornou-se esposa de Spike Jonze, mas o casamento não durou muito. Também conheço o clipe de Jonze para a Daft Punk, Da Funk, e para a banda Arcade Fire, que, aliás, faz parte da trilha do longa Ela. Spike Jonze parece que aprecia muito o som desses cara da Arcade! Nao posso deixar de comentar que também conheço os dois CDs de Scarlett Johansson, atriz premiada e também cantora. Seu primeiro álbum surgiu em 2008 ("Anywhere I Lay my Head", em sua maioria interpretando canções de Tom Waits, também ator veterano e cantor), mas o ouvi apenas em 2011, quando uma grande amiga o trouxe para mim de NY. Seu segundo álbum intitula-se "Break Up", do qual só possuo uma cópia. A Scarlett eh interessante como intérprete porque ela tem uma voz rouca e manhosa. Rouca mesmo, todavia, é Caren O, que interpreta a canção do filme de Jonze, The Moon Song, letra alinhada ao roteiro do filme, que trata de uma relação de amor virtual, de um rapaz solitário, que escreve cartas para ganhar a vida, e seu Sistema Operacional (SO), com uma voz feminina, justamente a voz de Scarlett, que não aparece visualmente no filme, mas apenas através de sua marcante e inconfundível voz (a canção-tema do filme é de Caren O, The Moon Song: I'm lying on the moon/ My dear, I'll be there soon/ It's so quiet starry place/ It's a dark and shiny place". Essa canção está concorrendo a Melhor Canção Original no Oscar 2014). O Sistema Operacional chama-se Samantha e é com ela que o personagem do ator Joaquin Phoenix interage durante o dia - e em sua alcova. O filme foi categorizado como comédia, mas não o considero como tal. Ele é melancólico e reflexivo, desvelando uma metáfora potente sobre a aridez dos relacionamentos interpessoais na era digital, sua indefectível superficialidade e, sobretudo, sua forma "líquida" (usando uma expressão de Bauman) com a qual se expressam, que vão e vêm de maneira volátil. Espero que esse filme ganhe também um Oscar de Melhor Roteiro na noite de 2 de março. Os filmes que Spike Jonze dirigiu em 1999 (Quero ser John Malkovich) e em 2002 (Adaptacao) também tiveram indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar, embora o roteiro desses tenha sido assinado por Charlie Kaufman, não por Jonze. Para encerrar, eu gostaria de deixar uma provocação: por que o figurino do filme não condiz com o período em que o mesmo se desenrola? Se os Sistemas Operacionais chegaram a um sofisticado performance no seculo XXI, por que as roupas do protagonista e coadjuvantes é da década de 80, com o cós alto na cintura e a boca larga nas pernas das calças (vintage?)? Quem se habilita a dar um palpite? Valeu!

domingo, 12 de janeiro de 2014

"NYMPHOMANIAC" (2013), DE LARS VON TRIER (VOL. 1)

