domingo, 6 de fevereiro de 2011
Heidelberg e Praga
Corrigi os erros do segundo post. Desculpem-me.
Chegamos em Praga as 19h. Nao faz muito frio, a noite esta linda e uma lua crescente nos abencoa.
Ja fizemos o check in no hostel bem no centro da cidade.
So chegamos aqui por falarmos ingles, senao nao daria mesmo.
Um grande abraco a todos. Ainda nao conseguimos fazer o download das fotos. Nos hostels nao da.
Ate mais!
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Ainda em Frankfurt
O Rafael ficou no hostel arrumando a mochila porque amanha saimos de Frankfurt, rumo a Heidelberg. Voltando ao Museu, ele era grande com muitas salas de fosseis marinhos. O que me interessava mesmo era ver o acervo de fosseis de T-Rex e dinonassauros. O saguao central, logo na entreda, apresentava varios deles. Muito legal! Na volta, pela mesma linha de metro, comi uma fatia de pizza da Pizza Hut e saimos para caminhar mais um pouco pelo centro. La encontramos um grupo de uns 15 egipcios, manifestando-se pela saida de Mubarack do poder e pela liberdade do povo deles. O Rafael conversou com um do grupo, que explicou em ingles o motivo da causa dos egipcios. Eh isso! Amanha, faremos uma viagem bonita de trem ate Heidelberg, a 50 min daqui, com o nosso passe de trem, o Saver Flexy Pass.
Tania, amanha, peco-te que facas as operacoes na minha conta. Mi, tudo bem ai, filha?
Jana, posta algo para mim, criatura! Te escrevi varias vezes. Agora eh a tua vez. Um abracao a todos. Valeu Tania e Koehler pelos comentarios. Ate mais!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
De Frankfurt
Bem, senti-me uma idiota por nao ter vindo passear antes na Alemanha. Saimos na boa do aero de Frankfurt, pegamos um shuttle ate o terminal de metro, descemos na enorme Hauptbanhof e pegamos um onibus ate chegarmos ao hostel as 18h de ontem, quarta. Foram, portanto, quase 30 h entre a saida de S. Cruz e o check in no hostel, que eh grande, limpo e lotado de brasileiros (fazendo barulho, falando alto e rindo exageradamente!).
Hoje, fomos a Casa de Goethe, ao Museu Arqueologico, a uma exposicao sobre Schopenhauer e ao Museu de Arte Moderna. Almocamos por um valor razaovel e fizemos compras em um market para o rango da noite: jamon serrano, brie alemao, vinho frances e chocos alemaes. Tudo por 13 euros para dois.
Amanha iremos visitar Schopenhauer, meu amado, no tumulo, e iremos ao Museu de Historia Natural, porque eh o maior da Alemanha.
Aguardem, sabado, noticias de Heidelberg.
Um beijo e um abraco a cada um de meus amigos, filha, genro e irmas. Te mais!
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
FÉRIAS: RUMO À EUROPA CENTRAL!
Tenho assistido a DVDs em casa com locações em países europeus, ou destinos mais exóticos, tamanha a minha vontade de viajar e descansar. Sei que há pessoas que se regozijam por não tirar férias há anos, mas como minha atividade de professora exige muito de meu intelecto, especialmente de minha memória, necessito, sim, de um período de ócio.
As férias são um direito de todo o trabalhador, seja celetista, estatutário ou contratado. Hoje, é tertia feria! Segundo o calendário romano, feria, em latim, tem o sentido de dia em que não se trabalha por questões religiosas.
Por influência da Igreja, no século IV d. C., surgiram o ‘sábado’ e o ‘domingo’, substituindo, respectivamente, o septima feria e o prima feria. A Língua Portuguesa foi a única que manteve a expressão ‘feira’, na designação dos dias da semana.
