sábado, 31 de março de 2012
A COMUNIDADE JUDAICA RECLAMA...
terça-feira, 27 de março de 2012
THE WALL, DE ROGER WATERS
sábado, 24 de março de 2012
O DIONISÍACO "PINA", DE WIM WENDERS
terça-feira, 20 de março de 2012
"DRIVE", LONGA DE NICOLAS WIDING REFN
SOBRE OS MURAIS DE PORTINARI, 'GUERRA E PAZ'!
sexta-feira, 16 de março de 2012
SÃO PAULO
terça-feira, 13 de março de 2012
SOBRE O FILME ‘SHAME’, DE STEVE MCQUEENN (2011)
Freud explicou em sua obra que as necessidades do ser humano e do animal são de natureza biológica. Assim, algumas pessoas estabelecem formas peculiares, e até mesmo patológicas, de satisfação da necessidade sexual. Por isso, algumas perversidades podem ser catalogadas nesse campo, como o fetichismo, em que o objeto de prazer é inanimado, ou seja, é simplesmente uma coisa, um corpo. O prazer aí, em geral, não é de mão dupla e só goza o sujeito com a desordem sexual. Foi isso que encontrei no longa do diretor e artista plástico Steve Mcqueen, “Shame”, estrelado pelo ator de origem irlandesa, Michael Fassbender, conhecido do telão por papéis pequenos e inexpressivos até então.
Brandon é o protagonista do longa. Ele tem, aproximadamente, 30 anos, vive só em NY e é um executivo - não se descobre ao longo da narrativa de que segmento, nem se sabe nada de seu passado ou de sua compleição psicológica. Ele masturba-se em horário útil e, mal chega em em seu apartamento, abre seu notebook, acessa sites de pornografia, ao som de um tema das "Variações de Goldberg", de Bach. Os diálogos são escassos e o próprio roteiro, escrito pelo diretor Steve Mcqueen, com a parceria de Abi Morgan (da série inglesa “The Hour” e, mais recentemente, do “The Iron Lady”, que outorgou a Meryl Streep o terceiro Oscar de Melhor Atriz, em 2012) não revela dicas sobre seus conflitos internos. Não obstante o fato de que o filme sobre a dama de ferro tenha problemas, inclusive de ordem política, o roteiro de “Shame” é muito interessante, justamente por não fazer flashbacks do passado de Brandon e não subsidiar o expectador com lugares-comuns para justificar moralmente a patologia do personagem, vivendo na selva da grande megalópolis: New York.
Li as entrevistas tanto do diretor quanto do ator nos jornais The Guardian e na revista “Positif”, no dossier do mês de dezembro, dedicado ao lançamento de “Shame” na Europa. Não encontrei nenhum comentário profundo sobre a psicologia dos personagens, que é sempre o que mais me interessa e chama a minha atenção no cinema de Arte e/ou Independente.
A rigor, a entrada da personagem de Carey Mulligan, irmã de Brandon, a Sissy, da metade do filme em diante, quebra a rotina do sexaholic e funciona como um jogo de espelhamento, que fornece algumas pistas para se compreender a matriz emocional que os irmana. Ela é cantora, bebe, joga-se nos braços do patrão (casado, interpretado por James Badge Dale) de Brandon em 20 minutos e vive uma vida sem rumo. Em uma cena, em que ela convida o irmão para ouvi-la cantar, em um charmoso restaurante, cuja vista de NY é deslumbrante, percebe-se, a partir do comentário de seu patrão (de Brandon, que foi junto), que ela possui “marcas” em seu antebraço. Isso já desvela a fragilidade de seu modo de existir e o apoio que ela almeja de parte de seu único irmão.
Nessa cena, ouve-se, na versão integral, a canção New York, New York, imortalizada por Frank Sinatra e Liza Minelli. O personagem de Michael Fassbender chora – e claro, parte da plateia de expectadores da sala onde eu me encontrava também, em sua maioria, casais gays. Belíssima a interpretação lenta e murmurada de Carey Mulligan, que, não raras vezes, lembrava os trejeitos de Marilyn Monroe.
O caráter epifânico da tensão familiar, entre os dois irmãos, que se desenrola ao final do longa – e que não descreverei aqui -, ilumina a tragédia da existência nauseante das grandes cidades, da liberdade sem direcionamento, da grana gasta de modo supérfluo, do sexo desenfreado que povoa o imaginário dos sujeitos que o praticam e da ausência de uma moral prescritiva.