Como eu havia dito neste blog, fui assistir ao longa de Lars von Trier em uma Sala Itaú, em Porto Alegre, na terça, dia 14 de janeiro. Fiquei agitada com o som pesado, no prólogo do filme, de uma banda alemã que ouço há anos, a Rammstein. O tema é intitulado "Führe mich", o qual ouço agora em casa, com uma batida pesada magnetizante, cujo estribilho ecoa assim: "Guia-me, abraça-me (ou prenda-me?)". Como ao final do filme percebi que Lars von Trier agradece a várias pessoas e, dentre elas, seu conterrâneo dinamarquês Lars Ulrich, batera do Metallica, vou aguardar para ver se rola um tema dessa banda na segunda parte de "Ninfomaníaca", que von Trier denomina de segundo "volume" (possivelmente, porque há uma estrutura musical no filme). Esperemos que entre em cartaz no Brasil antes de março. O filme é repleto de erudições, intertextualidades e na trilha há um momento, na primeira parte, em que se ouve o sagrado Johann S. Bach (um prelúdio polifônico). Não sei por onde iniciar meu comentário, porque, já alavancado pela música, quero fazer remissão às obras literárias que o filme sinaliza e às artes visuais, posto que algumas cenas mais parecem fotogramas e lembram-me a obra de Egon Schiele. Esse pintor austríaco, tinha um ateliê próximo a Viena, que se tornou ponto de menores delinquentes. Ele mesmo abusou de uma menina e foi preso. Pintou inúmeras telas e fez esboços de genitálias, sempre com modelos. Obviamente, a sociedade do decadente império austro-húngaro não o compreendeu e o rechaçou, considerando o fato de que o modelo de arte, à época, era o de Klimt. Voltando ao longa, o elenco de "Ninfomaníaca" conta novamente com Stellan Skarsgard, ator sueco que andou fazendo filmes linha B, após ter participado de "Dogville", de Lars von Trier em 2003. Apreciei muito o perfomance de Skarsgard em um longa de Milos Forman, de 2006, no papel de Goya, cujo roteiro foi escrito pelo diretor com a parceria de Jean-Claude Carrière. Um belíssimo filme! Charlotte Gainsbourg, a ninfomaníaca do filme (na juventude, ela é representada pela atriz Stacy Martin), é anglo-francesa, cantora e filha de Jane Birkin; tem um currículo expressivo na música, no cinema e como modelo fotográfico. Nós a vimos na pele de Claire, há pouco, no "Melancholia", de von Trier, em 2011, filme que causou a maior evasão de uma sala de cinema que já presenciei em minha vida. Lembro-me de Charlotte atuando em "21 gramas", de 2003, do diretor Alejandro G. Iñarritu. Depois, em "Não estou lá", de Todd Haynes, em 2007, filme sobre a vida e a obra de Bob Dylan. O pesado marketing, que vem desnudando em partes o longa "Ninfomaníaca", que, originalmente, tem oito horas de duração,  já me deixou vários dias à procura de teasers liberados pela produção no site do You Tube. Ainda sobre o elenco, vi Uma Thurman, em uma rápida aparição em uma cena de adultério, Christian Slater, que não esqueço porque fez Adso, o noviço de "O Nome da Rosa", além de um ator em início de carreira, que conheço pouco: Shia LaBeouf. Sobre as intertextualidades literárias, Edgar Allan Poe é citado no início do primeiro volume e creio que o nome da protagonista "Joe" faz algum jogo fonético com "Poe". No prólogo, quando toca o tema da Rammstein, Joe, a ninfomaníaca, está  deitada, machucada e desacordada sobre o chão de um beco escuro. Note-se que é inverno, cai uma neve fina, cujos flocos contrastam com a cena escura e tensa. O personagem de Skarsgard a leva para sua casa e a trata. Não há como não fazer uma conexão com o final da vida do próprio Poe, em uma rua de Baltimore, caído no meio-fio, de tanto beber. Joe ouve de seu protetor essa história e sobre o delirium tremens que acometeu Poe. "A queda da Casa de Usher" é um dos contos que mais aprecio de Edgar Allan Poe. Seu protagonista vive em total desacordo com o ritmo de seu mundo. Parece-me que von Trier inspirou-se nessa narrativa para conceber sua ninfomaníaca, embora eu não possa afirmar, porque não assisti à segunda parte, ou volume. A heroína vive de sexo, alimenta-se de sexo e inicia uma 'queda' rumo às perversões mais sombrias da condição humana. Só sei que Williem Dafoe vai aparecer na segunda parte e não sei a que virá, porque não leio os textos de críticos, até escrever o meu próprio comentário. Tenho a intuição, pelos teasers que vi, que será pesada! Retomando o longa, a pesca é uma forte metáfora presente no roteiro e em imagens documentais inseridas no filme. Joe percebe que há uma mosca ninfa presa entre penas/plumas na parede da casa de seu protetor. Usa-se um tipo de mosca como isca de pesca, mosca que tem três fases de ninfa; depois, ela torna-se um inseto adulto. Tive um pai, que, além de artista gráfico e jornalista, era pescador e não raras vezes fui eu a contemplada para acompanhá-lo em pescarias rápidas, de um dia. Imaginei cenas do texto de "Moby Dick", de H. Melville, das aventuras do 'Pequod', enquanto o personagem de Skargard explica para Joe os detalhes sobre a pesca com a mosca ninfa. Ao final do filme, após as narrativas eróticas da menina Joe, ouve-se novamente o som de Rammstein, fechando o primeiro volume. Uau! David Lynch que se cuide! Aguardemos a segunda parte, que promete! De qualquer modo, o que vi na tela é muito honesto e sua abordagem é séria! Espero que ajude, no 'espelhamento', a muitas pessoas, problemáticas e mal-resolvidas em relação às suas sexualidades! Abraço a todos!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: FIQUEM ATENTOS!

(revisado pela segunda vez!)