Na próxima terça-feira, dia 31, viajaremos, eu e Rafael, para a Europa Central, por 20 dias. Se eu conseguir acessar a WEB sem problemas, no turno da noite, tentarei enviar a vocês, amigos, algum post. O acesso à WEB é caro lá e não sei se terei fôlego, após tantas horas de caminhada diária, para escrever algo produtivo e bem-humorado!
Na expectativa religiosa de minhas férias, ou de meu ócio produtivo (é uma questão de perspectiva), deixo aqui um abraço carinhoso aos meus amigos, alunos e ex-alunos. Tentarei enviar algum comentário sobre Frankfurt, Heidelberg, Dresden, Praga, Berlim (vamos ao Berlinale) e Amsterdan.
De qualquer modo, estarei acessando o meu blog pessoal, para aqueles que quiserem acompanhar a nossa aventura, ler narrativas e ver fotos! Bye!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
AS ÁGUAS QUE LEVAM...
Ontem, ouvi o Papa Bento XVI, pela TV, fazer uma bênção apostólica às vítimas das enchentes de vários municípios brasileiros, em estado de calamidade. O que mais emocionou a todos não foram apenas as imagens de resgate de pessoas soterradas ou levadas pelas correntezas, mas a rede de solidariedade que se construiu rapidamente no Estado do Rio de Janeiro.
Assisti a uma reportagem sobre a doação de sangue aos bancos de sangue dos hospitais da Serra Fluminense. Havia entre os doadores pessoas que viajaram mais de duas horas, respondendo aos apelos da Defesa Civil.
Tenho amigos antigos em Petrópolis. São gaúchos de Porto Alegre, mas estão radicados há muitos anos em Petrópolis, cidade serrana na qual têm uma pousada luxuosa. Na quarta-feira passada, quando as primeiras imagens de destruição foram projetadas pelas TVs, fiquei extremamente preocupada em função deles e pelo fato de eu não me lembrar do nome de sua pousada.
Após contatos pela WEB, através do Facebook, por conta de que as linhas telefônicas deixaram de funcionar, minha amiga deu um retorno e comentou que a pousada não havia sido atingida pelos deslizamentos, uma vez que fica no bairro de Nogueira, em Petrópolis, não atingido pelas águas e quedas de barreiras.
O Governo Federal já havia liberado recursos para a prevenção de tragédias como essas. O problema é que apenas o Estado da Bahia, através de projetos técnicos multiprofissionais, enviou suas propostas de parte de vários municípios baianos. Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, deveras atingidos em constantes enchentes nos últimos anos, não participaram do edital, segundo os observatórios sociais, hoje 31 no Brasil, coordenados pelo Instituto da Cidadania Fiscal, que tem a tarefa fundamental de promover o controle social dos gastos públicos.
Tragédias como as do Rio de Janeiro e de São Paulo continuarão ocorrendo em período de chuvas abundantes, se os governos municipais e estaduais não se organizarem, a partir de uma avaliação séria e profunda dos episódios e da concepção de projetos técnicos, que removam o pessoal que vive em áreas de risco e de obras necessárias à contenção das encostas das serras.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
AS VÁRIAS TRAIÇÕES DA TEMPORADA
A mídia tem explorado, insistentemente, a volta de Ronaldinho Gaúcho. Entendo pouco de futebol, mas dei meus pitacos nesta coluna quando da Copa do Mundo na África do Sul. Acho que me saí bem! Não aguento mais de ouvir falar de Ronaldinho Gaúcho, no entanto.
Ademais, fala-se agora na dupla “traição” de Ronaldinho Gaúcho, arregimentada por outras traições como a do empresário da novela das “Oito” da Globo (que, finalmente, terminou!); a traição da Amy Winehouse, em relação à expectativa de 12 mil fãs, que foram assisti-la, ao vivo, em um show em Floripa; e pelo longa que se encontra em cartaz, atualmente, em Santa Cruz do Sul, “A Rede Social”, que trai pelo roteiro simplificado e pela trama sem emoção.