“Shame” não desperta a vergonha de cada um de nós. Ao contrário: que venham mais filmes dessa índole, que excitem os expectadores e nos provoquem à autorreflexão! "Se está melhorando, siga em frente" é o sentido do que diz um cartaz que aparece de modo reincidente nas cenas do metrô. Assim, para encerrar, o protagonista passa por uma ruptura, de ordem emocional, mas retoma sua vida monocromática e morna.
segunda-feira, 12 de março de 2012
SOBRE O LONGA "A INVENÇÃO DE HUGO CABRET", DE MARTIN SCORSESE ("HUGO", EUA, 2011)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
OSCAR 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
AS VERSÕES SUECA E AMERICANA DE "OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES"
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
AS MULHERES DO 6º ANDAR
SOBRE O "DAMA DE FERRO"
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
COM O CINEMA EM DIA (2)
sábado, 18 de fevereiro de 2012
"A SEPARAÇÃO, DE ASGHAR FARHADI (2011)
Pouco encontrei de densidade psicológica na construção do papel da esposa da trama, meio inócua, que quer ir embora do Irã, obtém seu visto, mas o marido nega-se a partir com ela por conta de ter um pai com Alzheimer, sob sua tutela, em estágio avançado. Assim, o fato de ela desejar sair do país determina o pedido de divórcio, ao qual o marido é refratário, mas não quer, ao mesmo tempo, impedi-la de viajar. A esposa vai embora do apartamento do casal e segue para a casa de seus pais; no entanto, a filha (Sarina Farhadi, filha do próprio diretor e talentosa iniciante), permanece junto ao pai e testemunha uma fatalidade que ocorre na vida familiar.
A rigor, o estopim da trama é o fato de que o marido contrata uma mulher de meia idade para ser a cuidadora de seu pai doente, mas as leis do Corão não permitem que ela o veja nu e, mais ainda, que trabalhe no apartamento de patrões, em cujo lar a esposa não está presente.
Colocadas essas duas questões, o filme trata muito mais de impasses de ordem religiosa e moral, dinamizando um enfrentamento ético de um marido/uma esposa, separados por diferenças e conflitos pessoais, além de uma posição unívoca, visivelmente contra os excessos da Revolução Islâmica.
De outro lado, um outro casal, o da 'cuidadora', que fora acusada de manter o senhor doente amarrado pelo pulso em sua cama, por conta de uma saída do apartamento em caráter de emergência.
O fato de a 'cuidadora' estar grávida e seu marido não estar ciente de que trabalha no apartamento do casal separado gera um problema moral entre o mesmo, além de desencadear o episódio da perda do bebê, inicialmente alegada como resultado de um empurrão do patrão/pai do senhor doente, ao descobrir o episódio do cativeiro. No desenlace da trama, descobre-se que a 'cuidadora' mentiu, ao afirmar na Justiça que perdeu o bebê na queda da escada. O bebê já não se mexia mais, quando ocorreu o incidente. Na verdade, com a iminência de um valor monetário que poderia livrar o marido da 'cuidadora' de credores, ela manteve sua versão.
Diante do Corão, jamais uma mulher devota mentiria frente a familiares e credores. Portanto, a farsa se desfaz e o filme termina em suspense, sem resolução, quando a filha do casal separado é convocada pelo Juiz da Vara da Família a revelar com quem gostaria de viver: pai ou mãe.
A menina fora três vezes coagida a falar o que o pai desejava; portanto, a filha sofre um mesmo tipo de coação, que as mulheres sofrem na cultura islâmica, desde sempre.
Assistam e comentem!
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
EM DIA COM O CINEMA!
sábado, 31 de dezembro de 2011
A PRECOCE MORTE DE DANIEL PIZA
Li hoje na WEB e no Face que o Daniel Piza morreu de AVC ontem à noite, em uma cidadezinha do interior de MG, onde passava as festas de final de ano com a família.
Eu o lia desde o início de sua carreira, naqueles anos que era colunista da Folha de São Paulo. Depois, seguiu percurso no Estadão, jornal no qual o meu próprio falecido pai trabalhou durante muitos anos, inclusive no Jornal da Tarde.
Fiquei chocada e triste, pois ele teve um AVC e não se salvou!
Lembro-me de tantas das suas crônicas, de seus comentários inteligentes sobre futebol, mas especialmente da biografia magistral que escreveu de Machado de Assis.
Minhas condolências à família que fica e ao jornalismo brasileiro enlutado, que perdeu um jornalista brilhante e responsável, além de um intelctual de estirpe.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
DE FÉRIAS NO RIO DE JANEIRO
Estou de férias no RJ.
Vou deixar para postar comentários na primeira semana de janeiro de 2012, quando comentarei o primeiro volume das conferências de Foucault no Collège de France (1982-1983), especilamente o conceito de veridicção filosófica.
Abraço a todos e um ano repleto de realizações!