Vou me pronunciar hoje sobre um tema que não é de teor intelectual ou cultural, propriamente. Peço às mulheres que lerem ao meu comentário, em especial, que se pronunciem, deixando um recado, um toque, um lamento. Somente a informação, a troca de experiências, a leitura aprofundada e  o conhecimento jurídico transformarão a história deste país, do ponto de vista dos direitos da mulher. No semestre que passou, tive duas experiências com alunas minhas que sofreram violência física de parte de seus namorados/companheiros. Acabei envolvida diretamente em um episódio que ocorreu em minha sala de aula. Uma pessoa da turma havia sido vítima de agressões na noite anterior e, naturalmente, no dia subsequente, o cônjuge estava arrependido e se encontrava de prontidão na porta de minha sala de aula para 'conversar'. Fiquei mais atenta ainda!  Uma semana depois, uma outra menina apareceu machucada em minha sala. Obviamente, não fui invasiva perguntando diretamente sobre o ocorrido, mas, desconfiada, perguntei a várias outras meninas e consegui descobrir: ela, tendo terminado um namoro, foi pega na descida do ônibus, chegando em seu município, já tarde da noite, por um namorado descontrolado e insatisfeito com o rumo do relacionamento. Ele bateu bastante na moça e a deixou marcada nos braços, sobretudo. Isso é simplesmente absurdo, inaceitável, revoltoso e profundamente injusto. Não é preciso ser ativista dos direitos humanos para vilipendiar esse tipo de conduta e julgá-la como uma das mais ímpias e sórdidas da natureza humana! A Lei n. 11340, sancionada em 2006, pelo ainda Presidente Lula, intitulada Lei Maria da Penha, é clara:

 Art. 7o  São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

Portanto, não é preciso apanhar de um namorado ou ex-namorado para acionar essa lei, nada disso. Há outras formas de violência que não deixam marcas visíveis, mas que submetem mulheres ao medo, ao infortúnio emocional, a doenças crônicas e a outros conflitos marcados por episódios passados, que reverberam em todas as dimensões de suas vidas.
Não se omitam em relação à violência. Denunciem, procurem seus amigos, conversem com quem já passou por algo semelhante e tomem providências, sem medo de represálias ou mesmo de vinganças patológicas. Abraço a todos/todas que me leem! Um feliz 2014! 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

POST IN PROGRESS

Vou iniciar o ano comentando filmes a que assisti e não os contemplei aqui: "Lore", "La Vie d'Adele" (Azul é a cor mais quente), "Questão de Tempo" e a versão remasterizada de "Vertigo" (Um corpo que cai), de A. Hitchcock. Todos esses longas seguem em cartaz em Porto Alegre. Também comentarei os livros a que li até agora e/ou iniciando a leitura: um de Robert Löhr, um escritor berlinense de romances históricos, que esteve na Feira do Livro em 2013; a coletânea de poemas e outros escritos de Ana Cristina César, que acabou de sair no mercado editorial com o título de "Poética" e agora inicio um recém-lançado de artigos de Estética.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

OS MELHORES FILMES A QUE ASSISTI EM 2013


Minha lista dos melhores filmes a que assisti em 2013 no cinema, considerando que vivo no interior:


1. "Uma garrafa no mar de Gaza", de François Ozon (sobre os conflitos entre israelenses e palestinos);

2. "Dentro da Casa", de François Ozon (sobre literatura, verossimilhança e imaginação);

3. "Hannah Arendt", de Margarethe von Trotta (sobre o sentimento de 'idishkait', a judeidade, ou a falta dela, e o Nazismo); 

4. "Lore", de Cate Shortland (sobre a alienação dos alemães em relação à 'solução final', o Pós-Guerra e a divisão da Alemanha em setores dos aliados a partir da visão de uma adolescente germânica. Baseado no livro da inglesa Rachel Seiffertem, "The Dark Room");

5. "Berlin-7", de Ramtin Lavafipour (produção germânico-iraniana sobre os exilados de Bagdá em solo alemão);

6. "O som ao redor", do brasileiro Kléber Mendonça Filho, filmado no Recife, que eu amei, mas ficou fora da corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014; 

7. "Tatuagem", do brasileiro Hilton Lacerda, ainda em cartaz em Porto Alegre;

8. "La Vie d'Adéle" ou "O Azul é a Cor mais Quente", grande vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, 2013,de Abdellatif Kachiche (baseado na HQ "Le Bleu est une Couleur Chaude");

9. "César deve morrer", dos irmãos Taviani (peça teatral ensaiada dentro de um presídio de segurança máxima, perto de Roma, com base no texto de Shakespeare "Júlio César". A Arte vai tocando a alma de cada um dos apenados. É lindo!)