Tenho uma página no Facebook, que gerencio há quase dois anos, blog, Orkut, Twitter, e mais três contas de e-mails para administrar. Posso me considerar uma adepta das redes sociais. O que o filme apresenta como mote principal é a ideia de que o Facebook teria sido concebido por um grupo de acadêmicos da Harvard University, interessado em relacionar-se com as acadêmicas da instituição.
Pelos depoimentos de Mark Zuckerberg, criador do Facebook e personalidade eleita pela revista Time em 2010, o website não foi erigido com vistas a colecionar mulheres, ainda que a ideia propulsora tenha sido a de criar um sítio de relacionamento.
As ações judiciais que teve de enfrentar, e que lhe renderam o desembolso de milhões de dólares a seus ex-colegas de universidade, associados, inicialmente, ao empreendimento, também lhe valeram a pecha de ‘traidor’.
O fato é que, talvez, o filme ‘desinforme’ mais o usuário, pouco familiarizado com as redes sociais, que o oriente, verdadeiramente, em relação às fontes que originaram o sucesso que é hoje o Facebook, especialmente entre internautas brasileiros.
De qualquer modo, vale a pena conferir o filme, mesmo com um roteiro meio problemático. A rigor, só se pode negar ou criticar aquilo que se conhece e, como já teria dito Nelson Rodrigues, “a unanimidade é burra”! Portanto, assistamos e façamos a crítica!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
PRESIDENTA OU PRESIDENTE?
Desde o início da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, já havia no ar uma dúvida de parte da imprensa e dos próprios partidários: presidenta ou presidente? Em uma matéria da Folha de São Paulo, do mês de agosto, a polêmica instaurou-se, quando uma jornalista (Ana Flor), referindo-se à palavra presidenta, alegou que é uma “(...) alteração do gênero da palavra, que na ortografia não tem versão feminina (...)” – o grifo é meu!
Depois disso, foram muitos os comentários à reportagem citada. Primeiro porque a mesma tinha um tom meio reacionário; segundo, porque não é na ortografia que encontraremos uma regra para verificar se um vocábulo varia em gênero. Se a palavra presidenta não existisse, seria, talvez, um erro semântico, mas não de ordem ortográfica.
Acompanhando pela TV a posse de Dilma Rousseff à presidência da República Federativa do Brasil, fiquei emocionada em dois momentos distintos! Primeiro porque ela exortou a memória, em seus dois discursos, daqueles que tombaram durante a ditadura militar no Brasil. Em um segundo momento, bem pontual, foi quando a presidenta foi convidada a passar a tropa em revista, como comandante-em-chefe.
Nunca, no Brasil, até então, uma mulher esteve na condição de comandante-em-chefe, o que demarca novos tempos e uma nova era neste início da segunda década do século XXI. Ademais, fiquei contando o número de agentes mulheres da PF, o número de ministras empossadas e o número de convidadas internacionais. Vi, pela TV, o abraço trocado entre Dilma e a Secretária de Estado do Governo Obama, Hillary Clinton. Não vi, nem sei se veio à posse, a presidenta da Costa Rica, eleita em 2010, Laura Chinchilla. Não vi e sei que não esteve à posse, ausência plenamente justificada, Cristina Kirchner, presidenta da Argentina.
O governo da presidenta Dilma Rousseff alimentará, futuramente, estudos de natureza antropológica, psicossocial e política, dentre outros, por algumas gerações, sem falar nas versões cinematográficas que virão! Dessas, poupem-nos, ao menos as mulheres!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
MUNDO HIGH TECH E VIDA REAL
Fui assistir no domingo à noite ao remake do Tron, um filme futurista realizado com o suporte tecnológico, que, na época, final da década de 80, era possível acessar. Assisti ao filme-matriz em VHS, não me lembro em que ano. Os críticos comentam que o Tron original não fez o sucesso esperado porque tinha uma linguagem nova, avant la lettre!