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

RIO DE JANEIRO: EXPOSIÇÕES DE ARTE

(ultrapassando 29 mil visualizações do blog!)

Fui hoje à tarde ao MAM Rio, visitar a exposição de Frida Baranek e suas grandes esculturas. Há algumas que transgridem a própria lei da gravidade e que oferecem ao imaginário do espectador uma experiência com o Tempo. As fotos eu as descarregarei quando voltar para casa. Portanto, quem tiver interesse em acompanhar os registros e comentários, aguarde-os. Logo, depois, conferi a exposição para a qual fui ao MAM do RJ hoje, que é a retrospectiva de Antonio Manuel, que não expunha em uma individual institucional na cidade há 15 anos. Quem me recomendou essa exposição foi minha amiga Sandra Moscovich, de Porto Alegre. Antonio Manual tem instalações enormes, epifânicas, como buracos em grandes muros, instalados no terceiro andar do museu. Só um passeio pelas depedências do MAM já vale a pena, incluindo o restaurante, a cafeteria, a cinemateca e uma loja de design. Por fim, na entrada, no térreo, vi as telas a óleo de dois artistas checo-finlandeses, Oudrej Brody e Kristofer Paetau, que transformaram fotografias de vítimas de torturas na China em obra de arte. Eles conseguem expressar a grande contradição da China atual, que tem um PIB galopante, mas que não cresce na mesma proporção que o acesso a direitos humanos e sociais. O que eu apreciei mesmo, todavia, foi a exposição que estava sendo montada por uma equipe brasileira. Notei que havia vários alemães nas dependências do museu. Fiquei nop encalço deles. A exposição tinha acabado de chegar do MoMA, de NY, cujo curador é um cara que leio e sigo no Facebook há anos, o Hans Ulrich Obrist. Vi alguns vídeos, sem poder me aproximar da área, e algumas esculturas muito doidas, referidas às questões ambientais, que trucidam o planeta. Fiquem ligados para quem aprecia Arte. Até mais!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

RIO DE JANEIRO: EXPOSIÇÃO E LIVRARIAS

Estive hoje, na companhia de um amigo gaúcho que estuda em Niterói, na exposição da artista plástica japonesa Yayoi Kusama (1929 -  ), com curadoria de Tomie Otakhe, de SP, intitulada "Obsessão Infinita", pela primeira vez expondo no Brasil. Muito interessante o trabalho dela! Ela migrou para NY no pós-guerra, em 57, e fez parte da turma dos artistas da Pop Art e do Minimalismo. Seu trabalho é conhecido pelas bolinhas coloridas que pinta sobre as superfícies de seus modelos, instalações, pinturas e escultura. Vanguarda pura para a década de 60, em plena contracultura. Depois, seguimos até a livraria 'Leonardo da Vinci', da qual já sou freguesa há dois anos, e, por fim, fomos ao seb Berinjela'. Comprei uns livros e, no final da tarde, para não perder o constume, fui ao cinema em Botafogo. Conferi o último longa da François Ozon, "Jovem e Bela" (Jeune et Jolie, 2013), que aborda um dos graves problemas que a França vive: o da prostituição de menores. Amanhã, irei conferir duas exposições no MAM (Museu de Arte Moderna), no Flamengo, e à noite irei ao Rio Scenarium, na Lapa (Rua do Lavradio). Aguardem os próximos comentários! Abraço, amigos!

RIO DE JANEIRO: PROGRAMAS CULTURAIS

Estou no RJ há dois dias e hospedada na casa de minha irmã mais nova, em São Cristóvão, com direito à vista do porto e da Ponte Rio-Niterói, cartão do metrô e um celular Oi com ddd 021. Muito chique! Estive ontem com a minha família em Copacabana. Hoje, domingo, iniciei os passeios culturais. Fui checar os filmes em cartaz nas salas do Botafogo, comprei os jornais cariocas e paulistanos dominicais, tomei um belo café e, depois, lá pelas 14h30, fui conhecer a 'Casa Daro's, antigo educandário localizado no Botafogo, revitalizado e reformado por um grupo suíço, que comercializa arte latino-americana. O casarão conta com 147 anos. Maravilhoso o espaço, com 12 galerias, uma loja, um restaurante e uma charmosa cafeteria. Contarei mais sobre a Daros, junto a fotos, quando eu retornar à minha casa. Depois, fui ouvir uma audição de trechos da peça "Hamlet", de Shakespeare, na "Arena" do SESC, Copacabana, com Bárbara Heliodora, Thiago Lacerda e alguns jovens atores. Muito interessante! Bárbara Heliodora, uma senhora já idosa, esbanja vitalidade e humor! Ela é a grande tradutora de Shakespeare para o Português. Amanhã, voltarei a comentar minhas peripécias na Cidade Maravilhosa! Abraço a todos!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