O remake do Tron é carregado de efeitos digitais, simulações visuais, movimentos geometrizados fantásticos, que deixariam um cientista do início do século XX eletrizado... O roteiro é interessante e pode ser alvo de uma leitura metafísico-sociopolítica. Os programas dos falecidos videogames da década de 80, encarnados em personagens, rebelam-se contra a tirania do usuário que os criou, o Criador.
Dá para compreender a engenhoca? É como se, na era da robótica, os robôs atingissem uma perfeição tal que pudessem questionar e se insurgir contra seus usuários. Mais longe ainda, é como se os obsoletos I-Pods (traduzindo: ‘os portáteis que todos nós, Eu/vocês, desejamos’) pudessem ter vida própria e criar um tipo de conflito civil contra os mentores/criadores dos celulares de alta tecnologia, equipamentos que os absorveram, os smarthphones e toda a geração hightech de comunicação digital dos noughties, a primeira década dos anos 2000, como os americanos a batizaram.
Muito interessante refletir sobre a ficção em que os personagens de programas de videogame, dos 80, revoltam-se contra seus ‘controladores’. É fácil e automático admirar-se com a ficção tecnológica. Difícil, mazela de nossos tempos, é espantar-se com a nossa própria realidade e reagir, coletivamente, contra ela.
Na vida real, que, não raras vezes, até parece ficção, uma Matrix, referindo-me ao primeiro longa da trilogia, de 1999, o que fazer quando o grupo dos Morpheus (do Mal) ministra instruções e logística aos ‘mocinhos’ liderados por Neo (do Bem)? Neste jogo de lasers, neons e espelhamentos, não sabemos mais quem é de cá e quem é de lá.
Que em 2011, fiquemos mais ligados na essência dos eventos e menos nas aparências!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O PRESENTE DE NATAL DOS PARLAMENTARES
Meu amigo e ex-aluno Fabiano Felten, que, como eu, também gerencia um blog, diga-se de passagem inteligente e atual, escreveu neste final de semana sobre o tema que eu já havia decidido para esta coluna: o aumento dos salários dos parlamentares.
A crônica do Fabiano intitula-se ‘presente de grego’, reportando-se ao cavalo de madeira que os aqueus ofertaram aos troianos, na epopeia de Homero. O episódio da diplomação da semana passada, das manifestações de alguns de nossos representantes, associadas à notícia do aumento de seus salários, deixou-me demasiadamente chocada que, confesso, escrevo estas linhas mais por obrigação formal que por prazer.
A realidade da política nacional lembra-me dos personagens e das observações astutas dos contos de Machado de Assis, especialmente os reunidos em “Histórias sem data”, “Papéis avulsos” e “Várias Histórias”. Um bom presente de Natal, leitor, para quem quer presentear alguém que, além de ler boa literatura, é perspicaz para compreender a profundidade e a atualidade da narrativa ficcional de Machado enquanto um inequívoco libelo contra, sobretudo, a mediocridade humana.
Deixo-lhe, leitor, de presente de Natal (não é um presente de grego, não!), uma singela recomendação de leitura, o conto ‘A Teoria do Medalhão’, que está no livro “Papéis avulsos”, de Machado de Assis, publicado em 1882.
O conto utiliza-se da engenhosa imagem do medalhão, que tem uma face que é opaca, suada e sem atrativos, colada à pele do usuário. A outra, entretanto, a que fica como alvo dos olhos dos outros, é brilhante, vistosa, constituída de atrativos como metais ou pedras.
Fica aí uma provocação para que, neste final de ano, todos reflitamos sobre os “medalhões” que nos representam e sobre aqueles, em particular, que cada cidadão referendou. Um Feliz Natal a todos, muita paz interior e muita saúde a todos os leitores do Diário Regional.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
AINDA SOBRE JOHN LENNON (PARTE II)
domingo, 12 de dezembro de 2010
A FACE OCULTA DE MAURO ULLRICH
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO LENNON MORREU? (PARTE I)
Na página da CNN, encontra-se um link destinado à pesquisa: “Where were you when Lennon died?”. A tradução está no título desta crônica, carregada de nostalgia. Eu estava em São Paulo, de férias, na casa de amigos, quando alguém comentou que John Lennon havia sido assassinado. Era dia 9 de dezembro de 1980, o dia subsequente ao crime, que ocorreu na noite de 8 de dezembro. Tivemos de esperar para checar os detalhes, que envolviam a morte de Lennon, em uma reportagem da TV.
Desde outubro, quando Lennon completaria 70 anos, homenagens e tributos estão ocorrendo, especialmente em Nova York e em Liverpool. No início desse mesmo mês, em uma lojinha de Manhattan de cultura pop, o FBI ficou sabendo que um documento com as digitais de Lennon, de 1976, quando ele solicitava a cidadania americana, estaria sendo leiloado naquele dia. Foi um tumulto e, após telefonemas dos proprietários da loja a seus advogados e um fax do FBI, solicitando a apreensão do tal documento, o mesmo desapareceu com um agente enviado para a missão.
Ninguém sabe como esse documento, que sumiu do escritório da Imigração, à época, foi parar nas mãos de comerciantes. O fato é que, até hoje, o FBI continua interessado no ‘caso Lennon’. Assisti a um documentário, em Porto Alegre, em pré-estreia no Festival Varilux, no mês de junho, muito sugestivo: “Os EUA contra John Lennon”, de David Leaf e John Scheinfield, 2006, 1h36min. O filme pode ser baixado com legendas em um sítio da WEB.
O documentário mostra Lennon bem menos como um troublemaker (um legítimo criador de problemas!) e muito mais como um verdadeiro pacifista, um militante incansável, sempre apoiado e acompanhado por Yoko em suas investidas. Ainda que muitos se refiram a ela, até hoje, como a uma “alien”, tive a oportunidade de conferir uma retrospectiva dos 50 anos de sua obra artística, não apenas pictórica, mas sobretudo de performances e instalações, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, em dezembro de 2007, que me deixou emocionada. Encontrei, em uma sala especial da exposição, objetos em bronze. Lá estava uma camisa de John, embalsamada em bronze, com um furo paradigmático na altura do coração. Do furo, escorria uma mancha escarlate, que descia até a bainha...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO
Na semana que passou, fiquei muito preocupada com minha família, que vive no Rio de Janeiro. A cidade “maravilhosa” encanta aqueles que a veem apenas com os olhos, com fome estetizante, mas para aqueles que a encaram com a ‘alma’ – e refletem – há uma ordem de coisas que tem de mudar por lá há muito tempo.
Já estive no RJ em momentos de exceção, com tanques do Exército estacionados na esquina do Botafogo, antes de a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) conquistar o Morro de Santa Marta. Há um medo constante que paira sobre os residentes, sejam da zona Sul ou de áreas de confronto. Já senti isso, estando lá, e pude conversar com cariocas que são assolados por tiroteios entre facções do tráfico há anos.
O problema no Complexo do Alemão parece que foi resolvido. Não houve ações após o domingo à noite. Resgatei Maquiavel novamente, tema de minha reflexão na última coluna, no sentido de que um ‘príncipe’, mesmo que não possua todas as qualidades adequadas a quem governa, tem de parecer que as possui. Nessa dialética da essência/aparência, vimos o arsenal de guerra que foi colocado na rua, para gringo ver em jornais internacionais e se admirar.
Por que o Governo só age em situações-limite? E as medidas preventivas e permanentes que deveriam se instalar no corpo das comunidades cariocas? Sabe-se que eliminando as ‘cabeças graúdas’ do tráfico não se extirpará a rede de violência e criminalidade instituída na sociedade.
E o papel da mídia nisso tudo? Novamente, viu-se nas fotos da imprensa escrita e nas imagens das redes televisivas um ‘espetáculo’ trágico, que, a alguns, nem sensibiliza mais, tal a banalização da violência a que chegamos em nossa sociedade. O ‘coro’? Sempre presente...