LITERATURA, POESIA E PRÊMIOS LITERÁRIOS

Semana de boas notícias na literatura brasileira! Fiquei contente com a notícia de que a escritora gaúcha - e minha amiga pessoal-, Cintia Moscovich, de Porto Alegre, arrebatou mais um prêmio literário, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2013, na categoria contos (50 mil reais). Na categoria poesia (50 mil reais), venceu o interessante poeta carioca, que eu aprecio bastante, Eucanaã Ferraz, que esteve em POA neste ano, no FestPoa. Fui ouvi-lo e junto a ele estava o meu adorado Antonio Cícero. Na categoria romance, José Luiz Passos, escritor pernambucano, foi agraciado com o grande prêmio, por seu romance "O sonâmbulo amador" (100 mil reais). A vez é dos pernambucanos, não tenho dúvidas! Após ter assistido ao magnífico longa, do diretor pernambucano Cléber Mendonça Filho, "O som ao redor" (2012), não tenho dúvidas de que algo significativo está rolando no Nordeste, especialmente no Pernambuco! Este ano foi um ano de efemérides, para aqueles que amam a Literatura! Há 30 anos, suicidou-se no Rio de Janeiro a poeta Ana Cristina César (29.10.83). Eu já a lia desde seu início de carreira e ontem mesmo encomendei o livro "Poética" (Companhia das Letras), com seus quatro livros publicados em vida e muitos poemas esparsos e inéditos, selecionados pelo poeta e amigo pessoal, Armando Freitas Filho. No dia 9 de novembro, foram os 60 anos de morte do poeta galês Dylan Thomas, cujos poemas também leio há muito tempo! Eu estava a preparar um artigo sobre a obra mais espiritualista de Aldous Huxley, mas não consegui terminar a tempo de publicar nos 50 anos de morte do mesmo, em 22 de novembro. Por fim, ontem, 4 de dezembro, os alemães letrados comemoraram os 70 anos de morte de Stefan George, poeta que inovou a poesia germânica. Escrevi sobre ele neste blog em junho deste ano. Deixo a vocês um de meus poemas prediletos da lavra de Ana Cristina César:

                           Tu queres sono: despede-te dos ruídos

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.

sábado, 30 de novembro de 2013

6º MISSISSIPI DELTA BLUES FESTIVAL, EM CAXIAS DO SUL

Fui, no final de semana passado, 23 e 24 de novembro, a Caxias do Sul. Meu querido ex-aluno da UNISC e amigo, Maurício Grassel, providenciou os ingressos para a noite final do Mississipi Delta Blues Festival, em sua sexta edição. Cheguei antes das 19h sozinha. Comprei uns souvenirs, tomei uma ceva gelada, peguei a cortesia do festival, fui ao Mississipi Delta Bar, mentor do festival, e flanei pelos vários palcos menores montados no complexo, além de aguardar um show internacional no palco maior. Antes de meus amigos de Caxias do Sul chegarem, encontrei um pessoal de Santa Cruz do Sul por lá e ouvi vários bluesmen. Estavam lá o famoso, e já idoso, James Wheeler (nascido na Georgia, em 1937), tocando com Bob Stroger, bluseiros americanos. Wheeler, abaixo, com seu terno amarelo e sua guita manhosa:


Depois, tive a oportunidade de ouvir a música do último pianista de blues vivo, já bem velhinho, Henry Gray (Louisiana, 1927), que encantou a todos, fazendo fotos com os jovens que o chamavam e autografando, antes de seu show no palco principal do festival. Deem uma checada nele:


Em um palco alternativo, ouvimos juntos, já com meus amigos, ao show da Blues Etílicos, do RJ, com Flávio Guimarães no vocal e na harmônica de boca. Já assisti a shows dessa banda inúmeras vezes em Porto Alegre, em Santa Cruz do Sul e no Rio de Janeiro duas vezes. Eles são cativantes e o Flávio é um bluseiro simpático e bala em  seu performance. Confiram os cariocas da Blues Etílicos abaixo
e uma foto minha com meus bros no festival:



Para encerrar a noite, assistimos juntos ao grande show de Eddy "The Chief" Clearwater (Mississipi, 1935), que entrou no palco com um cocar vermelho, fazendo composé com seu terno vermelho, e arrasou na guita canhota. Vejam abaixo:

No próximo ano, comprarei o passaporte para as três noites e farei uma imersão na cidade e no festival. Voilá!

domingo, 17 de novembro de 2013

WOOD ALLEN, DVDs E LEITURAS

Passei dois dias em Porto Alegre, quinta e sexta (14 e 15 de novembro), e aproveitei para assistir a dois longas. Fui conferir o último de Wood Allen, o 'Blue Jasmine' (2013), por conta de que fiquei decepcionada com os dois últimos a que assisti, com locações em Paris e Roma. Para quem apreciou o drama 'Match Point', como eu, Woody Allen iniciou bem sua lavra de tragédias, porque os dois anteriormente comentados foram fracos e tristes. A Kate Blanchet, estrela de 'Blue Jasmine', está espetacular, como uma viúva decadente, ex-esposa de um salafrário de NY. Prefiro suas comédias neurotizantes, cujo humor judaico deixou saudades em todos que curtem a sua cinematografia. Paciência! Depois, na tarde do feriado, quando um grande temporal ameaçava a capital, eu estava dentro da Sala 8 do Itaú, louca para assistir à produção alemã de 'Lore' (2012), da diretora Cate Shortland. Foram apenas 15 minutos de projeção e tudo foi cancelado nas oito salas Itaú. O mundo caía sobre Porto Alegre e foram mais de 30 minutos sem energia elétrica. Que frustração! Entrei em uma fila e fui reembolsada! Esse filme ficará para a próxima sexta, dia 22. No sábado, dia 23, irei com amigos ao festival de Blues de Caxias do Sul (com meu querido Maurício Grassel), que ocorre há anos no Mississipi Delta Bar. Haverá também outra edição do Festival de Jazz, em Canoas. Uma boa pedida para quem estará em Porto Alegre! Quanto a filmes em DVD, comprei dois Joseph Losey, "A vida de Galileu", montagem de Brecht transposta para a tela grande, produção de 1975, e mais "O assassinato de Trotsky", de 1972, com Richard Burton no papel do líder comunista. Maravilhosos os dois filmes de Losey, que foi aluno de Brecht, na Alemanha. Também comprei uma caixa da Versátil, com cinco clássicos do cineasta japonês Yasujiro Ozu (1903-1963) (dica de meu amigão cinéfilo, Fabiano Felten). Reassisti ao belo "Era uma vez em Tóquio" (1953), que também foi projetado na 37ª Mostra Internacional de Cinema de SP, na qual estive há três semanas, mas os ingressos estavam esgotados para a exibição do mesmo. Tenho mais quatro longas do Ozu para conferir, com paixão e cuidado. No âmbito das leituras literárias, para as quais tenho tão pouco tempo em final de semestre letivo, mesmo assim, consegui terminar de ler o "Projeto Lazarus", de Aleksandar Hemon, o grande homenageado da FLIP deste ano. Terminei também um livro que ganhei de minha filha, o "Flores raras e banalíssimas", de Carmen L. Oliveira, trazido da Bienal do Livro do RJ para mim. Como assisti ao filme homônimo, de Bruno Barreto, de 2012, foi importante ter lido o resultado da pesquisa de Carmen Oliveira. Depois disso, embebi-me nos poemas de Elizabeth Bishop e ofertei o volume à minha grande amiga que aniversariava, já há três décadas, parceira de viagens, filmes e teatro, a Lucy Demari. Por fim, comprei "A lebre com olhos de âmbar", de Edmund de Waal, que a querida Sandra Moscovich, leitora inveterada, me recomendou, e já estou saboreando o texto, que se reporta aos ascendentes de sua família no Império Austro-Húngaro, que tinha obsessão pela cultura nipônica, especialmente pelos famosos setsuquês. O livro que realmente me olha e me espera é o romance do berlinense, que esteve falando na Feira do Livro de Porto Alegre na terça, dia 12 de novembro, Robert Löhr. Seu "A manobra do rei dos elfos", foi publicado pela Record em 2011, mas eu ainda não tinha notícias da existência desse escritor. Mesmo em tempos difíceis de trabalho, por isso voltei para casa, não posso ficar sem um bom filme em DVD e um bom livro para degustar. Abraço a todos!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CINEMA E ARTE EM SÃO PAULO