O Rio de Janeiro deveria se orgulhar por abrigar intelectuais de peso, como o Ruben Cesar Fernandes, fundador da ONG Viva Rio, ou o Luiz Eduardo Soares, docente da UERJ e ex-Secretário Nacional de Segurança. Alguém os ouviu falar na TV ou leu alguma entrevista na imprensa na semana que passou sobre as ‘invasões’ previstas das comunidades do tráfico? Eu rastreei, mas não encontrei nada.
Nos estertores do governo estadual do RJ, fica-se a impressão – e trágica – de que não estamos assistindo ao avant première do Tropa de Elite III, mas ao preview de Avatar II: mexendo na ‘caixa de Pandora’!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
NEONAZISTAS DE SANTA CRUZ DO SUL PLANEJANDO ATAQUE!
Que coisa! Isso saiu em um jornal nacional, de matriz carioca, de respeito! Moro e trabalho em Santa Cruz do Sul. Na medida em que já fui Presidente do Movimento de Direitos Humanos da cidade e ativista da Anistia Internacional, durante dez anos, fico totalmente chocada com esse tipo de matéria e de repercussão!
Aguardo comentários neste blog! Abraço a todos!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A VERGONHA QUE TENHO DE NOSSOS POLÍTICOS!
OS ‘PRÍNCIPES’ DO PAPA E O PRÍNCIPE DE MAQUIAVEL
Na semana passada, acompanhamos pela imprensa que Dom Raymundo D. Assis, arcebispo de Aparecida (SP), foi nomeado cardeal pelo Papa Bento XVI (Benedito, originalmente). A América Latina, portanto, possui um enorme colegiado de “príncipes” nomeados pelo papado, contando com mais de 20 deles.
Além disso, dia 23 de novembro, está sendo lançado um livro na Europa intitulado “Light of the World: the Pope, the Church and the Signs of the Times”, algo como, em tradução para o Português, “Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais dos tempos”. Trata-se de um conjunto de entrevistas concedidas pelo Papa Bento XVI a um repórter europeu. Em uma delas, e deu o que falar neste final de semana, o Papa admite que o uso de preservativo pode ser importante na luta contra a disseminação de doenças, como a AIDS, no mundo.
Coincidência ou não, neste final de semana acabei de reler “O príncipe” de Maquiavel, por conta do ofício de docente. Publicado em 1532, que leitura maravilhosa e instigante ela é e quão atual! O cerne da análise de Maquiavel dá-se na tensão entre Fortuna (as circunstâncias, expressas pelas forças pagãs da Sorte e do Acaso) e a Virtù (a racionalidade instrumental, ditada pela necessidade e separada das virtudes que conhecemos através da tradição platônica-cristã).
Durante séculos, Maquiavel foi detratado e, poucas vezes, resgatado e reabilitado no meio erudito. A ideia de que o governante perverso, que não mede as consequências, em detrimento de determinados fins, configurando, com isso, um certo maquiavelismo é falaciosa! Prefiro comungar da posição de Norberto Bobbio, que, ainda no final do século XX, vai afirmar que “O Príncipe” apresenta magistralmente a propriedade específica da atividade política. Assim, difere-se do que é moral e religião.
Ler “O príncipe” de Maquiavel, certamente, é uma aventura diferente de assistir ao filminho do Harry Porter, lançamento em cartaz, que tem arrebatado multidões pelo mundo. Todavia, o empoderamento de suas lições nos dá condições de compreender a nossa própria realidade ideológico-política, com mais consistência, e perceber que há muitos mais ‘príncipes’ por aí governando, algo em que a nossa vã filosofia, raras vezes, é capaz de acreditar.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
VANUSA, VOCÊ CONHECE O HINO À PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA?
Não sou gaúcha, sou paulistana. Ao longo de minha educação formal, éramos obrigados a saber vários hinos de cor. Havia aulas de Educação Cívica e, em algumas ocasiões, todos nos reuníamos com o professor de música e cantávamos vários hinos, inclusive o da Proclamação da República e o da Bandeira.
Aqui no Sul, a galera não conhece esses hinos, mas eles existem. Aliás, o Dia da Bandeira é em 19 de novembro. Alguém se lembra disso? Vanusa, você sabe cantar o Hino à Bandeira?
Neste feriado, aproveitei para ler os jornais internacionais. Em Madrid, ocorreu no domingo uma iniciativa muito interessante: o bookcrossing. Trata-se de uma ação ímpar, através da qual 600 voluntários espalharam-se pela capital e colocaram, em pontos aleatórios, até sobre árvores, livros usados e doados para o happening.
Cada transeunte passaria e levaria um livro, de seu interesse, para casa. Ao final da leitura, aguardaria para o próximo evento, no sentido de devolver o livro desfrutado e pegar um outro título. O evento tem o propósito de incentivar a leitura dos madrilenhos e de estabelecer uma grande rede de leitura.
Obviamente, os coordenadores estão contando com o fato de que alguns volumes não serão devolvidos, mas poucos, tendo em vista a natureza humana. O importante é lê-los e, após um tempo, devolvê-los.
Imaginem uma iniciativa dessas em São Paulo ou em Porto Alegre mesmo. Haveria uma única edição do evento! A maior parte dos livros ficaria à disposição dos usuários e, na edição subsequente, não apareceriam mais!
Em um país em que quase não se lê, pouco se visita a rede de museus e pouco se prestigia as produções teatrais e cinematográficas, resta-me ‘rezar, acreditar e esperar’, alusão ao longa que está em cartaz em cinema da cidade (Rezar, Comer e Amar), o ano de 2011 e aguardar para ver se as coisas melhoram - e se a CPMF não volta, não!
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
NÃO FUI AO PAUL...
Ontem, não fui ao show do Paul McCartney... Recebi dois torpedos de amigas que estavam no Beira-Rio e avisavam-me do momento exato em que ele entrou no palco.
Nunca gostei do Paul, mas amava o John. A relação entre um e outro me lembra um pouco a de Raul Seixas e Paulo Coelho. O que ficou vivo enriqueceu, fez fama e seguiu arrebatando multidões, cada um em seu segmento.
Toquei uma canção dos Beatles, pela primeira vez, em meu pequeno violão, aos sete anos de idade: “Yellow Submarine”. Até os meus alunos, do alto de seus vinte e poucos anos, conhecem-na. Que poder tem a música!
Se parte da renda do show fosse benemerente, já seriam alguns milhares de reais destinados a alguma nobre causa. Se o show fosse de um ativista de direitos humanos ou de um militante de alguma entidade ecológica relevante, certamente, eu teria pensado em me agilizar para comprar o ingresso.
Ver e ouvir Paul McCartney, no meu entendimento, hoje, 2010, seria pura veleidade, uma vez que sua música continua presa no tempo, não se atualizou e faz menção direta à veia poética e incomparável de John Lennon, que teria completado 70 anos no mês que passou.
O déficit no Reino Unido alcançou uma situação tão feroz, que uma turnê desta envergadura faz sentido para um britânico; todavia o valor do ingresso que a galera jovem pagou é um nonsense exagerado, porque, certamente, nunca comprou livros no valor aproximado de um único ingresso.
Ser brasileiro é viver, a cada dia, as contradições que a mídia escancara. É também cultivar uma boa saúde para suportar as mazelas e os imprevistos que o cenário nacional nos impõe.
Lembrei-me da canção “End of The End” para encerrar a minha crônica e usar o argumento da galerinha que foi ao show: esta talvez seja a última oportunidade para os brasileiros... Nós, em geral, ficamos com a última oportunidade...
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
VACAS E LIVROS EM PORTO ALEGRE!