Oi,  amigos e leitores! Fui a São Paulo novamente no finde de 24 a 26 de outubro. Tive dois compromissos pessoais e nas noites de sexta e sábado assisti a quatro filmes, dois deles na programação da 37ª Mostra Internacional de Cinema de SP, sendo a primeira vez a que vou a esse festival (já estive no Berlinale, em Berlim, em fevereiro de 2011). Antes de comentar os filmes de SP, tenho de contar que assisti em Porto Alegre, no dia 14 de outubro, ao último longa de Marco Bellocchio, "A bela que dorme". O filme trata de eutanásia, a partir de um caso real, ocorrido em 2009, em que uma família recebeu a autorização da Justiça para desligar os aparelhos de uma jovem que há 17 anos vivia em estado vegetativo irreversível, após um acidente de carro. O Senado italiano estava prestes a votar uma lei que proibia a eutanásia, quando a família recebeu a decisão positiva da corte. O longa desvela os desmandos e pressões dos bastidores da política, os conflitos de ordem bioética que a religião impõe às pessoas e outros problemas implicados quando se vive um caso assim. Retornando a SP, assisti a dois filmes, no âmbito da mostra competitiva: um coreano, "Ansiedade" (2012), de Min Hwan-Ki, que discutia a relação de uma pequena cooperativa independente de jovens estilistas com o mercado (metade do público da sala de exibição se retirou do filme!). O segundo filme, "Berlim-7" (2013), produção germânico-iraniana de Ramtin Lavafipour, conta a história de uma família de iraquianos, que deixa Bagdá, em plena Guerra do Iraque, após a perda da mãe/esposa em uma explosão. A vida de refugiados, segregados em abrigos, que vivem na expectativa de receber autorização legal para permanecer no país, é a pedra-de-toque da trama do diretor muçulmano. Muito bom esse filme! Também pude assistir a dois filmes fora da Mostra de SP. O primeiro longa, "Os belos dias", de Marion Vernoux, com a grande atriz francesa da Nouvelle Vague, Fanny Ardant, fazendo uma personagem de 60 anos em um filme fraco. Entediada em seu dia a dia, vive um caso com seu professor de Informática em uma escola para a Terceira Idade, chamada "Os belos dias". O longa inicia-se com um bom ritmo e uma aura de erotismo apropriada a uma sexagenária de classe, mas descamba para a falta de profundidade nas relações interpessoais que as personagens encarnam, sobretudo no que diz respeito à sexualidade de homens e mulheres após os 60 anos. Por fim, assisti a um filme comercial, escolha determinada pela falta de possibilidade de encaixar os horários dos filmes da mostra: o thriller "Os Suspeitos" (Prisoners, 2013), do estreante canadense Denis Villeneuve. Esse nem vou comentar aqui! No campo da arte, fui visitar pela segunda vez (a primeira na Fundação Iberê Camargo  em março deste ano, em Porto Alegre) a exposição de William Kentridge, sul-africano de origem, que apresentou mais de 200 obras no espaço da Pinacoteca do Estado de SP. Kentridge é hoje um dos performers mais politizados do planeta, com uma obra diversificada que me lembra o mega artista chinês Ai Weiwei, claro, em menor porte. É isso, galera! Aguardem as próximas postagens e obrigada pela audiência!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