Estive na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, neste feriadão de Finados. Chegando na capital, já na rodoviária, encontrava-se uma das vacas da coleção CowParade, a Vaxi, bem pertinho da parada de táxis do desembarque, concebida por vários artistas plásticos, e espalhadas por Porto Alegre com um tom de alegria e humor.
Já na Feira do Livro, evento declarado bem de natureza imaterial da cidade, não era possível se aproximar com tranquilidade das bancas de livros, muito menos procurar com calma algum saldo nos balaios das editoras e livrarias. Havia muita gente e, na medida em que a tarde caía, a atomização de pessoas – e o vento - aumentavam.
Aproveitei para entrar no Santander Cultural e acompanhar uma palestra sobre poesia polonesa. Após, dei uma checada rápida nas video portraits de Robert Wilson, dispostas no átrio do prédio, conhecido no cenário internacional com um dos grandes nomes do teatro experimental.
De volta à praça, fazendo os caminhos sugeridos pelas próprias bancas de livros, fui parar na área internacional, que, neste ano, estava encolhida. Deve ser caro um stand na Feira do Livro, mais caro ainda um espaço maior na ala internacional da feira! Ali, sim, era possível entrar, olhar, procurar e verificar os valores, porque havia menos pessoas circulando e assediando as prateleiras.
Mais adiante, fui até o setor infanto-juvenil, à beira do Rio Guaíba. Caminhei até o limite das bancas e fiquei sentada a namorar a vista do rio. Com o vento remanescente do ciclone sub-tropical, que acossava o Sul do país, desde o sábado, estava impraticável de se permanecer à margem do Guaíba.
Voltando lentamente, até o ponto de início da caminhada, dei-me conta de que a melhor parte desta feira é a festa que as crianças fazem e o happening, que deixa saudades quando a feira se vai!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A GERAÇÃO MULTITASK
Geração multitask é a expressão com a qual a imprensa denomina os jovens alunos, secundaristas ou acadêmicos, que passam as aulas com os seus notebooks e netbooks ligados e funcionando, operando inúmeras tarefas, ao mesmo tempo.
De um modo geral, os educadores são a favor de que os alunos mantenham suas máquinas ligadas em sala de aula, enquanto uma atividade se desenvolve. Todavia, isso ainda é algo a ser discutido, porque, embora seus usuários desempenhem tarefas múltiplas, há que se discutir se estão mesmo produzindo conhecimento e correlacionando as informações de modo coerente.
Não faço restrição ao uso de microprocessadores em sala de aula, mas, em dias de avaliação, não admito o uso, em função de que o acesso ao Google seria inevitável e quase que automático. Eu faço um acordo de cavalheiros, nas avaliações, e meus alunos são cumpridores.
O problema é que, em aulas semi-expositivas, em que a participação e a atenção dos alunos é fundamental para o andamento do conteúdo e para que os insights (compreensão súbita de algo) ocorram, a galera está teclando no MSN com amigos, com a página do Orkut minimizada, com o Facebook em outra janela... Isso derruba as teorias de aprendizagem clássicas e me deixa com um certo grau de ansiedade, devo admitir.
Não obstante as posições de vários psicólogos que veem positivamente a nova era de cognições, na medida em que percebem que os jovens raciocinam por hiperlinks, como se estivessem navegando na WEB, o fenômeno não pode ser generalizado para a totalidade de alunos e acadêmicos.
Os que têm dificuldades de aprendizagem, não leem nada além dos textos para as provas e apresentam uma produção textual deficiente não terão condições de evoluir, simulando uma cognição ágil e multifacetada por conta da interação e do acoplamento estrutural com suas máquinas.
Há que se discutir mais o tema, ler os resultados das pesquisas que estão sendo realizadas por centros de excelência e ouvir os educadores a respeito. Para mim, netbooks e notebooks são admissíveis em aulas em que o Google também é convidado. Fora isso, as máquinas podem ser “personas non gratas” em sala de aula!