'GRAVIDADE', DE ALFONSO CUARÓN: FICÇÃO CIENTÍFICA DE ALTO NÍVEL

Assisti ao longa de Alfonso Cuarón, o "Gravidade" (Gravity, de 2013), uma coprodução dos EUA e Grã-Bretanha, que abriu o Festival de Veneza deste ano. Assisti-o no sábado, em 3D, no Iguatemi. O filme é do gênero 'ficção científica', dos genuínos mesmo, que se inicia já no espaço com a personagem de Sandra Bullock na pele de uma cientista, tentando resolver uma avaria em uma das sondas do Hubble. Como sempre faço, não li nada na imprensa, blogs ou sites especializados sobre esse filme, porque não aprecio ficar 'contaminada' por outras percepções e comentários críticos. Li a ficha técnica e achei curioso o fato de que o mexicano Cuarón, o Alfonso (não o Carlos, que também é conhecido na indústria), ter escrito o roteiro com um de seus três filhos. O cara tem 52 anos, o que significa que concebeu um roteiro a quatro mãos com um jovem iniciante. Somente nos primeiros 30 minutos, vê-se a personagem de Bullock contracenando com o comandante da expedição, um astronauta experiente e metido a galanteador, encarnado por Clooney. Uma boa parte dos planos-sequência é constituída de silêncios, visões de lixo aeroespacial orbitando a Terra, lindas imagens do planeta, de dia e de noite, raios solares dividindo a cena com os azuis dos mares e alguns satélites de outras nações, como Rússia e China... Para variar, os destroços que atingem as personagens são de um satélite russo, não poderia ser de outro país. Para quem ainda se lembra da Guerra Fria, essa cena foi um grande clichê, que, unido a outros, desqualifica a produção, mas não macula a embevecida estética de um espaço, que é sagrado e inóspito, simultaneamente. A procura de um modo de sobreviver no espaço, sozinha, sem condições adequadas, coloca a personagem de Bullock dentro de uma alegoria poderosa, considerando o fato de que ela é mulher, divorciada, amargurada, por ter perdido uma filha em um acidente escolar, solitária, porém competitiva,  no âmbito de um ramo do conhecimento ainda liderado por homens! Em 3D, os destroços que, constantemente, invadem a tela chegam a nossos corpos na plateia. Há alguns momentos de reações sensoriais da plateia. Não raras vezes, vi pessoas se mexerem para os lados, como se estivessem evitando de ser atingidas pelos objetos que giravam em grande velocidade! Há uma bela cena em que, no retorno a uma das cápsulas e em contato com o oxigênio novamente, a personagem de Bullock fica 'dançando' sem gravidade, em movimentos lentos vai tirando o traje espacial com ganas e, finalmente, fica seminua, em posição fetal. Ao fundo do quadro, os fios que a conectam à capsula parecem o cordão umbilical que, por sua vez, a conecta a algo maior, algo espiritual, que o filme tem a pretensão de apresentar e explorar, de modo epifânico. Não percam! Antes disso, a cientista é jogada em um spinning no espaço, em uma cena longa, que chega reações no espectador. Alfonso Cuarón dirigiu um dos quadros de 'Paris, Je t'aime' (2006) e também envolveu-se com um dos filmes da saga de Harry Potter, que não sei qual agora. Vai lá, assiste-o e comenta aqui no meu blog as tuas impressões. Abraço a todos!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

SOBRE A PRISÃO DE 30 TRIPULANTES DO RAINBOW WARRIOR, DO GREENPEACE (#Free The Artic 30)

Após muitas expedições pelo Ártico, os ativistas do Greenpeace (entre eles, há uma gaúcha de Porto Alegre, Ana Paula Maciel, de 31 anos, bióloga formada pela Ulbra e que se juntou ao grupo por força de um acaso, em 2006. Ela havia se inscrito para integrar o grupo em uma viagem à Amazônia. Quando uma das pessoas não compareceu, ela foi chamada e, desde então, já se passaram sete anos. Também visitei o barco do Greenpeace, quando o mesmo esteve atracado no porto da capital gaúcha. Eu já colaborava mensalmente com essa ONG à qual estive filiada por nove meses) desta vez foram presos pela marinha costeira russa. Retomando o episódio, todos os 28 ativistas estão presos, além de um jornalista e um fotógrafo russo. Há vários diplomatas, de vários países distintos, tentando reverter a sentença: 15 anos de pena por 'pirataria'. Os ativistas que escalaram a petroleira Gazpron foram debelados com jato de água e, no dia subsequente, todos foram presos a bordo do Rainbow Warrior. Algo mais violento até poderia ter ocorrido, mas não rolou. Na década de 80, não me recordo em que ano, o barco do Greenpeace foi incendiado e uma pessoa morreu na ação. O problema é que os russos querem petróleo da região do Ártico. Para perfurarem offshore é preciso remover os icebergs e derreter placas de gelo. Uma operação dessas pode desencadear um vazamento e desequilibrar o ecossistema do Ártico, o que resultaria em uma catástrofe ambiental. Fico chocada com esse tipo de resolução, de parte da Rússia. A Anistia Internacional e a WWF já interviram junto às autoridades. Efetivamente, os ativistas do Greenpeace ignoraram códigos internacionais, mas não são praticantes de 'pirataria'. Tendo em vista que o Putin já fez coisas meio doidas, além de mandar prender as meninas do grupo Pussy Riot, retiradas à força do altar da maior catedral cristã ortodoxa de Moscou, o que será que vem pela frente, uma vez que segue o seu mandato? Como resolver esse caso de natureza diplomática?

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